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ToggleCAF Recua E Mantém O CAN A Cada Dois Anos
O Campeonato Africano das Nações (CAN) continuará a ser disputado de dois em dois anos. A Confederação Africana de Futebol (CAF) revogou a mudança anunciada em Dezembro de 2025, quando propôs reduzir a frequência da sua principal prova de selecções para uma edição a cada quatro anos no calendário africano.
O Comité Executivo tomou a nova decisão por unanimidade na quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, mantendo o modelo bienal do CAN. A deliberação foi comunicada nesse mesmo dia, mas só ganhou divulgação mais ampla na sexta-feira, dia 30, quando a notícia passou a circular com maior destaque.
A revisão surge após a contestação ao novo ciclo e perante dúvidas sobre a viabilidade da Liga das Nações Africanas. Essa competição estava prevista para preencher o espaço deixado pelo CAN, mas a CAF reconheceu que precisaria de vários anos para gerar receitas suficientes para financiar o projecto.
O presidente da CAF, Patrice Motsepe, tinha anunciado a reavaliação durante uma conferência estratégica realizada em Cabo Verde, de 7 a 9 de Outubro. A nova orientação afecta as federações, os seleccionadores, os clubes e os futebolistas, ao mesmo tempo que deixa questões sobre as datas das edições seguintes.
Decisão e Recuo
A votação de 29 de Outubro encerrou a tentativa de alterar o intervalo entre as edições do CAN. Todos os membros do Comité Executivo presentes apoiaram o regresso ao ciclo de dois anos. A decisão anula o rumo fixado em Dezembro de 2025 e conserva a frequência tradicional da prova.
A mudança anterior tinha causado resistência no futebol africano. A passagem para um ciclo de quatro anos reduziria as ocasiões de disputa do título continental. Também mudaria o ritmo da preparação das selecções nacionais e o espaço que cada geração de jogadores teria para participar na maior prova de África.
A CAF não apresentou o recuo como uma decisão tomada de surpresa. Patrice Motsepe anunciou, no início de Outubro, que o Comité Executivo voltaria a discutir o assunto. A posição surgiu numa conferência estratégica em Cabo Verde, realizada entre os dias 7 e 9 desse mês, antes da votação final.
A diferença entre o dia da decisão e o dia em que a notícia circulou mais amplamente merece atenção. O Comité Executivo decidiu na quinta-feira, 29 de Outubro. A confirmação ganhou destaque na sexta-feira, dia 30. O segundo dia assinala a repercussão pública, sem alterar a data da deliberação oficial.
O CAN tem um lugar central na vida das federações africanas. O torneio orienta os ciclos de preparação, o trabalho dos seleccionadores e os planos de muitas equipes. Uma redução da sua frequência exigiria novas escolhas desportivas e financeiras, numa altura em que o calendário internacional já tem fortes pressões.
Ao recuperar o modelo bienal, a CAF preserva uma referência conhecida das selecções. A decisão terá de ser seguida de regras claras, datas estáveis e uma relação mais bem definida com as outras provas que o organismo pretende desenvolver. Essa articulação será importante para as federações organizarem os seus calendários competitivos.
Projecto das Nações
No plano abandonado, a Liga das Nações Africanas era uma das peças centrais. A nova prova deveria ocupar o lugar de uma competição de selecções realizada de dois em dois anos. Com o CAN menos frequente, a CAF esperava criar uma fonte estável de receitas para sustentar o futebol continental.
A revisão expôs uma dificuldade que ultrapassa a escolha das datas. A CAF admitiu que a futura liga precisaria de vários anos para reunir os recursos esperados. Sem essa base financeira, substituir parte da actividade regular do CAN colocaria dúvidas sobre a capacidade de apoiar as competições e as federações.
Patrice Motsepe associou a decisão aos interesses do futebol africano e das 54 federações filiadas na CAF. Incluiu os jogadores africanos que actuam em clubes fora do continente. O dirigente também apresentou a regularidade da prova como uma forma de defender esses interesses perante as mudanças constantes do calendário internacional.
A possibilidade de avançar com uma nova competição não ficou definitivamente afastada na comunicação sobre o recuo. A decisão afastou o plano de reduzir imediatamente a frequência do CAN. Qualquer proposta para concretizar a Liga das Nações Africanas continuará dependente de condições financeiras sustentáveis e da preservação do torneio continental.
O dinheiro pesa nesta discussão porque as federações precisam de receitas para financiar a preparação das equipes. Os custos das viagens, dos estágios e dos jogos de qualificação não desaparecem quando o calendário muda. Uma prova só poderá cumprir o papel anunciado se conseguir apoiar esse trabalho de forma duradoura.
Para a CAF, a questão passa agora pela forma de ligar os projectos futuros ao CAN. O organismo terá de evitar que uma nova competição sobrecarregue o calendário das selecções. Também precisará de apresentar condições financeiras credíveis antes de pedir às federações uma nova adaptação aos seus planos de trabalho.
Calendário e Consequências
Prevista para 2027, no Quénia, na Tanzânia e no Uganda, a próxima edição do CAN terá a fase final organizada pelos três países. Essa prova continua a ser o compromisso mais próximo das selecções e das federações, que precisam de preparar as equipes e os jogos de qualificação.
A CAF anunciou ainda edições em 2028, 2031 e 2033. A sequência cria um intervalo de apenas um ano depois de 2027, seguido de outro de três anos. Entre 2031 e 2033 regressam os dois anos. Por isso, os anos anunciados não seguem ainda uma cadência regular de dois anos.
A ausência de uma edição em 2030 foi relacionada com a realização do Campeonato do Mundo nesse ano. A CAF invocou a tradição de não organizar a fase final do CAN num ano de Mundial. Mesmo assim, os intervalos entre os torneios já anunciados exigem uma explicação para o planeamento.
Os seleccionadores terão de adaptar a preparação aos anos definidos. Um torneio em 2028, logo após a edição de 2027, deixa menos tempo para rever os seus grupos e avaliar novos jogadores. Já o intervalo até 2031 será maior, o que pode alterar a continuidade das equipes e das gerações.
Os clubes também têm interesse nas datas da competição. Muitos jogadores africanos representam equipes fora do continente e precisam de conciliar as exigências dos seus empregadores com as convocatórias nacionais. O calendário das fases finais e dos jogos de qualificação condiciona também a gestão física e os períodos de ausência.
A decisão da CAF devolve ao CAN o princípio de uma prova frequente, mas deixa trabalho por fazer. As federações aguardam detalhes capazes de orientar os estágios e os compromissos oficiais. A estabilidade dependerá da capacidade de aplicar um programa claro e coerente.
Conclusão
A CAF afastou a mudança para um CAN de quatro em quatro anos e confirmou o regresso ao princípio bienal. A deliberação foi tomada a 29 de Outubro e ganhou divulgação alargada no dia 30, encerrando a tentativa de substituir a frequência tradicional da competição por um intervalo mais longo.
O recuo mostra que o financiamento da Liga das Nações Africanas ainda não oferece as garantias pretendidas. A organização preferiu manter a frequência de uma prova já estabelecida, preservando uma referência competitiva para as federações e para os jogadores que representam as suas selecções.
Ficam, porém, dúvidas práticas sobre os intervalos entre as edições de 2027, 2028, 2031 e 2033. As selecções precisam de conhecer as datas exactas e as regras de qualificação. O próximo passo será transformar o princípio aprovado num calendário que permita às equipes preparar o seu trabalho com segurança.
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Imagem: © 2026 Francisco Lopes-Santos