13 C
Londres
Domingo, Maio 26, 2024

6 em 10 africanos querem Governos democráticos

67% dos africanos expressaram uma preferência pela democracia sobre qualquer outra forma de Governo e rejeitaram alternativas não democráticas, como a governação unipessoal (81%).

6 em 10 africanos querem Governos democráticos.

6 em cada 10 africanos preferem um Governo democrático, ainda que deficiente. É a conclusão de um inquérito divulgado hoje, pelo Afrobarómetro.

Este número não é de estranhar já que África está menos segura, menos protegida e menos democrática, nos dias de hoje, do que estava há uma década. A insegurança tem atrasado o progresso na saúde, na educação e nas oportunidades económicas. Estas são as conclusões da avaliação do índice Ibrahim de governança africana.

Este índice, examina o desempenho dos governos em políticas e serviços, incluindo segurança, saúde, educação, direitos e participação democrática. Os seus últimos dados, apontam para que o COVID tenha contribuído em larga escala para a estagnação do progresso nos últimos três anos.

 

O índice Ibrahim

Segundo este índice, o estado de direito e os direitos humanos deterioraram-se em mais de 30 países. O relatório alertou que as liberdades democráticas estão a ser restringidas, citando exemplos de repressões e ataques a manifestantes que pediam o fim da brutalidade policial, como foi o caso na Nigéria ou a mudança de regime no Sudão.

Estes tipos de protestos que foram recebidos com força excessiva pelos serviços de segurança nacionais, têm aumentado constantemente desde 2016, levando a que haja um aumento considerável do descontentamento popular por toda a África.

No entanto, não ocorreram retrocessos em todos os países. As Maurícias, as Seychelles e a Tunísia que tiveram governos com tendências democráticas, demostraram-se mais eficazes, apesar de o progresso ter sido retardado pelos confinamentos, devidos à pandemia do COVID.

Nestes países, verificou-se que, uma melhor infraestrutura telefónica e internet melhoraram as oportunidades económicas, os serviços de saúde para crianças e mulheres grávidas, bem como o controle de doenças, melhoraram, assim como a educação. Bem como uma aposta em melhores recursos e maiores esforços para matricular mais crianças e concluir os seus estudos.

Por outro lado, governos mais autoritários, como o Sudão do Sul, a Guiné-Bissau e a Somália tiveram os piores resultados de todos os países africanos.

O Sudão do Sul sofre com a falta de oportunidades económicas, enquanto quase três quartos da sua população passa fome. A Líbia, devido a anos de guerra civil, de um dos países com melhor saúde, melhor ensino e melhores condições para os seus habitantes, passou para o outro extremo e apresenta alguns dos piores serviços de saúde, educação e bem-estar social do continente.

As maiores melhorias, no entanto, foram observadas na Gâmbia e nas Seychelles, devido às melhorias na participação democrática, contrariando uma tendência continental, com eleições mais justas e maior liberdade de reunião e espaço para a sociedade civil trabalhar.

 

O inquérito do Afrobarómetro

Não é, pois, de estranhar que, de acordo com o inquérito do Afrobarómetro, mais de 6 em cada 10 africanos preferem um Governo democrático, mesmo que ineficiente, do que um estilo de governação autoritária. Este inquérito foi extremamente representativo já que alcançou 80% das populações em 39 países no continente.

“Neste atarefado ano de eleições, os africanos mostram um empenho irredutível na democracia e nas normas democráticas, com as maiorias a preferirem a democracia e a defender eleições, órgãos de comunicação social livres e limites aos mandatos presidenciais”.

Lê-se no comunicado de imprensa distribuído a propósito da divulgação do mais recente inquérito anual, feito em vários países africanos.

Em 20 países inquiridos em 2021 e no ano passado, 67% dos africanos expressaram uma preferência pela democracia sobre qualquer outra forma de Governo e rejeitaram alternativas não democráticas, como a governação unipessoal (81%).

Entre as principais conclusões do inquérito, destaca-se o desemprego como a principal preocupação dos africanos (35%), seguido de perto pela gestão da economia (34%), mas apenas metade diz ter ouvido falar das alterações climáticas.

“Destes, três quartos querem que os governos tomem ações sobre o clima independentemente dos custos económicos”, acrescenta-se no comunicado.

Os resultados do Afrobarómetro são divulgados na semana anterior às eleições presidenciais na Nigéria, o país mais populoso e com a maior economia da África subsaariana e, coincide, com a realização de eleições programadas para este ano, em 12 países africanos.

 

O Afrobarómetro

O Afrobarómetro é um instituto de pesquisa panafricano que opera em 39 países, com mais de 350 mil entrevistas que representam a visão de mais de 80% dos africanos, e assume-se como uma fonte de informação de alta qualidade que dá forma a vários índices sobre África, elaborados por instituições como o Banco Mundial ou a Transparência Internacional.

 

Conclusão

O Afrobarómetro só vem dar vida a uma realidade que todos os africanos já sabem, o facto de a democracia funcionar melhor para o desenvolvimento económico e social de todas as sociedades. Esta é uma realidade que em África ainda tem pouca expressão, mas que terá que mudar, se África quiser avançar no tempo, para passar à frente dos outros continentes e tomar o seu merecido lugar de destaque.

 

O que achas desta conclusão? Concordas que está na altura de os países africanos, terem finalmente governos democráticos? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.
Imagem: © DR
Logo Mais Afrika 544
Mais Afrika

Ultimas Notícias
Noticias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com