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ToggleCosta Do Marfim Quer Reter A Riqueza Do Ouro
A Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, quer transformar o crescimento da produção de ouro numa segunda base de criação de riqueza. A 16 de Setembro de 2026 o Governo anunciou que a SIMEP prepara em Abidjan uma unidade de refinação com capacidade para tratar cerca de 100 toneladas de ouro em pleno funcionamento.
A entrada em serviço está prevista para o fim do primeiro semestre de 2027. A produção nacional alcançou 59,33 toneladas em 2025. A Direcção-Geral das Minas prevê 62 toneladas em 2026, 63 em 2027 e cerca de 69 em 2028. Esses números mostram uma expansão rápida. Uma refinaria pode tratar metal produzido no país ou comprado noutros mercados sem aumentar, por si só, a produção das minas.
O Governo pretende que a Costa do Marfim chegue ao primeiro lugar entre os produtores africanos de ouro até 2035. Essa meta depende da abertura de novas minas, do aumento da produção e da integração da exploração artesanal nos canais legais. A questão económica mais imediata é saber quanto valor poderá permanecer no país antes de o ouro chegar aos mercados internacionais.
Valor Interno
A nova unidade será uma das peças centrais da SIMEP, empresa criada para transformar e comercializar metais preciosos. O plano inclui um balcão nacional de compra de ouro e uma unidade de joalharia. Em Dezembro de 2025, o Conselho de Ministros fixou o capital da empresa em cinco mil milhões de francos CFA e estimou em igual montante o custo da refinaria.
O Estado detém 10% do capital da SIMEP e a SODEMI, empresa pública do sector mineiro, detém 39%. Somadas, as duas participações públicas representam 49% do capital. Segundo o Governo, a participação de capitais nacionais atinge 70%, sinal de que a estratégia procura aumentar a presença do país numa actividade que vai além da simples extracção do metal.
O balcão nacional deverá comprar ouro proveniente da exploração artesanal e de pequena escala quando a produção seguir processos autorizados. O objectivo anunciado é organizar a recolha, reforçar a rastreabilidade e reduzir a circulação do metal fora dos canais oficiais. Para os pequenos produtores, isso poderá criar uma via de venda mais próxima do sistema formal e sujeita a regras comuns.
A comercialização internacional do ouro refinado deverá contar com o apoio da StoneX. O Governo pretende usar essa ligação para chegar aos compradores externos e melhorar as condições de venda. Isso permitiria conservar no país uma parcela maior do valor criado pela refinação, pela certificação, pela negociação e pela comercialização.
A refinaria só produzirá esse efeito se tiver ouro suficiente para tratar e se o sistema de compra funcionar de forma regular e transparente. A capacidade anunciada de cerca de 100 toneladas representa o volume que a unidade poderá tratar em pleno funcionamento. Não significa que as minas da Costa do Marfim passem a produzir 100 toneladas por ano.
Expansão Mineira
A aposta na refinação surge ao mesmo tempo que a extracção de ouro cresce. A Costa do Marfim tinha 14 minas em funcionamento em Junho de 2026. A Direcção-Geral das Minas prevê que novas operações aumentem esse número nos próximos anos, com projectos como Koné, Doropo e Tanda a reforçarem uma fileira que ganhou peso na economia do país.
Dois projectos autorizados em Fevereiro mostram a dimensão do investimento. Assafo-Didibango prevê 451,31 mil milhões de francos CFA, uma produção média anual de 7,99 toneladas e 330 empregos directos durante a exploração. Doropo prevê 281,4 mil milhões de francos CFA, uma média anual de 6,43 toneladas e 800 empregos directos quando a mina estiver em funcionamento.
A ambição de chegar à liderança africana continua, porém, distante dos números presentes. O Gana produziu seis milhões de onças de ouro em 2025, segundo dados provisórios divulgados pela Câmara das Minas do Gana. Esse volume corresponde a cerca de 186,6 toneladas, mais de três vezes a produção registada pela Costa do Marfim no mesmo ano.
É por isso que a refinaria tem um significado económico próprio. A Costa do Marfim não precisa de esperar por uma eventual liderança na extracção para aumentar a parcela de riqueza que conserva. Refinar, certificar e vender parte do ouro a partir do próprio país pode criar trabalho especializado, actividade para fornecedores e novas receitas públicas ligadas à transformação.
Esse avanço também aumenta as responsabilidades do Estado. Mais minas podem elevar a pressão sobre a terra, a água e as comunidades próximas das zonas de exploração. A expansão da refinação exige ainda controle sobre a origem do ouro, fiscalização das receitas e regras ambientais eficazes.
Sem esses mecanismos, uma parte do valor económico poderá crescer sem que os benefícios acompanhem as zonas produtoras.
Conclusão
Se cumprir o calendário, a Costa do Marfim terá em 2027 uma unidade capaz de acrescentar dentro do país uma etapa que hoje permanece limitada: a refinação do ouro. O ganho não dependerá apenas das toneladas tratadas, mas também da capacidade de ligar a produção, a compra, a certificação e a venda internacional sob regras que deixem mais receitas e actividade económica no país.
A meta de chegar ao primeiro lugar africano até 2035 deve ser lida separadamente. A produção das minas ainda está muito abaixo da registada no Gana e a refinaria não elimina essa diferença.
O teste será medir quanto ouro passará pelo novo sistema, quanto valor ficará na Costa do Marfim e como essa expansão se traduzirá em receitas públicas, empregos, fornecedores locais e melhores condições nas comunidades das zonas mineiras.
A Costa do Marfim conseguirá conservar no país uma parcela maior da riqueza do ouro retirado das suas minas? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.
Imagem: © 2021 OsakaWayne Studios via Getty Images