12.5 C
Londres
Domingo, Maio 26, 2024

Guiné-Bissau: 50 Anos de Independência

“A libertação nacional é necessariamente um ato de cultura” – Amílcar Cabral.

Guiné-Bissau: 50 Anos de Independência.

Faz hoje meio século, que na Guiné-Bissau, o seu povo, sob a liderança determinada do PAIGC, protagonizou um feito heroico que marcou a história do continente africano.

No emblemático dia 24 de Setembro de 1973, em Madina do Boé – na região oriental do país – nasceu a República da Guiné-Bissau, proclamada de forma unilateral, ainda durante a luta armada de libertação contra o colonialismo português

A independência de um país, não pode ser encarada de animo leve. É um dos acontecimentos mais marcantes na história de uma nação e é um exemplo vivo de um processo histórico, carregado de significado político, cultural e social, representando o culminar de uma longa luta pela autodeterminação e soberania.

A partir do momento da sua proclamação, o povo guineense assumiu, com determinação inabalável, a responsabilidade pela sua liberdade e pelo direito de forjar o seu próprio destino, seja ele repleto de desafios, conquistas ou fracassos.

 

O Inicio da História

Imagem © DR (20230924) Guiné-Bissau 50 Anos de IndependênciaEsta caminhada, iniciou-se a 24 de Setembro de 1963, quando o povo guineense, mostrou a sua garra e, através de uma notável capacidade de organização, aprendizagem e, acima de tudo, uma coragem destemida, confrontou um exército colonial altamente equipado e bem treinado, assim como um regime colonial opressivo, dando inicio a uma guerra de libertação que duraria 10 anos.

É inegável que, ao longo destes 50 anos, a Guiné-Bissau, enfrentou adversidades significativas, com a fragilidade política e institucional frequentemente sombreando grande parte desse percurso.

A ausência de instituições sólidas que pudessem criar as bases para políticas económicas e sociais transformadoras, capazes de atender às aspirações da população, bem como a promoção de um ambiente favorável para investimentos tão necessários, permaneceram como desafios cruciais, ainda hoje.

No entanto, apesar das vicissitudes, a Guiné-Bissau continua a escrever a sua história com determinação e persistência, mantendo-se firme no seu compromisso com um futuro promissor.

A independência, conquistada há meio século, garantiu a autodeterminação do país e permanece como um símbolo de coragem e perseverança, um farol que ilumina o caminho, rumo a um destino mais próspero e estável, na procura da construção de um futuro mais justo para o povo guineense.

 

Contexto Colonial

Imagem © DR (20230924) Guiné-Bissau 50 Anos de IndependênciaA história da Guiné-Bissau está profundamente enraizada no sistema colonial que marcou grande parte de África durante os séculos XIX e XX. Durante mais de quatro séculos, o território que hoje é a Guiné-Bissau esteve sob o domínio colonial português. Esse período de colonialismo foi caracterizado por exploração económica, subjugação cultural e repressão política.

O movimento de luta pela independência da Guiné-Bissau foi liderado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), fundado em 1956, por figuras notáveis como Amílcar Cabral e Luís Cabral. O PAIGC organizou a população guineense, estabeleceu bases na região rural do país e tornou-se rapidamente um bastião da resistência contra o domínio colonial português.

A luta pela independência da Guiné-Bissau foi travada principalmente através de uma guerra de guerrilha contra as forças coloniais portuguesas. O PAIGC através das suas bases de apoio nas zonas rurais, ganhou o apoio da população local, um apoio crucial que forneceu alimentos, abrigo e combatentes.

A guerra de guerrilha foi uma estratégia eficaz que desgastou as forças coloniais portuguesas ao longo dos anos. Mas o PAIGC, não se ficou por aí, também lançou uma campanha internacional para sensibilizar o mundo, sobre a luta pela independência da Guiné-Bissau, ganhando o apoio de outros países africanos e movimentos de libertação em todo o mundo.

 

Proclamação da Independência da Guiné-Bissau

Imagem © DR (20230924) Guiné-Bissau 50 Anos de IndependênciaFoi no dia 24 de Setembro de 1973, na região libertada de Madina do Boé- na região oriental do país – que, a Assembleia Nacional Popular – o parlamento guineense, composta por deputados previamente eleitos – proclamou a independência do país e a formação do primeiro Estado.

A Assembleia Nacional Popular guineense aprovou a constituição do novo Estado e os seus órgãos de soberania e elegeu, Luís Cabral para presidente do Conselho de Estado e Francisco Mendes para liderar o Conselho dos Comissários de Estado (governo). Ambos, militantes destacados do PAIGC na frente de combate e na organização política e militar.

Amílcar Cabral, líder da luta independentista encabeçada pelo PAIGC, afirmou que a Guiné-Bissau:

“Da situação de colónia que dispõe de um movimento de libertação e, cujo povo, já libertou em 10 anos de luta armada, a maior parte do seu território nacional, passou à situação de um país que dispõe do seu Estado e que tem uma parte do seu território nacional ocupado por forças armadas estrangeiras”.

Este acto simbólico e corajoso marcou o início de uma nova era para a Guiné-Bissau, que assumiu a sua liberdade e o direito de determinar o seu próprio destino, mas também teve um impacto profundo em várias dimensões:

Política e Soberania: A Guiné-Bissau conquistou a sua soberania e a capacidade de tomar decisões políticas independentes, sem a interferência colonial.

Identidade Cultural: A promoção das línguas locais e do crioulo como veículos culturais unificadores ajudou a fortalecer a identidade guineense.

Inspiração para África: A luta bem-sucedida da Guiné-Bissau serviu de inspiração para outros movimentos de libertação em África, encorajando-os a perseguir a independência dos regimes coloniais.

Compromisso com a Justiça Social: A visão de Amílcar Cabral, de uma independência que incluísse justiça social e igualdade, continuou a influenciar as políticas do país.

 

Amílcar Cabral

Imagem © DR (20230924) Guiné-Bissau 50 Anos de IndependênciaAmílcar Cabral, foi uma figura carismática e intelectual proeminente que desempenhou um papel central na liderança do movimento de independência.

A sua visão não se limitava apenas à libertação política; ele entendia que a independência verdadeira incluía a justiça social, a igualdade e o desenvolvimento económico. Amílcar Cabral enfatizou a importância de unificar as diferentes etnias e grupos linguísticos da Guiné-Bissau sob uma identidade nacional comum.

“A libertação nacional é necessariamente um ato de cultura”, Amílcar Cabral.

Um dos legados mais duradouros de Amílcar Cabral, foi a sua promoção das línguas locais e do crioulo, como instrumentos de unificação cultural. Ele entendia que a preservação das tradições culturais era vital para a identidade guineense e para a construção de uma nação independente.

 

Desafios Pós-Independência da Guiné-Bissau

Apesar da celebração da independência, a Guiné-Bissau enfrentou uma série de desafios posteriores à independência. Instabilidade política, golpes militares e dificuldades económicas marcaram grande parte dos anos pós-independência.

A falta de instituições políticas e económicas sólidas e a dependência da castanha de caju, como principal recurso económico, expuseram o país a choques económicos e políticos.

A Guiné-Bissau tem enfrentado desafios significativos, mas a independência continua a ser um símbolo de resistência e determinação. O país está comprometido com o fortalecimento das suas instituições, o desenvolvimento económico e a consolidação da paz.

Para garantir um futuro próspero, a Guiné-Bissau deve continuar a promover políticas que incentivem investimentos nos setores económicos transformadores e fortalecer a sua imagem internacional. A visão e a vontade do povo guineense serão fundamentais para superar os desafios e construir uma nação independente e bem-sucedida.

 

Conclusão

a independência da Guiné-Bissau é um marco histórico que representou a libertação de um povo da opressão colonial, bem como a afirmação da sua identidade cultural e política. Esta caminhada tumultuosa é um testemunho da perseverança, da resistência e da aspiração do povo guineense por um futuro melhor.

A independência da Guiné-Bissau não é apenas um evento na história de um país, mas sim uma inspiração para todo o continente africano e para todos os que lutam pela autodeterminação e pela justiça em todo o mundo.

 

Conhecias a história da independência da Guiné-Bissau? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

O 25 de Abril e a criação dos PALOP

O Dia de África já tem 50 anos

Imagem: © DR 
Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos

Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.

Francisco Lopes-Santoshttp://xesko.webs.com
Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.
Ultimas Notícias
Noticias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com