CAN 2027: Entram 48 Selecções 12 Jogam Fora

A fase de grupos da qualificação para o Campeonato Africano das Nações começa na quinta-feira, 24 de Setembro, com oito jogos e um obstáculo para várias federações: doze selecções terão de receber adversários em território estrangeiro. A primeira ronda abre a corrida aos 24 lugares da fase final, organizada por três países da África Oriental.

CAN 2027: Entram 48 Selecções 12 Jogam Fora


O CAN 2027 inicia a fase de grupos da qualificação com 48 selecções distribuídas por doze séries de quatro. A jornada inaugural prolonga-se até sábado. Cada selecção disputará seis partidas oficiais, três na condição de anfitriã e outras três como visitante, antes de ficarem definidos os participantes na fase final.

A competição começa, porém, com um problema que afecta as condições de disputa. Doze países terão de realizar jogos atribuídos como caseiros em estádios estrangeiros. Em parte dos casos, os recintos nacionais não obtiveram aprovação; noutros, como o Sudão e o Senegal, a guerra e a indisponibilidade dos estádios obrigam a procurar alternativas.

Estas deslocações podem aumentar as despesas das federações e afastar as selecções dos seus adeptos. O percurso terminará em Março de 2027 e conduzirá a uma edição organizada conjuntamente pelo Quénia, pela Tanzânia e pelo Uganda. Os três países têm a presença garantida, mas participam nas eliminatórias para manterem a preparação competitiva.

Entretanto, a ronda de abertura reúne encontros importantes para Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, além do confronto entre a Costa do Marfim e o Gana.


Formato Da Qualificação


As 48 selecções foram divididas em doze grupos, com quatro participantes em cada um. O calendário prevê jogos em casa e fora, o que dá a cada participante seis oportunidades para somar pontos. As duas primeiras jornadas decorrem entre 24 de Setembro e 6 de Outubro. A classificação final determinará as selecções que viajarão para a África Oriental. Estão em disputa 21 vagas além das três reservadas aos anfitriões.

Nos nove grupos que não incluem os países organizadores, os dois primeiros classificados garantem directamente o apuramento para o CAN 2027. A regra muda nos restantes três grupos porque o Quénia, a Tanzânia e o Uganda já têm a participação assegurada. Nestes casos, apenas a selecção mais bem classificada entre as outras três conquista o lugar disponível na respectiva série.

O Quénia está no Grupo D, ao lado da África do Sul, da Guiné e da Eritreia. O Uganda integra o Grupo H, com a Tunísia, a Líbia e o Botswana. A Tanzânia encontra-se no Grupo L, onde defrontará a Nigéria, Madagáscar e a Guiné-Bissau. O apuramento automático dos anfitriões torna estes três grupos particularmente exigentes.

A Guiné-Bissau terá, por isso, de terminar à frente da Nigéria e de Madagáscar para garantir a qualificação através da sua série. A África do Sul, a Guiné e a Eritreia enfrentam o mesmo problema no grupo do Quénia. Os resultados dos encontros com os anfitriões também contam para a classificação e podem decidir quem alcança a vaga.

Depois das duas rondas iniciais, a competição prossegue durante a janela internacional de 9 a 17 de Novembro. As últimas duas jornadas realizam-se entre 22 e 30 de Março de 2027. O calendário obriga as federações a preparar várias deslocações em poucos meses e deixa aos seleccionadores pouco tempo de trabalho conjunto entre as partidas oficiais.


Primeiros Encontros


A Namíbia e o Congo disputam o primeiro encontro da fase de grupos na quinta-feira, às 13 horas GMT, correspondentes às 14 horas em Angola. A partida está prevista para Francistown, no Botswana. Três horas depois, a República Democrática do Congo recebe a Guiné Equatorial, a Mauritânia defronta a República Centro-Africana e a Líbia mede forças com o Botswana. A Namíbia conserva a condição de anfitriã apesar da deslocação.

Às 19 horas GMT, ou 20 horas em Angola, jogam-se os outros quatro encontros de quinta-feira. A Costa do Marfim recebe o Gana, em Bouaké, num confronto entre duas selecções que já conquistaram o CAN. Os Camarões defrontam as Comores, a Serra Leoa encontra o Zimbabwe e a Tunísia recebe o Uganda, um dos três países organizadores da fase final.

Na sexta-feira, Angola visita o Egipto, no Cairo, às 19 horas GMT, ou 20 horas em Angola. Moçambique defronta o Senegal às 13 horas GMT, correspondentes às 15 horas em Maputo, no Estádio Nacional do Zimpeto. O encontro mantém o Senegal como anfitrião oficial, embora se realize em território moçambicano por indisponibilidade dos estádios senegaleses.

A Guiné-Bissau estreia-se diante da Tanzânia, às 13 horas GMT, enquanto Cabo Verde visita o Mali às 19 horas. Também na sexta-feira, Marrocos recebe o Gabão em Rabat e a Argélia defronta a Zâmbia em Tizi-Ouzou. A Nigéria começa a sua campanha diante de Madagáscar e o Níger recebe o Lesotho, igualmente na primeira jornada.

No sábado, o Quénia entra em campo frente à Eritreia, às 13 horas GMT. A África do Sul recebe a Guiné três horas mais tarde, num encontro com interesse directo para as contas do Grupo D. Estas duas partidas encerram a primeira jornada, composta por 24 jogos distribuídos pelos doze grupos da qualificação para o CAN 2027.


Estádios em Falta


Doze países terão de transferir pelo menos um dos seus jogos caseiros para recintos situados no estrangeiro. Embora a maioria dos casos esteja ligada à homologação dos estádios, existem outras circunstâncias. A guerra no Sudão e a indisponibilidade dos principais recintos do Senegal também provocam deslocações. A condição de anfitrião mantém-se no calendário da qualificação para o CAN 2027.

A Mauritânia oferece um exemplo das dificuldades enfrentadas pelas federações. A sua selecção receberá a República Centro-Africana no Estádio Larbi Zaouli, em Casablanca, na quinta-feira. O Estádio Olímpico de Nouakchott atravessa obras que incluem a instalação de um relvado natural e de cadeiras. O prazo disponível não permite concluir os trabalhos e obter a homologação necessária.

A Namíbia começa a campanha longe das suas bancadas, com o encontro diante do Congo marcado para Francistown, no Botswana. A Serra Leoa recebe o Zimbabwe em El Jadida, no Marrocos. Na segunda jornada, o Lesotho terá de defrontar Marrocos em Bloemfontein, na África do Sul, apesar de figurar como anfitrião do encontro. Estas mudanças obrigam as federações a reorganizar os estágios e os itinerários dos jogadores.

A República Centro-Africana recebe o Burkina Fasso em Casablanca, enquanto o Benim defronta a Mauritânia no Estádio Alassane-Ouattara, em Abidjan, a 29 de Setembro. A Eritreia também recebe a África do Sul no Cairo. São viagens diferentes, com a mesma consequência competitiva: os jogadores perdem o contacto directo com as suas bancadas quando lhes cabia actuar em casa.

A deslocação do Senegal para Maputo tem outra explicação. Os senegaleses recebem Moçambique no Estádio Nacional do Zimpeto devido à indisponibilidade de instalações durante a preparação dos Jogos Olímpicos da Juventude em Dakar. A mudança também retira à selecção o ambiente habitual de casa, mas não deve ser confundida com os casos de estádios sem aprovação.


Custos e Consequências


Disputar uma partida caseira noutro país durante a qualificação para o CAN 2027 altera a preparação antes de a bola começar a circular. A federação tem de negociar a utilização do estádio, organizar as deslocações da selecção e assegurar o alojamento dos jogadores e da equipe técnica. Há ainda despesas com o transporte de equipamentos, a segurança e os serviços necessários à realização do encontro.

A mudança também pode reduzir a receita que seria obtida com a venda de bilhetes no país de origem. Uma selecção que actua perante os seus adeptos consegue reunir o seu público e aproveitar as estruturas habituais de organização. Num estádio estrangeiro, terá de encontrar outras soluções para promover o encontro e suportar a operação necessária.

No plano desportivo, a ausência do público pesa de maneira diferente sobre cada selecção. A vantagem de jogar em casa inclui o conhecimento do relvado, a proximidade dos adeptos e a possibilidade de manter rotinas de estágio. Quando a partida é transferida, os jogadores enfrentam uma viagem adicional e podem sentir menor apoio nas fases mais difíceis.

Também os adversários terão de adaptar os seus planos, porque um jogo considerado fora de casa poderá realizar-se num local que conhecem melhor do que os anfitriões. Esta circunstância não determina antecipadamente o resultado, mas altera as condições previstas no sorteio. A preparação física, os horários dos voos e o tempo de recuperação tornam-se ainda mais importantes.

As federações com problemas de homologação enfrentam uma escolha exigente: investir nos recintos nacionais ou continuar a suportar as despesas dos encontros deslocados. A primeira solução depende de obras, inspecções e prazos que não ficam resolvidos com uma convocatória. A segunda prolonga os custos e mantém o futebol das selecções afastado dos seus adeptos.


Três Países Anfitriões


O Quénia, a Tanzânia e o Uganda organizarão a fase final entre 19 de Junho e 17 de Julho de 2027. Será a primeira edição do CAN recebida conjuntamente por três países. A competição regressará à África Oriental, região que não acolhe a prova desde 1976, quando a Etiópia organizou o torneio. O projecto recebeu a designação Pamoja.

A organização conjunta do CAN 2027 exige uma preparação coordenada dos estádios, das instalações de treino e das ligações entre as cidades anfitriãs. As três federações terão igualmente de articular as deslocações das selecções e as condições de acolhimento dos adeptos. O trabalho ultrapassa as obras nos recintos desportivos e envolve serviços de transporte, alojamento e segurança.

Essa coordenação exige decisões tomadas com suficiente antecedência. Apesar de terem o apuramento garantido, os anfitriões participam nas eliminatórias. O Uganda estreia-se na quinta-feira diante da Tunísia, fora de casa. A Tanzânia recebe a Guiné-Bissau na sexta-feira e o Quénia defronta a Eritreia no sábado. Os três seleccionadores terão partidas oficiais para experimentar soluções e observar os jogadores antes da fase final.

Os resultados continuarão a contar para o apuramento dos adversários. A preparação dos países organizadores continua sob pressão. Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de Futebol, reconheceu em Setembro a existência de dificuldades e insistiu no cumprimento dos prazos. Há instalações ainda por concluir e decisões logísticas que terão de ser tomadas antes de as selecções começarem a chegar à região para o torneio.

O arranque da qualificação evidencia duas exigências do futebol africano. Por um lado, as selecções disputam lugares numa fase final de 24 participantes. Por outro, as federações e os organizadores precisam de garantir estádios adequados para receber os jogos. A qualidade da competição dependerá também das condições oferecidas antes de as selecções entrarem em campo.


Conclusão


A qualificação para o CAN 2027 arranca com uma dificuldade que acompanhará várias selecções durante as primeiras jornadas. A transferência de partidas caseiras para outros países obriga as federações a reorganizar as viagens e coloca a falta de estádios aprovados entre os problemas mais visíveis do futebol continental.

Nos relvados, a corrida será especialmente apertada nos grupos do Quénia, da Tanzânia e do Uganda, porque apenas outra selecção de cada série poderá acompanhar os anfitriões à fase final. Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau também iniciam campanhas em que os primeiros resultados poderão ter consequências decisivas.

A competição chegará à África Oriental em Junho do próximo ano. Até lá, as selecções terão de assegurar o apuramento e as federações precisarão de oferecer condições de jogo compatíveis com uma prova que reúne países de todo o continente.

 


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Imagem: © 2026 CAF
Hélder Mavie
Hélder Mavie
Formado em Jornalismo Desportivo e História do Desporto Africano, iniciou o seu percurso na cobertura de futebol, atletismo e basquetebol em redações lusófonas. Com experiência no acompanhamento de competições continentais, federações e trajetórias de atletas da diáspora, aborda o desporto como um fenómeno social e de identidade, combinando rigor técnico e contexto tático com uma forte energia narrativa.
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