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ToggleEtiópia: Yomif Kejelcha Bate O Recorde Mundial
Yomif Kejelcha voltou a mexer no Recorde Mundial da meia-maratona ao vencer neste domingo a prova de Buenos Aires em 56:51, numa corrida inscrita no calendário de provas de estrada com selo da World Athletics. O etíope de 29 anos ficou 29 segundos abaixo dos 57:20 obtidos pelo ugandês Jacob Kiplimo em Lisboa a 8 de Março, marca que continua pendente do procedimento formal de ratificação.
A precisão é importante porque o recorde ratificado antes de Lisboa ainda era o 57:30 que Kejelcha estabeleceu em Valência a 27 de Outubro de 2024 e que o organismo internacional homologou em Outubro de 2025.
Assim, os 56:51 de Buenos Aires melhora em 39 segundos a sua marca oficialmente ratificada e supera em 29 segundos o registo de Kiplimo apresentado como novo recorde, mas ainda sem homologação final.
O resultado repõe a rivalidade entre a Etiópia e o Uganda numa distância dominada por fundistas africanos e confirma a rapidez com que os limites do cronómetro estão a mudar. Kejelcha recupera a posição de referência depois de Kiplimo ter corrido 56:42 em Barcelona em 2025, desempenho que não foi homologado por incumprimento das condições regulamentares da prova.
Aceleração Decisiva
A corrida começou com seis graus e uma brisa ligeira, condições favoráveis para um esforço prolongado. Kejelcha passou os primeiros cinco quilómetros perto das lebres, com o ritmo inicial orientado para 2:45 por quilómetro. O primeiro ponto de controle surgiu em 13:45. A partir daí, o etíope deixou de apenas acompanhar o plano e apertou progressivamente o andamento.
Aos 10 quilómetros, Kejelcha passou em 27:19 depois de cobrir o segundo bloco de cinco quilómetros em 13:34. Ainda estava atrás do ritmo que Kiplimo levara em Lisboa, mas a corrida mudou entre os 10 e os 15 quilómetros. O etíope completou esse segmento em 13:22 e chegou aos 15 quilómetros em 40:41, já à frente da projecção do ugandês.
Entre os 10 e os 20 quilómetros, Kejelcha correu em 26:45 e alcançou o último grande ponto de controle em 54:04. A diferença nasceu menos de uma partida suicida do que da capacidade de acelerar depois da primeira metade. O corpo respondeu quando o ritmo já exigia manter cada quilómetro perto de 2:40, zona em que uma quebra pequena destruiria a tentativa.
No quilómetro final, a referência deixou de ser apenas Kiplimo e passou a ser a barreira dos 57 minutos. Kejelcha ainda conseguiu aumentar a velocidade e fechou a prova em 56:51. A vantagem construída desde os 10 quilómetros resistiu até à meta, confirmando que a tentativa tinha sido decidida pela aceleração progressiva e não por um arranque acima do ritmo sustentável.
A margem sobre os perseguidores mostrou quanto a tentativa se transformou numa corrida contra o cronómetro. Tadese Worku terminou em 59:20 e Bereket Nega foi terceiro em 1:00:20, completando um pódio etíope. Na prova feminina, Fotyen Tesfay venceu em 1:03:57. Buenos Aires terminou com vitórias da Etiópia nas duas corridas e com o destaque concentrado no Recorde Mundial masculino.
Duelo Africano
O recorde também prolonga uma disputa que desde 2021 tem alternado entre Kejelcha e Kiplimo. O ugandês correu 57:31 em Lisboa naquele ano. Kejelcha respondeu com 57:30 em Valência em Outubro de 2024, marca homologada mais tarde. Em Março deste ano, Kiplimo regressou a Lisboa e marcou 57:20, dez segundos mais rápido, colocando novamente o Uganda na frente da distância.
Há uma diferença regulamentar que impede simplificar essa sequência. Os 57:20 de Kiplimo continuam sujeitos à ratificação habitual enquanto o 57:30 de Kejelcha já tinha sido formalmente reconhecido. O novo 56:51 entra agora no mesmo processo de verificação. Buenos Aires produz uma marca apresentada como Recorde Mundial, mas o estatuto definitivo depende da homologação das condições e das verificações exigidas.
O precedente de Barcelona explica essa prudência. Em Fevereiro de 2025, Kiplimo correu 56:42, o primeiro registo abaixo de 57 minutos na distância, mas a marca não foi homologada porque as condições da corrida não cumpriram as regras internacionais. O episódio mostrou que o cronómetro não basta para transformar um desempenho excepcional num recorde válido para a tabela oficial.
Com Kejelcha e Kiplimo, a corrida de fundo africana mantém duas referências capazes de deslocar os limites tanto na meia-maratona como na maratona. Kejelcha chega a Buenos Aires depois de ter corrido 1:59:41 em Londres em Abril, na estreia sobre 42,195 quilómetros. Kiplimo terminou essa mesma maratona em 2:00:28, ficando ambos abaixo de duas horas e um minuto.
Os números de Londres dão outra medida ao duelo. Kejelcha terminou 47 segundos à frente de Kiplimo naquela maratona, diferença obtida na estreia do etíope sobre 42,195 quilómetros. Buenos Aires prolonga agora a comparação no percurso mais curto, onde ambos já deslocaram repetidamente os limites. A rivalidade recente deixa de estar confinada à meia-maratona e passa também pela distância clássica.
Conclusão
Yomif Kejelcha sai de Buenos Aires com uma marca que desloca novamente a fronteira da meia-maratona e devolve à Etiópia a iniciativa no duelo recente com o Uganda. A diferença decisiva não veio de uma partida demasiado rápida, mas da aceleração sustentada depois dos 10 quilómetros quando o etíope passou a ganhar terreno sobre a projecção de Lisboa.
Os 56:51 deixa agora o Recorde Mundial sujeito ao procedimento formal da World Athletics. Se a marca for ratificada, Kejelcha tornar-se-á o primeiro homem com um recorde mundial oficialmente reconhecido abaixo de 57 minutos na distância.
O precedente de Barcelona mantém essa cautela: os 56:42 de Kiplimo não foram aceites como recorde por incumprimento das condições regulamentares. O cronómetro já mudou a hierarquia desportiva, mas a homologação ainda terá de confirmar o estatuto definitivo antes da entrada na tabela oficial.
O Recorde Mundial de 56:51 de Yomif Kejelcha pode redefinir a rivalidade africana na meia-maratona? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.
Imagem: © 2026 World Athletics