CAN Feminino: África Do Sul vs Costa Do Marfim

A África do Sul entra hoje no relvado de Casablanca sem margem para novo erro, enquanto a Costa do Marfim procura transformar a goleada da estreia numa vantagem decisiva. O duelo do Grupo B vale pontos para os quartos-de-final e mantém aberta a rota rumo ao Mundial feminino de 2027.

CAN Feminino: África Do Sul vs Costa Do Marfim


A África do Sul e a Costa do Marfim medem forças no CAN Feminino, hoje, sexta-feira, dia 31 de Julho, às 18h00 locais, no Estádio Moulay Rachid, em Casablanca. As duas selecções chegam ao segundo jogo do Grupo B em posições opostas: as marfinenses lideram com três pontos e diferença positiva de três golos, enquanto as sul-africanas ocupam o terceiro lugar, sem pontos e com saldo negativo de um golo.

A Tanzânia surge no segundo posto também com três pontos, mas perde no saldo, ao passo que o Burkina Fasso fecha a tabela depois da derrota pesada na estreia. Na primeira jornada, a África do Sul perdeu por 2-1 diante da Tanzânia, apesar do empate de Bambanani Mbane ainda antes do intervalo.

Diana Msewa abriu o marcador aos 37 minutos e Hasnath Ubamba decidiu aos 86, num lance que expôs a lentidão da reacção defensiva. Horas depois, a Costa do Marfim venceu o Burkina Fasso por 4-1, com Rebecca Elloh, Ines Konan por duas vezes e Nsira Ouedraogo a marcarem.

Os dois primeiros de cada grupo avançam para os quartos-de-final. A classificação deixa as sul-africanas sob pressão imediata e oferece às marfinenses a possibilidade de consolidarem a liderança antes da última jornada.


Pressão no Grupo


A derrota na estreia alterou o peso do encontro para a África do Sul no CAN Feminino. Uma nova perda deixaria a antiga campeã dependente do resultado entre o Burkina Fasso e a Tanzânia, além de exigir uma vitória larga na última ronda. O empate manteria a selecção viva, mas reduziria a margem antes do duelo decisivo com as burquinabês.

Desiree Ellis precisa de corrigir a maneira como as suas jogadoras perderam a bola e protegeram a zona central diante da Tanzânia. As sul-africanas criaram ocasiões, acertaram no ferro e forçaram Najiati Idrisa a intervir, mas sofreram quando o bloco se abriu. O segundo golo nasceu de uma rotação lenta sobre Hasnath Ubamba, já perto do fim.

O regresso de Thembi Kgatlana devolve profundidade e ameaça nas costas da defesa marfinense, mas a avançada precisa de receber em zonas onde possa virar-se para a baliza. Hildah Magaia pode atacar o espaço interior e Linda Motlhalo acelerar o último passe. Para isso, o meio-campo terá de circular com calma e evitar perdas junto da área adversária.

A Costa do Marfim chega com confiança depois de resolver a estreia em 23 minutos. Rebecca Elloh marcou de penálti aos sete, Ines Konan ampliou aos 14 e voltou a finalizar aos 23, sempre com movimentos directos. O alerta para Reynald Pedros surgiu no recomeço, quando Adama Congo reduziu e obrigou as marfinenses a recuperarem a organização.

O primeiro quarto de hora pode orientar o jogo. A Costa do Marfim mostrou que precisa de poucos passes para chegar à área e explora bem a velocidade de Rosemonde Kouassi. A África do Sul terá de ganhar a segunda bola, fechar o passe vertical e impedir que Ines Konan receba de frente. Uma entrada passiva repetiria o problema da estreia.


Rota Para 2027


A competição do CAN Feminino também funciona como qualificação africana para o Mundial feminino de 2027, no Brasil. Os quatro vencedores dos quartos-de-final garantem presença directa. As quatro selecções derrotadas disputam, a 13 de Agosto, dois jogos entre si; as vencedoras seguem para o torneio intercontinental.

Assim, terminar entre as duas primeiras do grupo abre duas possibilidades, mas apenas a meia-final assegura o bilhete. Para a África do Sul, uma vitória hoje eleva a soma para três pontos e pode colocar a selecção no segundo lugar, conforme o resultado do outro encontro.

Um empate obriga-a a vencer o Burkina Fasso a 4 de Agosto e a acompanhar o saldo. Uma derrota deixaria o apuramento dependente de uma combinação estreita, possivelmente fora do seu alcance.

A Costa do Marfim pode aproximar-se dos quartos-de-final com novo triunfo e preservar vantagem antes da última jornada contra a Tanzânia. O regresso à fase final, após 12 anos, começou com velocidade nos corredores, presença na área e eficácia rara. O desafio sul-africano mostrará se esse arranque corresponde a uma força duradoura ou apenas ao aproveitamento de uma defesa vulnerável.

O histórico acrescenta prudência sem decidir o presente. A Costa do Marfim venceu a África do Sul por 1-0 no jogo do terceiro lugar de 2014, o encontro mais recente entre ambas nesta prova. Desde então, as sul-africanas conquistaram o título continental de 2022 e participaram em dois Mundiais, enquanto as marfinenses passaram 12 anos afastadas desta fase final.

Os quartos-de-final envolvendo o Grupo B serão disputados a 8 de Agosto, depois de apenas três dias completos de recuperação. Quem avançar terá pouco tempo para preparar o adversário e corrigir falhas. Por isso, a gestão do esforço, a disciplina e as substituições de hoje podem afectar tanto a classificação como a condição física para a fase seguinte.


Conclusão


A África do Sul chega ao duelo do CAN Feminino obrigada a demonstrar que a derrota diante da Tanzânia foi um aviso corrigível, não o início de uma queda na fase de grupos. A selecção possui experiência, qualidade no meio-campo e avançadas capazes de decidir, mas precisa de manter a organização quando perde a bola.

Contra uma Costa do Marfim rápida e eficaz, atacar sem cobertura pode custar um resultado que reduziria quase por completo a margem restante. Para as marfinenses, a missão consiste em conservar a clareza mostrada nos primeiros 23 minutos da estreia e resistir ao provável aumento da pressão sul-africana. Uma vitória deixa os quartos-de-final muito perto e mantém vivo o regresso ao Mundial.

O empate favorece a liderança, embora não feche o grupo. Em Casablanca, a escolha do momento para pressionar, a protecção da zona central e a utilização do banco podem separar a recuperação sul-africana de uma afirmação marfinense com consequência imediata.

 


Quem sairá de Casablanca vencedor nesta etapa do CAN Feminino? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © 2026 CAF
Hélder Mavie

Formado em Jornalismo Desportivo e História do Desporto Africano, iniciou o seu percurso na cobertura de futebol, atletismo e basquetebol em redações lusófonas. Com experiência no acompanhamento de competições continentais, federações e trajetórias de atletas da diáspora, aborda o desporto como um fenómeno social e de identidade, combinando rigor técnico e contexto tático com uma forte energia narrativa.

Hélder Mavie
Hélder Mavie
Formado em Jornalismo Desportivo e História do Desporto Africano, iniciou o seu percurso na cobertura de futebol, atletismo e basquetebol em redações lusófonas. Com experiência no acompanhamento de competições continentais, federações e trajetórias de atletas da diáspora, aborda o desporto como um fenómeno social e de identidade, combinando rigor técnico e contexto tático com uma forte energia narrativa.
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