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Domingo, Abril 21, 2024

Sentir Prazer Ao Comer Chocolate Sem Remorsos

“Quando se sabe quem são os agricultores, é possível começar a trabalhar com as cooperativas e com as famílias para encontrar soluções” – Katie Sims

Sentir Prazer Ao Comer Chocolate Sem Remorsos


A Desflorestação na Indústria do Chocolate tem sido uma praga para o mercado. Para tentar resolver o problema, a União Europeia (UE) e a Costa do Marfim estão a juntar esforços para a combater. Um novo regulamento europeu, previsto para entrar em vigor já em 2025, proibirá a venda de produtos derivados da desflorestação.

Este Regulamento Europeu sobre produtos livres de desflorestação (EUDR) é uma resposta directa à perda alarmante de quase metade das florestas do planeta, impulsionada principalmente pelos padrões do consumo humano.

 

A Parceria Entre a UE e a Costa do Marfim


A Costa do Marfim, líder mundial na produção de cacau, desempenha um papel fundamental na parceria com a União Europeia para proteger o meio ambiente e promover o crescimento económico sustentável. Com o cacau contribuindo com mais de 10% do seu Produto Interno Bruto (PIB), o país reconhece a importância crucial de preservar as suas preciosas florestas.

Esta colaboração entre a UE e a Costa do Marfim não visa apenas proteger o ambiente, mas também procura criar oportunidades económicas sustentáveis para as comunidades locais.

Reconhecendo a importância do cacau para a economia nacional, ambos os parceiros estão a trabalhando em conjunto para implementar medidas que garantam a conservação das florestas sem comprometer o crescimento económico.

A recente designação da floresta de Mabi-Yaya como reserva natural é um marco significativo e demonstra claramente o compromisso nesse esforço conjunto, juntamente com a mobilização de paramilitares para garantir a proteção desse espaço vital.

Essa medida não apenas protege um importante ecossistema, mas também promove a biodiversidade e preserva os recursos naturais para as gerações futuras. Além disso, a mobilização de paramilitares para proteger a área demonstra um compromisso sério em fazer valer as políticas de conservação.

Essa parceria entre a UE e a Costa do Marfim destaca o potencial de colaboração internacional na procura de soluções ambientais e económicas sustentáveis. Ao unir forças, estes dois parceiros estão a estabelecer um exemplo inspirador em como a proteção ambiental e o desenvolvimento económico podem andar de mãos dadas.

Essa abordagem integrada não só beneficia o meio ambiente, mas também fortalece as comunidades locais e promove um futuro mais próspero e equitativo para todos.

 

Sustentabilidade


Na batalha contra a desflorestação, a capacidade de tracar o percurso do produto até à sua origem, emerge como um elemento crucial. A cooperativa Cayat, situada na Costa do Marfim, destaca-se como um exemplo pioneiro nessa área.

Ao investir na digitalização e no acompanhamento dos seus produtos, a Cayat assegura que o cacau comercializado seja livre de qualquer associação com a desflorestação. Esse compromisso não apenas preserva o meio ambiente, mas também abre portas para a conquista de novos mercados e clientes.

A implementação de sistemas de acompanhamento permite que consumidores e empresas identifiquem a origem e o trajecto dos produtos, garantindo que sejam produzidos de maneira ética e sustentável. Ao adoptar práticas transparentes e responsáveis, a cooperativa Cayat não só fortalece a sua reputação na procura pela sustentabilidade na indústria do cacau.

Ao adoptar padrões mais elevados de produção, as cooperativas como a Cayat podem alcançar mercados premium e obter preços mais altos pelos seus produtos. Isso não só aumenta os rendimentos dos produtores, mas também contribui para o desenvolvimento económico sustentável das regiões produtoras de cacau.

Ao fornecer informações detalhadas sobre a origem e as práticas de produção, as cooperativas como a Cayat estabelecem uma ligação direta entre o consumidor final e os agricultores locais. Isso não só fortalece os laços comunitários, mas também promove uma maior transparência e responsabilidade em toda a cadeia de abastecimento.

Ao adoptar práticas sustentáveis e transparentes, empresas como a Cayat mostram o caminho para um futuro onde a produção de cacau será socialmente responsável e ecologicamente viável. Essa abordagem protege o meio ambiente e garante um fornecimento seguro e ético de cacau para as gerações futuras, garantindo que se possa ter prazer ao comer chocolate, sem nos sentirmos culpados por isso.

 

Incentivos


Além de dar prioridade à origem na cadeia de suprimentos de cacau, a Costa do Marfim está a implementar incentivos para promover práticas agrícolas sustentáveis entre os seus produtores. Uma dessas estratégias envolve a substituição de plantas antigas por novas, com o objetivo de desencorajar a expansão agrícola em áreas florestais sensíveis.

Essa abordagem visa não apenas proteger o meio ambiente, mas também garantir a viabilidade económica a longo prazo da indústria do cacau. Produtores como Jéróme Assi Obo estão a vivenciar os benefícios dessas iniciativas sustentáveis.

Ao adoptar práticas agrícolas mais responsáveis e que respeitam o meio ambiente, eles conseguem aumentar a sua produção e obter melhores rendimentos. Esses resultados positivos incentivam outros produtores a seguir o exemplo, criando um ciclo virtuoso de sustentabilidade e prosperidade económica.

A promoção de práticas agrícolas sustentáveis não beneficia apenas os produtores individualmente, mas também contribui para o bem-estar das comunidades locais e para o equilíbrio ambiental. Ao preservar as florestas e adoptar técnicas agrícolas mais eficientes, a Costa do Marfim está protegendo os recursos naturais para as gerações futuras.

Esses incentivos para práticas sustentáveis representam um passo significativo na direcção de uma indústria do cacau mais responsável e ética. Ao integrar considerações ambientais e económicas nas suas políticas agrícolas, a Costa do Marfim demonstra o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a preservação dos recursos naturais.

 

Desafios e Oportunidades


À medida que se preparam para cumprir o novo regulamento europeu, as empresas na Europa enfrentam desafios significativos, mas também vislumbram oportunidades empolgantes. O rigor das multas impostas e a possibilidade de proibição de produtos no mercado comum, em caso de não se encontrarem em conformidade, representam desafios substanciais para as empresas do sector.

No entanto, essas exigências também abrem portas para a inovação e a diferenciação no mercado. Um exemplo notável é a Tony’s Chocolonely, uma marca holandesa que se destaca ao pagar 50% a mais pelo cacau, como parte da sua abordagem de práticas comerciais justas e sustentáveis.

“Quando se sabe quem são os agricultores e onde estão localizados, é possível começar a trabalhar com as cooperativas e as famílias de agricultores para encontrar soluções”.

“Este é um apelo a todas as empresas do sector para que paguem um preço mais elevado”.

“Isso irá desafiar as questões subjacentes à pobreza que levam à desflorestação e ao trabalho infantil, nas cadeias de abastecimento”.

Explicou Katie Sims, Gestora de Parcerias da Tony’s Chocolonely.

Ao adotar essa postura, a empresa não atende aos requisitos do novo regulamento e também se posiciona como líder em responsabilidade social corporativa. Esse compromisso não só agrega valor à marca, mas também atrai consumidores conscientes, dispostos a apoiar empresas que deem prioridade à ética e à sustentabilidade.

Para as empresas europeias, o cumprimento do novo regulamento não é apenas uma questão de conformidade legal, mas também uma oportunidade de diferenciação e crescimento sustentável.

Ao investirem em práticas comerciais éticas e responsáveis, as empresas podem não apenas evitar multas, mas também constroem relacionamentos mais sólidos com os consumidores e fortalecer a sua posição no mercado global.

Além disso, o foco crescente na sustentabilidade também pode estimular a inovação e a colaboração entre as empresas. Ao procurarem soluções criativas para reduzir o impacto ambiental das suas operações, as empresas europeias podem impulsionar a economia verde e contribuir para um futuro mais sustentável e próspero para todos.

 

Produtos Abrangidos Pelas Novas Regras da UE


As importações feitas pela UE são um dos principais fatcores de desflorestação no mundo. Para reduzir o seu impacto, a UE adoptou regras rigorosas contra a desflorestação para os seguintes produtos e os seus derivados:

  • Carne bovina – 41% da desflorestação global e 80% da desflorestação da Amazónia são inteiramente causados pela produção de carne de bovino.
  • Óleo de Palma – A cada hora que passa, cerca de 300 campos de futebol de floresta estão a ser destruídos para dar lugar à plantação de palmeiras. Cerca de 90% das palmeiras oleaginosas do mundo são cultivadas na Malásia e na Indonésia.
  • Soja – A nível mundial, a soja é responsável por cerca de 12% da desflorestação. Cerca de 81% da soja é cultivada para alimentar o gado, principalmente galinhas, porcos e vacas leiteiras.
  • Café – Cerca de 130.000 hectares de floresta foram perdidos anualmente nos últimos 20 anos devido à desflorestação de terras para o cultivo do café.
  • Cacau – A produção de cacau está associada a 37,4% da desflorestação na Costa do Marfim e a 13,5% no Gana desde 2000. Os dois países produzem quase dois terços da oferta mundial de cacau.
  • Madeira – Todos os anos, cerca de 2,5 milhões de hectares de terra são convertidos em plantações intensivas de árvores.

As empresas que comercializam estes produtos devem provar que os mesmos não provêm de terrenos desflorestados para a sua produção. As grandes empresas têm até Dezembro de 2024 para cumprir com esses requisitos, enquanto as PME têm até Junho de 2025. Depois disso, os produtos que não cumprirem as novas regras serão proibidos de entrar ou sair do mercado da UE.

 

Conclusão


A parceria entre a União Europeia e a Costa do Marfim representa um passo significativo na luta contra a desflorestação na indústria do chocolate.

Com grande foco em práticas agrícolas sustentáveis e na capacidade de seguir o produto desde a sua origem até ao consumidor final, os novos compromissos empresariais, estão a pavimentando o caminho para um futuro mais sustentável e consciente na produção de cacau.

 

O que achas de toda esta situação do chocolate? Sentes-te culpado ao dar uma dentada num bombom?  Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

Chocolate: Os Nexos Do Cultivo Ilegal de Cacau

Eny’s Treats a start-up Africana de snacks saudáveis

 


Imagem: © 2022 Sia Kambou
Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos

Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.

Francisco Lopes-Santoshttp://xesko.webs.com
Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.
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