18.3 C
Londres
Domingo, Julho 21, 2024

Saídas Da CEDEAO Levam A Morte Anunciada

Saídas de países membros, levantam questões sobre o futuro da cooperação regional e a eficácia da CEDEAO.

Saídas Da CEDEAO Levam A Morte Anunciada.

A CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), enfrenta uma morte anunciada, com o recente anúncio do Burkina Fasso, do Níger e do Mali sobre sua retirada imediata da organização, tornando ainda mais complexa a geopolítica na África Ocidental

Esta decisão, tomada por governos liderados por juntas militares não reconhecidas internacionalmente, levanta questões cruciais sobre a dinâmica regional, as relações diplomáticas e as consequências para a estabilidade política e económica.

O anúncio conjunto destes países saírem da CEDEAO reflete uma decisão soberana, justificada por sanções impostas e condenação dos golpes de Estado ocorridos nestes países. Presentemente governados por juntas militares e que assumem plenamente as suas responsabilidades perante a história, respondendo às expectativas das suas populações.

No entanto, esta decisão, levanta questões sobre o futuro da cooperação regional e a eficácia da CEDEAO.

 

O Comunicado

O comunicado conjunto emitido pelos líderes destes Estados sahelianos destaca a falha notável da CEDEAO em cumprir os ideais dos pais fundadores e do espírito do pan-africanismo. Após 49 anos de participação na organização, o Burkina Fasso, o Níger e o Mali, expressam pesar pela distância crescente entre a CEDEAO e as suas aspirações.

A acusação de falta de apoio na luta contra o terrorismo e a insegurança, suscita preocupações sobre o papel efetivo da CEDEAO na região, revelando uma disparidade entre a organização e os desafios enfrentados por estes Estados sahelianos.

A ausência de um suporte eficaz, levou estes países a questionarem a utilidade contínua da organização regional, indicando uma insatisfação profunda e levanta dúvidas sobre sua eficácia na promoção da estabilidade regional.

Apesar dos procedimentos claros para a retirada estabelecidos pelo tratado, exigindo o período de um ano antes que a retirada tenha efeito, bem como a falta de uma notificação formal, pode complicar o processo de saída destes países.

A opção dos três países, de uma saída directa e imediata, pode criar fissuras na integridade institucional da CEDEAO, trazendo incertezas sobre o impacto nos demais membros, afetando a livre circulação de bens e cidadãos e gerando preocupações sobre o futuro do bloco.

 

A Presente Situação

Os recentes golpes de Estado no Burkina Fasso, no Níger e no Mali desestabilizaram governos democraticamente eleitos, resultando na ascensão de juntas militares ao poder. A CEDEAO, criticou os governos dos três países, chegando a ponderar ações militares para restaurar a ordem democrática.

As acusações de ingerência ocidental, especialmente da antiga potência colonial, França, criaram tensões geopolíticas, levando à formação da Aliança dos Estados do Sahel (AES) em Setembro sinalizando uma resposta coordenada a desafios comuns.

A região enfrenta não apenas desafios políticos, mas também ameaças significativas de grupos extremistas islâmicos, intensificando a necessidade de uma resposta unificada. A expulsão das tropas francesas e a presença de mercenários russos no terreno complicaram ainda mais a situação.

 

A Oxford Economics

A consultora Oxford Economics avaliou a retirada como uma perda significativa para a CEDEAO, enfraquecendo a sua integridade institucional e aumentando a insegurança no Sahel.

A previsão de que a saída dos três países arrasa quaisquer esperanças de restaurar a democracia, levanta preocupações sobre o futuro político da região. Além disso, o impacto económico pode resultar em condições mais difíceis, afetando a migração e a segurança alimentar na área.

Embora o tratado da CEDEAO exija uma notificação formal com um ano de antecedência, a falta de clareza se os três países seguiram esse procedimento levanta dúvidas sobre a legalidade da retirada, já que a CEDEAO, ainda não recebeu uma notificação formal e direta, enfrentando um desafio diplomático significativo.

 

A União Africana

A União Africana, pelo seu lado, apela ao diálogo e à preservação da unidade da CEDEAO. O presidente da UA expressou profundo pesar pela saída dos três países e incentivou a que haja um diálogo fraterno, longe de interferências externas.

Os esforços para preservar a unidade da CEDEAO tornam-se uma prioridade, destacando a importância de resolver as tensões diplomáticas e manter a solidariedade africana já que a organização enfrenta desafios significativos na aplicação de medidas e na gestão das consequências da retirada desses países.

O comunicado da UA surgiu após a declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros do Mali, Abdoulaye Diop, feita no Conselho de Ministros extraordinário, na segunda-feira e divulgada pela Presidência do Mali nessa mesma noite, na qual defendeu que os três países trabalhem “pelos seus próprios interesses, livres de influências externas prejudiciais“.

A decisão de se retirarem da CEDEAO é uma resposta direta às sanções económicas e financeiras impostas pela organização. A pressão para retornar à ordem constitucional aumenta e a retirada é vista como uma forma de reafirmar a autonomia e os interesses dos Estados envolvidos.

O envolvimento de diversos actores internacionais em regiões afectadas pelo terrorismo mostra a importância da cooperação global. As mudanças na dinâmica de cooperação internacional, especialmente nas respostas a ameaças terroristas, podem moldar o cenário futuro.

 

Conclusão

À medida que o Burkina Fasso, o Níger e o Mali enfrentam desafios significativos após a saída da CEDEAO, as perspectivas futuras para a África Ocidental permanecem incertas. A possibilidade de golpes em outros países, conforme apontado por analistas, destaca a instabilidade regional.

Os desdobramentos nas próximas semanas e meses moldarão o futuro político, económico e diplomático da região. A retirada destes países da CEDEAO representa um desafio expressivo para a região, influenciando diretamente o curso político, económico e diplomático.

O actual panorama na África Ocidental exige uma análise aprofundada das causas e efeitos destas decisões políticas. A comunidade internacional observa atentamente, ciente de que o desenrolar destes eventos moldará não apenas o futuro destas nações, mas também a dinâmica regional como um todo.

 

O que achas desta crise na CEDEAO? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © 2024 DR
Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos

Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.

Francisco Lopes-Santoshttp://xesko.webs.com
Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.
Ultimas Notícias
Noticias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com