CAN Feminino: Empate Sem Golos Trava Senegal

O empate sem golos entre o Marrocos e o Senegal encerrou o Grupo A com destinos distintos. As anfitriãs avançaram na liderança, com sete pontos e sem golos sofridos, enquanto as senegalesas terminaram no terceiro lugar, apesar de Adji Ndiaye ter defendido duas grandes penalidades na segunda parte.

CAN Feminino: Empate Sem Golos Trava Senegal


Marrocos e Senegal empataram no CAN Feminino de 2026 confirmando que a fase de grupos deixou pouca margem para cálculos confortáveis. A selecção anfitriã já estava qualificada, mas quis fechar a primeira fase com três vitórias. Encontrou pela frente uma formação senegalesa compacta que estava obrigada a vencer e mesmo assim ficar dependente do resultado entre a Argélia e o Quénia.

O resultado foi o zero no marcador que não traduziu ausência de risco e o jogo disputado. Marrocos teve mais posse de bola, instalou-se durante vários períodos no meio-campo adversário e dispôs da melhor oportunidade para decidir o encontro. A grande penalidade cobrada por Yasmin Mrabet teve de ser repetida, mas Adji Ndiaye defendeu os dois penaltis e manteve o Senegal na disputa até aos minutos finais.

O ponto preservou a invencibilidade marroquina e confirmou o primeiro lugar, com sete pontos. A Argélia terminou logo atrás, com seis, depois de vencer o Quénia por 2-0. O Senegal chegou aos quatro pontos, mas permaneceu no terceiro lugar, fora dos quartos-de-final reservados às duas primeiras selecções de cada grupo. A eficácia, mais do que a posse, decidiu quem avançou.


Ndiaye Aguentou o Senegal


Adji Ndiaye assumiu o centro do encontro do CAN Feminino aos 69 minutos, quando Yasmin Mrabet avançou para uma grande penalidade capaz de desfazer o empate. A guarda-redes senegalesa leu a direcção do remate, lançou-se com rapidez e impediu o golo que teria reduzido quase por completo as possibilidades do Senegal permanecer competitivo na partida.

A repetição do lançamento aumentou a pressão sobre as duas jogadoras. Mrabet voltou à marca com a possibilidade de corrigir a primeira tentativa, mas Ndiaye venceu novamente o duelo. As duas defesas consecutivas protegeram o empate e transmitiram maior segurança ao bloco senegalês, que passou a fechar melhor a zona central e a limitar as combinações marroquinas.

O Marrocos manteve a iniciativa através da circulação no meio-campo e da participação de Ghizlane Chebbak, Sakina Ouzraoui e Elodie Nakkach na construção ofensiva. A presença constante perto da área produziu volume, mas não remates suficientemente claros. O Senegal reduziu os espaços entre as linhas, obrigou as anfitriãs a jogar pelos corredores e protegeu a zona diante da baliza.

A formação senegalesa precisava de mais do que resistência, porque apenas uma vitória poderia manter aberta a hipótese de qualificação. Cada recuperação de bola exigia uma escolha entre acelerar a transição e conservar a organização defensiva. As saídas foram escassas e raramente criaram perigo continuado, enquanto o desgaste físico tornou mais difícil acompanhar o ritmo marroquino durante os últimos minutos.

Jorge Vilda recorreu às substituições para renovar a criatividade e aumentar a presença ofensiva do Marrocos. O Senegal respondeu com linhas próximas e procurou uma oportunidade de contra-ataque. O jogo tornou-se mais físico e acumulou advertências, porque o empate servia às anfitriãs, mas deixava as senegalesas dependentes de um golo que nunca surgiu.


Contas Sem Folgas


A classificação final do Grupo A definiu o alcance do empate no CAN Feminino. O Marrocos terminou com sete pontos, cinco golos marcados e nenhum sofrido, enquanto a Argélia chegou aos seis depois da vitória sobre o Quénia. O Senegal ficou com quatro pontos e ocupou o terceiro lugar, insuficiente para entrar nos quartos-de-final da competição continental.

Os critérios de desempate começam pelos pontos obtidos nos confrontos directos quando duas selecções terminam igualadas. Depois são consideradas a diferença de golos e a quantidade de golos marcados em todos os jogos do grupo, antes de um eventual sorteio. Nenhum desses mecanismos foi necessário, porque as três primeiras classificadas terminaram separadas por pontos.

O empate teve valores diferentes para as duas selecções. O Marrocos protegeu a liderança, manteve-se invicto e avançou sem sofrer golos, embora tenha revelado dificuldades para transformar a superioridade territorial em eficácia. O Senegal demonstrou disciplina defensiva, mas carregava a derrota por 2-0 diante da Argélia na jornada inaugural, resultado que limitou as contas finais.

A campanha senegalesa mostrou como os detalhes acumulados durante três jornadas podem determinar uma eliminação. A selecção travou as anfitriãs, sobreviveu a duas grandes penalidades e terminou o último encontro sem sofrer golos. Ainda assim, a produção ofensiva reduzida e os pontos perdidos no início impediram que essa exibição defensiva produzisse uma qualificação.

O Marrocos seguirá para a fase a eliminar com uma defesa segura, mas terá de melhorar a finalização diante de adversárias capazes de conceder poucas oportunidades. O Senegal deixa o torneio com uma referência competitiva clara: a organização aproximou a selecção das melhores formações do grupo, porém faltaram golos e regularidade para transformar a resistência em progressão continental.


Conclusão


O Marrocos saiu do empate com a liderança, a invencibilidade e a baliza intacta, mas também com a necessidade de corrigir a finalização antes dos quartos-de-final. As duas grandes penalidades defendidas por Adji Ndiaye mostraram que a posse e a presença ofensiva perdem valor quando falta precisão no momento decisivo.

O Senegal terminou o CAN Feminino com quatro pontos e uma exibição defensiva capaz de travar as anfitriãs. A resistência, porém, surgiu tarde para alterar uma classificação condicionada pela derrota diante da Argélia. O último encontro transformou-se numa corrida contra o marcador e contra os resultados acumulados desde a primeira jornada.

O zero em Rabat confirmou o equilíbrio entre as selecções, mas também expôs a dureza do formato: cada ponto depende da regularidade construída ao longo de toda a fase de grupos.


O empate no CAN Feminino mostrou equilíbrio ou expôs as limitações ofensivas do Senegal? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © 2026 CAF
Nomsa Khumalo

Formada em Jornalismo Desportivo e Estudos Olímpicos, construiu o seu percurso na África do Sul através da cobertura de rugby, atletismo, natação e preparação olímpica. Com experiência no acompanhamento de atletas em competições internacionais, dedica-se a analisar o desporto de alto rendimento como um território de identidade e ambição, focando a sua escrita nas mulheres no desporto, no acesso ao financiamento e no combate à desigualdade de oportunidades.

Nomsa Khumalo
Nomsa Khumalo
Formada em Jornalismo Desportivo e Estudos Olímpicos, construiu o seu percurso na África do Sul através da cobertura de rugby, atletismo, natação e preparação olímpica. Com experiência no acompanhamento de atletas em competições internacionais, dedica-se a analisar o desporto de alto rendimento como um território de identidade e ambição, focando a sua escrita nas mulheres no desporto, no acesso ao financiamento e no combate à desigualdade de oportunidades.
Ultimas Notícias
Noticias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leave the field below empty!

Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!