Migração: O Drama Que Atravessa Mares E Fronteiras
A migração, é um drama actual que não pode ser ignorado. Nas águas do Mediterrâneo, nas areias escaldantes do Sahel ou nas fronteiras frias da Europa Oriental, repete-se diariamente a mesma história. Milhares de africanos arriscam a vida na tentativa de encontrarem condições melhores às dos seus países de origem, enfrentando desertos, traficantes e mares tumultuosos.
A cada travessia, há sonhos que chegam, mas também há vidas que se perdem. O fenómeno dos fluxos migratórios africanos para a Europa é uma das questões mais complexas e sensíveis do século XXI, onde se cruzam factores económicos, políticos, ambientais e humanos.
Apesar de os números variarem ano após ano, a pressão migratória mantém-se como um desafio constante tanto para os países africanos como para os europeus. Os dados mais recentes revelam uma tendência de diminuição das entradas irregulares, mas escondem uma realidade dramática: continuam a morrer pessoas todos os dias e, o Mediterrâneo, transformou-se num cemitério invisível.
O problema dos fluxos migratórios africanos em direcção à Europa, tem muito a ver com a realidade actual dos países africanos, problemas dos quais a Europa não é isenta, onde infelizmente, o preço humano de uma crise que já dura há mais de uma década, parece morrer solteira.
Um Fenómeno Antigo
A migração acompanha a história da humanidade desde os seus primórdios [mfn]H. d. Haas, S. Castles e M. J. Miller, The Age of Migration, International Population Movements in the Modern World, Sexta ed., Bloomsbury, Ed., Guilford Press, 2020, p. 443. [Livro]. [/mfn]. Os Povos, deslocaram-se em massa á procura de terras férteis, segurança e oportunidades. Hoje, o movimento mantém-se, mas assume uma dimensão mais complexa, marcada por fronteiras rígidas, redes de tráfico internacional e debates políticos acesos.
Na União Europeia, a migração tornou-se uma questão central não apenas pelas dificuldades que coloca aos sistemas de asilo, mas também pela sua importância demográfica. Em 2024, a população do bloco europeu atingiu a marca dos 450 milhões de habitantes, um número recorde alcançado graças ao saldo migratório positivo [mfn]A. Gabbatt, “Uganda denies reports that it has struck deal with Trump to take in US deportees”, The Guardian, 20 Agosto 2025.[/mfn] [mfn]T. Barber, “Asylum ruling against Greece exposes Europe’s migrants dilemma”, Financial Times, 11 Janeiro 2025.[/mfn].
Este saldo deve-se a um problema claro que muitos europeus parecem desconhecer. A Europa está a envelhecer rapidamente e precisa de mão-de-obra jovem [mfn]United Nations Department of Economic and Social Affairs, “World Population Prospects 2024”, 2024.[/mfn], muitas vezes fornecida por migrantes africanos e asiáticos, sem esses imigrantes, não conseguirá sobreviver [mfn]A. Gabbatt, “Uganda denies reports that it has struck deal with Trump to take in US deportees”, The Guardian, 20 Agosto 2025.[/mfn].
Contudo, a necessidade da imigração, esbarra na resistência política. O tema divide governos, inflama discursos populistas e testa a solidariedade europeia. É por isso que, em Maio de 2024, foi aprovado o “Pacto em Matéria de Migração e Asilo” [mfn]G. d. Portugal, “Despacho n.º 11856-A/2024, de 7 de Outubro”, Portugal.[/mfn] [mfn]U. Europeia, “Pacto em matéria de Migração e Asilo”.[/mfn], procurando dar uma resposta comum, eficaz e humanitária.
As Rotas de Entrada
A chamada crise migratória europeia explodiu em 2015, quando centenas de milhares de pessoas atravessaram o Mediterrâneo e os Balcãs em direcção à União Europeia.
Foi a maior onda migratória desde a Segunda Guerra Mundial. Milhões de pessoas, tentaram a sua sorte rumo ao norte devido às guerras civis no Médio Oriente, às perseguições políticas, à fome e aos desastres climáticos, tendo cerca de 1,3 milhões pedido asilo em apenas um ano [mfn]M. Barlai, B. Fähnrich, C. Griessler, M. Rhomberg e P. Filzmaier, The migrant crisis: European perspectives and national discourses, L. Verlag, Ed., Zurique, 2017, p. 386. [Livro].[/mfn].
As rotas são várias:
- Rota da África Ocidental, com destino às Ilhas Canárias;
- Rota do Mediterrâneo Ocidental que liga Marrocos a Espanha;
- Rota do Mediterrâneo Central, a mais mortal, com saída sobretudo da Líbia para a Itália;
- Rota do Mediterrâneo Oriental, da Turquia para a Grécia;
- Rota dos Balcãs Ocidentais, através da Macedónia, Sérvia e Hungria;
- Rota do Canal da Mancha, utilizada para chegar ao Reino Unido;
- Rota das Fronteiras Orientais, entre a Bielorrússia e a Polónia.
Segundo a Frontex, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, uma agência da União Europeia (UE), criada em 2004 para apoiar os Estados-Membros na gestão das fronteiras externas, só em 2024, registaram-se 256.729 travessias irregulares [mfn]Frontex, “Irregular border crossings into EU drop sharply in 2024”, Frontex, 2025.[/mfn].
Embora este número seja o mais baixo desde 2021, quando a pandemia ainda limitava a mobilidade, continua a representar um fenómeno de larga escala.
Segundo dados preliminares da Frontex, nos primeiros 7 meses de 2025, foram contabilizadas 112.275 chegadas irregulares às costas europeias, o que corresponde a uma descida de 18% em relação ao mesmo período de 2024. Entre as nacionalidades mais representadas encontram-se afegãos, bengaleses e, em menor número, cidadãos de países africanos da África Ocidental e do Sahel [mfn]Frontex, “EU external borders: irregular crossings down 18% in the first 7 months of 2025”, Frontex, 2025.[/mfn].
A África Que Migra
Apesar da percepção criada pelas imagens dramáticas das travessias para a Europa, a realidade é que a esmagadora maioria da migração africana é interna. Estima-se que 80% dos fluxos migratórios que partem de África permanecem dentro do próprio continente [mfn]L. Mourão, “Exclusivo: “80% dos fenómenos de migração que partem de África são fenómenos de migração interna“, Jornal das Comunidades lusófonas, 4 Agosto 2025.[/mfn], o que significa que a pressão principal recai sobre países vizinhos, muitas vezes com recursos escassos e com estruturas estatais frágeis.
Um exemplo disso é o Uganda, um pequeno país que padece de enormes desafios internos, mas que se tornou no maior receptor de migrantes e refugiados do continente africano, sendo também o terceiro país no mundo que mais refugiados recebe, ilustrando como a migração é sobretudo um movimento regional e não exclusivamente direccionado para a Europa.
Desde o início de 2025, chegam em média 600 pessoas por dia e, actualmente, acolhe cerca de 1,9 milhões de refugiados, oriundos sobretudo do Sudão do Sul, da República Democrática do Congo e do Burundi, com previsão de atingir os 2 milhões até o fim do ano [mfn]Press Release, “Nearly 2 million refugees at risk as Uganda emergency funds dwindle and services cut”, UNHCR, 4 Agosto 2025. [/mfn],
De facto, muitos africanos que decidem emigrar para fora do continente nem sequer têm a Europa como destino preferencial. Os países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e a Arábia Saudita, constituem destinos de grande atracção, sobretudo devido às oportunidades de trabalho nas áreas da construção civil, do petróleo e dos serviços domésticos.
A proximidade geográfica, a maior facilidade de entrada e a procura constante de mão-de-obra barata tornam estes países receptores de fluxos migratórios significativos oriundos da África Oriental, do Corno de África e até do Sahel. Contudo, o fenómeno europeu concentra uma maior atenção mediática e política.
Parte disso deve-se ao peso simbólico e histórico da Europa como espaço de prosperidade e segurança e, outra parte, ao choque das imagens que circulam em todo o mundo: barcos sobrecarregados de jovens e famílias, naufrágios no Mediterrâneo, campos improvisados nas fronteiras ou as chamadas “selvas” como a de Calais, em França.
Estas imagens influenciam a opinião pública, alimentam debates políticos e condicionam as decisões governamentais, tanto na Europa como em África.
Na Costa Ocidental e no Sahel, milhares de jovens continuam a arriscar a vida em frágeis pirogas, enfrentando o Atlântico em direcção às Ilhas Canárias ou à Península Ibérica. A travessia é longa e extremamente perigosa, mas representa para muitos a única esperança de escapar ao desemprego, à instabilidade política ou às condições de pobreza extrema.
É frequente ver famílias inteiras a vender as suas poucas posses para financiar a viagem de um filho, na expectativa de que este consiga chegar à Europa e enviar remessas que sustentem os que ficaram para trás.
Na Costa Oriental, a rota é ainda mais cruel. Muitos atravessam o deserto do Sahara, onde enfrentam temperaturas mortais, falta de água e a violência de grupos armados. O destino final é, muitas vezes, a Líbia, transformada num dos maiores pontos de passagem para a Europa, mas também num espaço monumental de horrores: redes de tráfico humano, campos de detenção ilegais, exploração sexual e trabalho forçado.
Apesar de existirem diversos relatórios internacionais a denunciarem que os migrantes em trânsito pela Líbia são frequentemente vendidos como escravos modernos [mfn]Amnesty International, “Libya: New evidence shows refugees and migrants trapped in horrific cycle of abuses”, 24 Setembro 2020. [/mfn] [mfn]Human Rights Watch, “US: Don’t Forcibly Transfer Migrants to Libya”, 9 Maio 2025. [/mfn], numa realidade que choca pela sua brutalidade, esta realidade permanece invisível para grande parte do mundo, em particular para os europeus [mfn]Human Rights Watch, “No Escape from Hell, EU Policies Contribute to Abuse of Migrants in Libya”, 21 Janeiro 2019. [/mfn] [mfn]Intergovernmental Panel on Climate Change, “Climate Change 2023: Impacts, Adaptation, and Vulnerability”, 2023.[/mfn].
Assim, mesmo que a Europa não seja o destino principal da migração africana, a percepção pública e o discurso político acabam por a colocar no centro da questão.
O impacto simbólico de milhares de pessoas a arriscar a vida para atravessar mares e fronteiras expõe não apenas as desigualdades mundiais, mas também a incapacidade das estruturas internacionais em oferecerem vias seguras e regulares de mobilidade aos povos migrantes.
Um Cemitério Chamado Mediterrâneo
Desde o naufrágio de Lampedusa, em 2013, onde morreram mais de 360 pessoas, o Mediterrâneo passou a simbolizar a crise migratória [mfn]B. News, “Lampedusa boat tragedy: Migrants ‘raped and tortured’“, BBC News, 8 Novembro 2013.[/mfn]. Em 2014, mais de 3.200 migrantes morreram ou desapareceram em travessias. Em 2016, o número atingiu o pico de 5.143 vidas perdidas num só ano [mfn]T. Barber, “Asylum ruling against Greece exposes Europe’s migrants dilemma”, Financial Times, 11 Janeiro 2025.[/mfn].
A UNICEF calcula que 3.500 crianças morreram ou desapareceram na última década só no Mediterrâneo central, quase uma por dia [mfn]Lusa, “Quase uma criança morre ou desaparece (todos os dias) no Mediterrâneo”, SIC Notícias, 15 Abril 2025.[/mfn]. Estas estatísticas traduzem-se num luto silencioso, onde cada corpo desaparecido representa uma história interrompida e um sonho que não chegou ao seu destino.
As operações de resgate têm sido alvo de polémica. A Operação Mare Nostrum, lançada pela Itália em 2013 para salvar vidas no mar, foi substituída pela Operação Tritão, coordenada pela Frontex. Contudo, os recursos são insuficientes e as acusações de negligência multiplicam-se.
Várias organizações humanitárias têm denunciado que, muitas vezes, embarcações em perigo são ignoradas, sob o argumento de que o resgate funcionaria como incentivo a novas partidas.
Este impasse — entre salvar vidas ou desencorajar fluxos migratórios — expõe uma das maiores contradições do debate europeu sobre as migrações: por um lado, existe a obrigação moral e legal de proteger seres humanos em risco; por outro, persiste a tentativa de reduzir as chegadas a qualquer custo. Mas, para compreender a dimensão deste drama, é necessário olhar para além do mar.
A verdade é que ninguém arrisca a vida numa embarcação precária sem uma razão poderosa. As travessias mortais do Mediterrâneo são apenas o capítulo final de histórias que começam muito antes, em aldeias, cidades e campos assolados pela instabilidade. As causas da migração são múltiplas e interligadas e ajudam a explicar porque, ano após ano, milhares de pessoas continuam a arriscar a vida:
- Factores sociopolíticos – guerras civis, perseguições religiosas, políticas ou étnicas. A Síria, a Líbia e o Sudão são exemplos de países onde milhões de pessoas se viram forçados a fugir.
- Factores económicos e demográficos – o desemprego crónico, os salários baixos e a falta de perspectivas de futuro empurram sobretudo os jovens para fora, enquanto a procura de mão-de-obra na Europa actua como força de atracção.
- Factores ambientais – as secas prolongadas, a desertificação, os ciclones e até pragas agrícolas, obrigam populações inteiras a abandonar as suas terras. Com a previsão do agravamento das alterações climáticas, estima-se que estes movimentos se intensifiquem nas próximas décadas.
Assim, o Mediterrâneo, com as suas tragédias diárias, não é a origem, mas sim o ponto mais visível de um problema muito mais profundo, cujas raízes se encontram no próprio coração de África e do Médio Oriente.
As Respostas Políticas
A crise de 2015 expôs as fragilidades do sistema europeu de asilo e dividiu os seus estados-membros. Só a Alemanha, recebeu cerca de 1,1 milhões de pedidos de asilo em 2015 [mfn]S. R. Department, “Number of immigrants in Germany 1991-2023”, 13 Janeiro 2025. [/mfn], com destaque para cidadãos provenientes da Síria, do Afeganistão e do Iraque, enquanto outros fecharam as fronteiras e ergueram muros. A Hungria, por exemplo, construiu barreiras na fronteira com a Sérvia e a Croácia.
Nos últimos anos, a tendência europeia tem sido reforçar a externalização de fronteiras: acordos com países do Norte de África e do Sahel para travar as partidas ainda antes de chegarem ao Mediterrâneo [mfn]T. Barber, “Asylum ruling against Greece exposes Europe’s migrants dilemma”, Financial Times, 11 Janeiro 2025.[/mfn]. Contudo, as organizações de direitos humanos denunciam que esta políticas legitimam abusos, prisões arbitrárias e violência contra os migrantes em países como a Líbia e a Tunísia.
Ao mesmo tempo, há esforços para promover a migração regular. A Europa precisa de trabalhadores jovens e a África tem uma juventude em crescimento exponencial. Investir em oportunidades de emprego no continente africano é visto como parte da solução.
Os números impressionam, mas não revelam tudo. Em 2025, a imigração ilegal caiu 30% no primeiro trimestre, sobretudo pela redução das travessias nos Balcãs. Ainda assim, a diminuição não significa menos sofrimento [mfn]A. Kassam e J. Rankin, “Irregular migrant crossings into Europe fall 30% in first quarter of 2025”, The Gardian, 16 Abril 2025.[/mfn] [mfn]International Organization for Migration, “World Migration Report 2024”, 2024.[/mfn].
“Há pessoas a morrer afogadas, espancadas em fronteiras ou presas em florestas e desertos” – Judith Sunderland, Human Right Watch.
É aqui que o debate político se encontra com a dimensão humana. As estatísticas alimentam relatórios, mas cada número representa alguém com nome, rosto e família. E, para cada chegada a solo europeu, há várias tentativas falhadas.
A União Europeia não actua sozinha. As Nações Unidas, através da Organização Internacional das Migrações (OIM) e do Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR), desempenham papéis fundamentais no registo, acolhimento e protecção dos migrantes.
Além disso, os Processos de Rabat, Valeta e Cartum procuram articular políticas entre a União Europeia, a União Africana e os países de origem e trânsito e, Observatórios de migração, como o de Marrocos, ajudam a compreender tendências e a orientar as respostas.
Conclusão: Entre o Medo e a Esperança
A migração africana para a Europa não é apenas uma questão de fronteiras, mas de dignidade humana. É um fenómeno que espelha desigualdades entre continentes: de um lado, a Europa envelhecida, a precisar de mão-de-obra; do outro, a África jovem, com milhões de pessoas sem perspectivas de emprego.
As soluções passam por regularizar fluxos, combater redes de tráfico, investir em África e, sobretudo, respeitar a vida humana. Enquanto continuarem a morrer crianças diariamente no Mediterrâneo, qualquer estatística de descida de fluxos será apenas um número frio diante de uma tragédia viva.
A história da migração africana rumo à Europa não é de hoje e não terminará amanhã. Mas a forma como é gerida definirá não apenas o futuro dos migrantes, mas também a imagem de uma Europa que se quer solidária, humanitária e consciente do seu papel no mundo.
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Referências
[1] H. d. Haas, S. Castles e M. J. Miller, The Age of Migration, International Population Movements in the Modern World, Sexta ed., Bloomsbury, Ed., Guilford Press, 2020, p. 443. [Livro].
[2] [5] A. Gabbatt, “Uganda denies reports that it has struck deal with Trump to take in US deportees”, The Guardian, 20 Agosto 2025.
[3] [18] [21] T. Barber, “Asylum ruling against Greece exposes Europe’s migrants dilemma”, Financial Times, 11 Janeiro 2025.
[4] United Nations Department of Economic and Social Affairs, “World Population Prospects 2024”, 2024.
[6] G. d. Portugal, “Despacho n.º 11856-A/2024, de 7 de Outubro”, Portugal.
[7] U. Europeia, “Pacto em matéria de Migração e Asilo”.
[8] M. Barlai, B. Fähnrich, C. Griessler, M. Rhomberg e P. Filzmaier, The migrant crisis: European perspectives and national discourses, L. Verlag, Ed., Zurique, 2017, p. 386. [Livro].
[9] Frontex, “Irregular border crossings into EU drop sharply in 2024”, Frontex, 2025.
[10] Frontex, “EU external borders: irregular crossings down 18% in the first 7 months of 2025”, Frontex, 2025.
[11] L. Mourão, “Exclusivo: “80% dos fenómenos de migração que partem de África são fenómenos de migração interna“, Jornal das Comunidades lusófonas, 4 Agosto 2025.
[12] Press Release, “Nearly 2 million refugees at risk as Uganda emergency funds dwindle and services cut”, UNHCR, 4 Agosto 2025.
[13] Amnesty International, “Libya: New evidence shows refugees and migrants trapped in horrific cycle of abuses”, 24 Setembro 2020.
[14] Human Rights Watch, “US: Don’t Forcibly Transfer Migrants to Libya”, 9 Maio 2025.
[15] Human Rights Watch, “No Escape from Hell, EU Policies Contribute to Abuse of Migrants in Libya”, 21 Janeiro 2019.
[16] Intergovernmental Panel on Climate Change, “Climate Change 2023: Impacts, Adaptation, and Vulnerability”, 2023.
[17] B. News, “Lampedusa boat tragedy: Migrants ‘raped and tortured’“, BBC News, 8 Novembro 2013.
[19] Lusa, “Quase uma criança morre ou desaparece (todos os dias) no Mediterrâneo”, SIC Notícias, 15 Abril 2025.
[20] S. R. Department, “Number of immigrants in Germany 1991-2023”, 13 Janeiro 2025.
[22] A. Kassam e J. Rankin, “Irregular migrant crossings into Europe fall 30% in first quarter of 2025”, The Gardian, 16 Abril 2025.
[23] International Organization for Migration, “World Migration Report 2024”, 2024.
Imagem: © 2013 Wesley R. Dickey / National Museum of the U.S. Navy / Domínio Público
