CAN Feminino: Empate Sem Golos Trava Senegal
Ndiaye Aguentou o Senegal
Adji Ndiaye assumiu o centro do encontro do CAN Feminino aos 69 minutos, quando Yasmin Mrabet avançou para uma grande penalidade capaz de desfazer o empate. A guarda-redes senegalesa leu a direcção do remate, lançou-se com rapidez e impediu o golo que teria reduzido quase por completo as possibilidades do Senegal permanecer competitivo na partida.
A repetição do lançamento aumentou a pressão sobre as duas jogadoras. Mrabet voltou à marca com a possibilidade de corrigir a primeira tentativa, mas Ndiaye venceu novamente o duelo. As duas defesas consecutivas protegeram o empate e transmitiram maior segurança ao bloco senegalês, que passou a fechar melhor a zona central e a limitar as combinações marroquinas.
O Marrocos manteve a iniciativa através da circulação no meio-campo e da participação de Ghizlane Chebbak, Sakina Ouzraoui e Elodie Nakkach na construção ofensiva. A presença constante perto da área produziu volume, mas não remates suficientemente claros. O Senegal reduziu os espaços entre as linhas, obrigou as anfitriãs a jogar pelos corredores e protegeu a zona diante da baliza.
A formação senegalesa precisava de mais do que resistência, porque apenas uma vitória poderia manter aberta a hipótese de qualificação. Cada recuperação de bola exigia uma escolha entre acelerar a transição e conservar a organização defensiva. As saídas foram escassas e raramente criaram perigo continuado, enquanto o desgaste físico tornou mais difícil acompanhar o ritmo marroquino durante os últimos minutos.
Jorge Vilda recorreu às substituições para renovar a criatividade e aumentar a presença ofensiva do Marrocos. O Senegal respondeu com linhas próximas e procurou uma oportunidade de contra-ataque. O jogo tornou-se mais físico e acumulou advertências, porque o empate servia às anfitriãs, mas deixava as senegalesas dependentes de um golo que nunca surgiu.
Contas Sem Folgas
A classificação final do Grupo A definiu o alcance do empate no CAN Feminino. O Marrocos terminou com sete pontos, cinco golos marcados e nenhum sofrido, enquanto a Argélia chegou aos seis depois da vitória sobre o Quénia. O Senegal ficou com quatro pontos e ocupou o terceiro lugar, insuficiente para entrar nos quartos-de-final da competição continental.
Os critérios de desempate começam pelos pontos obtidos nos confrontos directos quando duas selecções terminam igualadas. Depois são consideradas a diferença de golos e a quantidade de golos marcados em todos os jogos do grupo, antes de um eventual sorteio. Nenhum desses mecanismos foi necessário, porque as três primeiras classificadas terminaram separadas por pontos.
O empate teve valores diferentes para as duas selecções. O Marrocos protegeu a liderança, manteve-se invicto e avançou sem sofrer golos, embora tenha revelado dificuldades para transformar a superioridade territorial em eficácia. O Senegal demonstrou disciplina defensiva, mas carregava a derrota por 2-0 diante da Argélia na jornada inaugural, resultado que limitou as contas finais.
A campanha senegalesa mostrou como os detalhes acumulados durante três jornadas podem determinar uma eliminação. A selecção travou as anfitriãs, sobreviveu a duas grandes penalidades e terminou o último encontro sem sofrer golos. Ainda assim, a produção ofensiva reduzida e os pontos perdidos no início impediram que essa exibição defensiva produzisse uma qualificação.
O Marrocos seguirá para a fase a eliminar com uma defesa segura, mas terá de melhorar a finalização diante de adversárias capazes de conceder poucas oportunidades. O Senegal deixa o torneio com uma referência competitiva clara: a organização aproximou a selecção das melhores formações do grupo, porém faltaram golos e regularidade para transformar a resistência em progressão continental.
Conclusão
O Marrocos saiu do empate com a liderança, a invencibilidade e a baliza intacta, mas também com a necessidade de corrigir a finalização antes dos quartos-de-final. As duas grandes penalidades defendidas por Adji Ndiaye mostraram que a posse e a presença ofensiva perdem valor quando falta precisão no momento decisivo.
O Senegal terminou o CAN Feminino com quatro pontos e uma exibição defensiva capaz de travar as anfitriãs. A resistência, porém, surgiu tarde para alterar uma classificação condicionada pela derrota diante da Argélia. O último encontro transformou-se numa corrida contra o marcador e contra os resultados acumulados desde a primeira jornada.
O zero em Rabat confirmou o equilíbrio entre as selecções, mas também expôs a dureza do formato: cada ponto depende da regularidade construída ao longo de toda a fase de grupos.
Imagem: © 2026 CAF
