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Domingo, Maio 26, 2024

Neusa e Silva: A Excelência Do Jornalismo

"Eu acredito que é fundamental partilhar histórias para além das fronteiras linguísticas e culturais” – Neusa e Silva.

Neusa e Silva: A Excelência Do Jornalismo


Entrevista Exclusiva a Mais Afrika de Neusa e Silva, uma figura proeminente do jornalismo internacional de Angola.

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Nesta vigésima segunda Grande Entrevista, estivemos a conversar com Neusa e Silva, jornalista angolana, Correspondente Internacional, autora de vários artigos de investigação de impacto e com uma carreira cheia de trabalhos únicos e com experiências diversificadas.

Ao longo dos anos, ela deixou a sua marca em várias plataformas, desde a televisão até a imprensa escrita e trabalhou como jornalista correspondente internacional da Euronews em Angola, para a CNN de Portugal e para a DW, entre outros órgãos de imprensa.

Esta entrevista oferece uma visão única e esclarecedora sobre o jornalismo angolano e o impacto do trabalho incansável de Neusa e Silva. Não perca a oportunidade de além de a ler aqui, de assistir a esta entrevista na íntegra no nosso Canal +Afrika do YouTube, onde Neusa partilha as suas experiências e reflexões de uma carreira notável no jornalismo angolano.

Natural de Angola, Neusa começou o seu percurso profissional após concluir os seus estudos em Ciências da Comunicação na Universidade Independente de Angola. A sua paixão pelo jornalismo económico é evidente em cada etapa do seu percurso, mas foi despertada durante o seu trabalho na rádio, onde teve a oportunidade de explorar esse campo fascinante.

Iniciei-me em direção de programas de rádio e, posteriormente, fui convidada para apoiar a direção do jornalismo económico, onde descobri a minha paixão pela área“, partilhou ela, refletindo sobre as suas primeiras incursões na profissão.

Esse foi o pontapé inicial para minha carreira e devo muito a mentores que me apoiaram nesse caminho como o Dr. Pedro Chitas, de quem recebi valiosos ensinamentos fundamentais para o início da minha carreira“.

A sua ascensão foi notável e, em pouco tempo, viu-se à frente de projetos inovadores, como o programa “Radar Económico” na televisão pública de Angola. Apesar dos desafios enfrentados, Neusa e a sua equipa produziram conteúdo de alta qualidade, marcando um ponto de viragem no jornalismo económico angolano.

O ‘Radar’ foi um marco importante para mim. Apesar dos desafios, conseguimos entregar algo único e valioso“, destacou Neusa, relembrando com orgulho este período da sua carreira.

Foi um marco no jornalismo económico em Angola, pois foi o primeiro programa independente produzido fora dos moldes tradicionais. Apesar dos desafios, a experiência foi enriquecedora e contribuiu para o meu crescimento profissional“.

O seu percurso internacional começou quando se tornou correspondente regional da Euronews em Angola, oferecendo-lhe a oportunidade de fazer trabalhos únicos, como foi o caso da oportunidade que teve em conduzir entrevistas exclusivas com presidentes africanos.

Conduzir entrevistas presidenciais exclusivas foi um ponto alto em minha carreira. Embora na época eu não percebesse totalmente a importância dessas entrevistas, hoje, reconheço o impacto que tiveram em meu trabalho. Foi uma oportunidade única proporcionada pela confiança de minha equipe e da instituição para a qual trabalhava; esse apoio foi fundamental“.

Essas experiências, apesar de desafiantes, foram profundamente gratificantes e moldaram a sua abordagem jornalística.

Essas entrevistas além de me deram visibilidade, também ampliaram o meu horizonte profissional. E, mesmo que na ocasião eu não o tivesse percebido, essas experiências contribuíram significativamente para o desenvolvimento da minha abordagem jornalística e abriram portas para oportunidades futuras. Cada entrevista foi única e desafiante, mas também uma fonte de orgulho“.

Partilhou Neusa, refletindo sobre o impacto destes momentos na sua carreira, admitindo que, inicialmente, não percebeu totalmente a extensão desse impacto.

O facto de outros órgãos de informação de media internacionais terem republicado essas entrevistas demonstra o reconhecimento da sua relevância. Além disso, receber feedback positivo de pessoas que acompanham a minha carreira foi gratificante e motivou-me a continuar a produzindo conteúdos de qualidade“, concluiu Neusa.

Ao longo dos anos, Neusa ampliou o seu alcance profissional, trabalhando para órgãos internacionais como a CNN Portugal e a Euronews, onde enfrentou os desafios únicos impostos pela pandemia, conseguindo, apesar da situação que se vivia, manter a divulgação de informações e notícias relevantes.

A pandemia trouxe desafios únicos para o jornalismo. Muitos órgãos de informação tiveram de se adaptar rapidamente e, destacou, a importância de se reportarem informações precisas e importantes”, comentou Neusa sobre este período desafiador.

“Trabalhar a partir de casa e continuar a ter acesso às pessoas relevantes para obter informações cruciais representou um desafio significativo. Felizmente, tive a sorte de estar bem preparada e sempre fui determinada a aprender e a fazer mais e melhor”, referiu Neusa ao falar da necessidade de adaptação.

Além disso, desenvolvi uma rede de contatos sólida ao longo dos anos, o que me ajudou a obter informações importantes em primeira mão, especialmente sobre a situação da pandemia em África. Graças a isso, consegui produzir conteúdos de qualidade e manter-me ativa na cobertura dos acontecimentos, mesmo a trabalhar remotamente“, concluiu.

Os seus trabalhos de investigação têm sido marcantes, em particular um mais recente sobre a indústria de diamantes em África, “O Lado Sombrio dos Negócios de Diamantes“, publicado originalmente em inglês pela DW, o órgão público alemão, com o título “Why Africa Bleeds Diamond Revenues” que atraiu atenção mundial e, demonstrou o impacto do jornalismo na sensibilização sobre questões cruciais.

A reação ao artigo foi surpreendente e gratificante. Foi traduzido para várias línguas e republicado em diversos órgãos de informação e de comunicação em todo o mundo. Isso demonstra a fome por reportagens sobre questões importantes para África“, partilhou Neusa, destacando a importância de trazer à tona temas prioritários para o continente.

Também falou sobre a importância da diversidade cultural e linguística no jornalismo, salientando como essa variedade enriquece a comunicação e permite alcançar audiências diversas.

Eu acredito que é fundamental partilhar histórias para além das fronteiras linguísticas e culturais”, comentou Neusa sobre o multiculturalismo do jornalismo.

Tive a sorte de trabalhar em órgãos de informação que possibilitaram a tradução e a divulgação do meu trabalho para diversos idiomas permitindo que alcançassem audiências diversificadas e multiculturais em todo o mundo. Isso amplia o alcance e o impacto das histórias que contamos”, referiu.

Neusa e Silva também partilhou uma experiência “engraçada” sobre um incidente em que uma reportagem sua foi republicada por um órgão de imprensa em Moçambique como se fosse desse órgão de comunicação, levando outras agências noticiosas a citarem erroneamente esse jornal moçambicano como a fonte original da reportagem.

“Certa vez, uma reportagem que fiz para a Euronews, ‘África Austral Adopta o Rand Sul-Africano Como Moeda’, viralizou. Um órgão informativo de Moçambique, ‘O País’, publicou a reportagem como se a reportagem fosse deles. Então, todo o mundo começou a citar a fonte e autor da reportagem, como se fosse desse jornal”, contou ela.

Uns dias depois, estava no carro a caminho da rádio onde trabalhava na altura e, para minha surpresa, o locutor da minha rádio, comentou que ‘de acordo com uma reportagem feita pelo jornal O País’… referindo-se à minha reportagem. Ou seja, a rádio onde eu trabalhava, citou um trabalho meu como se fosse de outro órgão noticioso”.

Terminou Neusa, referindo que isso é um dos muitos exemplos de como os nomes dos autores podem ser facilmente confundidos ou perdidos no processo de disseminação da informação. No entanto, afirmou que tal não a incomoda, pois mostra a relevância e o impacto desses trabalhos.

Além da sua carreira jornalística, Neusa também está comprometida em partilhar o seu conhecimento e experiência com a próxima geração de jornalistas. Com esse objetivo, iniciou um programa de mentoria que visam preparar jovens talentos para os desafios do jornalismo moderno.

Acredito que devemos retribuir ao mundo tanto quanto recebemos. Comecei a ministrar alguns cursos para jovens jornalistas interessados em ingressar na profissão, sempre com a intenção de transmitir conhecimento”, refere, ao falar do seu novo projecto.

Neste momento, decidi focar-me mais em partilhar o conhecimento do que na minha carreira jornalística pessoal. Por isso, desenvolvi programas de treinamento para formar futuros correspondentes internacionais”, afirmou Neusa, destacando a sua dedicação em fazer a diferença na vida das pessoas.

Quanto ao futuro do jornalismo, Neusa vê as Novas Tecnologias como uma oportunidade para inovar e alcançar novas audiências. Acredita que o jornalismo está a passar por uma transformação significativa e que os jornalistas precisam de se reinventar para acompanhar essas mudanças.

As Novas Tecnologias oferecem oportunidades para a colaboração global e uma ampliação do alcance das histórias, mas também exigem uma adaptação à procura do mercado digital. As universidades terão de ser readaptadas, pois os grupos de media agora valorizam habilidades tecnológicas ao recrutar”, observou Neusa.

O jornalista do futuro não será apenas um jornalista, mas também um especialista em tecnologia. O desafio dos jornalistas do futuro é o de se reinventarem para aproveitar estas vantagens e continuarem a oferecer jornalismo de qualidade com o auxílio das novas tecnologias“, concluiu, refletindo sobre o papel das Novas Tecnologias na transformação do jornalismo.

Ao encerrar a entrevista, Neusa expressou o seu agradecimento pela oportunidade de partilhar a sua história e o seu entusiasmo pelo futuro do jornalismo.

Estou comprometida em contribuir para o jornalismo de qualidade e estou ansiosa para ver o que o futuro reserva“, concluiu Neusa, encerrando a conversa com palavras de gratidão e esperança, não sem antes elogiar o nosso projeto, Mais Afrika, pois é uma apaixonada por projetos com rosto, como é o nosso caso.

 

Gostaste da Entrevista? Não te acanhes, queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste, partilha e dá um “like/gosto”.

 


Imagem: © 2024 Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos

Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.

Francisco Lopes-Santoshttp://xesko.webs.com
Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.
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