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ToggleAgualusa E Pereira Lopes No Prémio Oceanos
O Prémio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa confirmou a presença de Angola e Moçambique entre os países representados na final de 2026. As obras de José Eduardo Agualusa e Pedro Pereira Lopes disputam categorias diferentes e chegam à etapa decisiva. O concurso recebeu 3.086 livros de escritores de 13 nacionalidades, apresentados por 491 editoras de nove países.
Das inscrições, 1.808 pertenciam à prosa e 1.278 à poesia. O percurso até à final incluiu uma selecção de 54 semifinalistas, repartidos entre 26 obras de prosa e 28 de poesia, antes da escolha dos 12 títulos que continuam na disputa deste ano. A lista definitiva reúne seis livros brasileiros, quatro portugueses, um angolano e um moçambicano.
Criado no Brasil em 2007, o Oceanos distingue obras escritas originalmente em português, sem limitar a participação ao país de publicação. A decisão caberá a novos júris internacionais, com anúncio dos dois vencedores marcado para Dezembro. Cada categoria terá um vencedor, escolhido a partir das seis obras finalistas.
Romance No Namibe
Em «Tudo sobre Deus», José Eduardo Agualusa apresenta Leopoldo G. Borges, um geólogo e poeta confrontado com a proximidade da morte. A personagem compra uma igreja abandonada no deserto do Namibe, perto de uma escarpa voltada para o Atlântico. Nesse lugar isolado, procura organizar os meses que lhe restam e revisitar o seu passado, entre as lembranças que ainda o inquietam.
O diário escrito pelo protagonista acompanha o período de retiro e inclui poemas, recordações e acontecimentos difíceis de explicar. Entre visões e presságios, Leopoldo descobre uma réplica da capela no subsolo. A narrativa aproxima a experiência concreta do mistério, enquanto a personagem tenta compreender as mudanças à sua volta e aquilo que permanece por resolver na sua vida.
A ausência de Gaia, filha de Leopoldo, atravessa o percurso do pai e dá ao romance um conflito familiar. A procura da jovem convive com perguntas sobre a perda, a culpa e a possibilidade de reparação. A proximidade da morte não afasta essas questões pessoais que acompanham o protagonista no deserto e se prolongam nas suas memórias.
O romance foi publicado em Portugal pela Quetzal em 2025 e também chegou ao mercado brasileiro através da Tusquets. Esta circulação entre editoras coloca a obra perante leitores de diferentes países de língua portuguesa. O cenário angolano mantém-se no centro da narrativa, apesar de a candidatura ao Prémio Oceanos lhe dar visibilidade para além do espaço onde a história decorre.
Na final da prosa, Agualusa concorre com Ana Margarida de Carvalho, Rui Nunes e Judite Canha Fernandes, de Portugal, além das brasileiras Julia Codo e Micheliny Verunschk. O júri que escolheu os finalistas contou com representantes de Angola, Moçambique, Brasil e Portugal. Outro grupo de avaliadores decidirá qual dos seis livros receberá o prémio na cerimónia de Dezembro.
Poesia Moçambicana
«Tratado das Coisas Sensíveis», de Pedro Pereira Lopes, foi publicado pela Imprensa Nacional em 2025, na colecção Plural, dedicada à poesia. O volume, com 88 páginas, já tinha recebido o Prémio Imprensa Nacional/Vasco Graça Moura de 2024. A presença na final do Prémio Oceanos acrescenta uma nova etapa ao percurso editorial deste livro de um escritor moçambicano.
Na avaliação que distinguiu a obra em 2024, o júri destacou o tom autobiográfico e a auto-ironia presentes na escrita. Também identificou ecos de Eduardo White e Luís Carlos Patraquim, dois autores associados à poesia moçambicana. Essas referências ajudam a situar o livro numa conversa literária mais ampla, sem substituir a leitura da linguagem escolhida por Pedro Pereira Lopes.
O próprio autor apresentou o volume como uma escrita íntima sobre a vida e sobre o trabalho de cultivar a palavra. Esta dimensão pessoal convive com uma atenção ao meio literário, assinalada na apreciação do prémio anterior. A obra chega à disputa do Oceanos com uma proposta distinta da de Agualusa no género e na forma de abordar a experiência.
Pedro Pereira Lopes já tinha alcançado uma final do Oceanos em 2022, com «O Livro do Homem Líquido», uma obra de microcontos. O escritor recebeu também o Prémio Eugénio Lisboa/Imprensa Nacional de 2017 e o Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil de Moçambique de 2024. A candidatura deste ano destaca outra vertente do seu trabalho, desta vez no campo da poesia.
Os restantes finalistas de poesia são Adriana Lisboa, Nina Rizzi, Adélia Prado e Edimilson de Almeida Pereira, do Brasil e Helder Macedo, de Portugal. O júri da decisão reúne Ondjaki, Ana Maria Vasconcelos, Juliana Krapp, Maria Esther Maciel e Rita Taborda Duarte. A escolha será feita separadamente da prosa, por um grupo formado para avaliar as seis obras poéticas.
Conclusão
Os vencedores do Prémio Oceanos 2026 serão anunciados a 11 de Dezembro, no teatro do Itaú Cultural, em São Paulo. Estão previstos 150 mil reais para o livro distinguido em cada categoria, num total de 300 mil reais. Até essa data, «Tudo sobre Deus» e «Tratado das Coisas Sensíveis» permanecem entre as obras em avaliação.
O romance de Agualusa leva à final uma história situada no Namibe, atravessada pela memória familiar e pela consciência da morte. Pedro Pereira Lopes apresenta um livro de poemas que trabalha a experiência pessoal e a relação com a própria escrita. São propostas literárias distintas que circulam no mesmo espaço linguístico e concorrem a uma distinção internacional.
Qual das duas obras gostarias de ver ganhar o Prémio Oceanos? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.
Imagem: © 2024 Agência Ophélia