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Toggle2026: Mãe Há Só Uma, A Minha E Mais Nenhuma
O Dia da Mãe celebra-se hoje, 3 de Maio de 2026, em todos os países da CPLP e noutros países que assinalam a data no primeiro domingo de Maio. A efeméride não pertence apenas ao domínio das flores, das mensagens e dos almoços familiares.
Ela abre espaço para olhar a maternidade como uma experiência humana central, marcada por afecto, responsabilidade, trabalho invisível e desigualdades sociais profundas. Na CPLP, a celebração acompanha a tradição do primeiro domingo de Maio, embora noutras regiões do mundo a homenagem ocorra em datas diferentes.
A frase “Mãe há só uma” permanece no imaginário popular porque traduz uma verdade afectiva difícil de substituir. A mãe é, em muitas famílias, a primeira referência de protecção, linguagem, alimento, disciplina e pertença. No entanto, a data também obriga a reconhecer que a maternidade continua a exigir mais do que carinho.
Exige políticas de saúde, protecção social, valorização do cuidado e respeito pela mulher que carrega, educa e sustenta. A UNICEF lembra que mães e recém-nascidos continuam expostos a mortes evitáveis quando os serviços de saúde falham, faltam profissionais preparados ou faltam meios de assistência antes, durante e depois do parto.
Por isso, celebrar a mãe também significa defender a vida, a dignidade e o futuro das famílias. A data pede um olhar menos superficial sobre o cuidado e sobre as condições reais em que muitas mulheres criam os filhos.
A história do Dia da Mãe

As mães têm sido celebradas já desde tempos imemoriais. As comemorações da Primavera, na Grécia Antiga, eram em honra de Rhea, mulher de Cronos e mãe dos Deuses. Em Roma, as festas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a mãe dos Deuses romanos e, as cerimónias em sua homenagem, começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.
Nos tempos modernos, a celebração do Dia da Mãe iniciou-se nos Estados Unidos no início do século XX, quando a ativista Anna Jarvis , filha de Ann Reeves Jarvis, após a morte de sua mãe em 1905, se empenhou homenagear, não só a sua mãe, mas também todas as mães que, como a sua, dedicaram a vida aos filhos e à família.
Ela lutou sem tréguas, para honrar a memória da sua mãe e de todas as mães do mundo. A sua determinação, culminou com o reconhecimento oficial do Dia da Mãe em 1914, quando o presidente Woodrow Wilson proclamou o segundo domingo de Maio como Dia da Mãe nos Estados Unidos da América.
A partir da oficialização nos Estados Unidos, a comemoração ganhou adeptos em diversos países, adaptando-se às tradições e calendários locais. Atualmente, o Dia da Mãe é comemorado em diferentes datas, dependendo das tradições e calendários locais.
Em Portugal, a história o Dia da Mãe começa a contar-se na década de 1950, quando a Mocidade Portuguesa Feminina decidiu instituir o Dia da Mãe em Portugal, fixando-o a 8 de Dezembro.
O aproveitamento comercial da data conduziria, porém, a um pedido especial dos bispos. Ainda antes de 1974, a Conferência Episcopal Portuguesa pediu à Mocidade Portuguesa Feminina que o Dia da Mãe fosse deslocado para data diferente, a fim de permitir que o 8 de Dezembro ficasse exclusivamente ligado a Nossa Senhora, padroeira de Portugal.
O pedido foi aceite e o Dia da Mãe foi, num primeiro momento, marcado para o último domingo de Maio, uma vez que, na tradição católica, Maio é o mês da Virgem Maria, mãe de Jesus Cristo. Mas essa não seria a última mudança.
Como no último domingo de Maio ocorrem com frequência a solenidade de Pentecostes ou a da Ascensão, foi pedido que o Dia da Mãe se fixasse no primeiro domingo de Maio, no qual, pelo calendário litúrgico, não ocorre nenhuma festa de especial importância. E assim permaneceu até hoje, sendo também, por arrasto, comemorado nos PALOP na mesma data.
No Brasil, com o seu hábito de seguirem as manias americanas, comemoram o Dia da Mãe no segundo domingo de Maio Em outros países, como por exemplo, o Reino Unido, a celebração ocorre no quarto domingo da Quaresma e é conhecido por “Mothering Sunday” (Domingo Maternal).
Hoje, o Dia da Mãe é celebrado globalmente e serve como oportunidade para expressar gratidão e amor às mães, pelo seu papel fundamental na vida dos filhos e na sociedade. Além de presentes e gestos de carinho, a data convida à reflexão sobre a relevância do papel materno, promoção da igualdade de género e reconhecimento do trabalho doméstico e de cuidado realizado pelas mães.
Origem Viva

O Dia da Mãe tem raízes antigas e atravessou diferentes tradições antes de chegar ao formato actual. Em Portugal e nos PALOP, a homenagem já esteve ligada ao dia 8 de Dezembro, data da Imaculada Conceição, mas passou depois para o primeiro domingo de Maio.
Essa mudança manteve a ligação simbólica ao mês de Maria na tradição católica e consolidou uma celebração familiar também assumida por vários países de língua portuguesa. A data ganhou novas leituras ao longo do tempo. Deixou de ser apenas uma homenagem religiosa ou doméstica e passou a representar o reconhecimento social da maternidade.
A mãe deixou de ser vista apenas como figura de sacrifício privado e começou a ser entendida como presença estruturante na vida colectiva. Essa transformação é importante porque o cuidado das mães sustenta famílias inteiras, forma crianças, preserva memórias e transmite valores.
Em África, a maternidade tem uma dimensão comunitária muito forte. A mãe biológica ocupa lugar central, mas as avós, tias, irmãs mais velhas e vizinhas também participam da criação das crianças. Esta rede de cuidado mostra que a maternidade não é apenas um facto biológico. Ela é também uma construção social onde o vínculo, a responsabilidade e a presença contam tanto como o nascimento.
Celebrar o Dia da Mãe significa reconhecer uma força expressa em gestos simples. A mãe que acorda cedo para preparar a casa, a mãe que trabalha no mercado, a mãe que estuda à noite, a mãe que cria filhos sozinha e a mãe que educa sem fazer ruído representam uma das bases mais sólidas da sociedade.
Por trás de cada gesto há disciplina, memória e uma forma de amor que raramente aparece nos discursos oficiais, mas sustenta o quotidiano. É essa presença constante que a data deve tornar visível.
Amor Invisível

A maternidade é muitas vezes apresentada como vocação natural, mas essa leitura pode esconder o peso concreto do trabalho realizado pelas mães. Cuidar de uma criança exige tempo, energia, atenção e renúncia. Muitas mulheres acumulam o emprego formal, o comércio informal, a gestão doméstica e a educação dos filhos sem que esse esforço receba reconhecimento proporcional.
O amor das mães não deve servir para romantizar a sobrecarga. A mãe que ama também se cansa, adoece, precisa de descanso e necessita de apoio. Em muitas famílias africanas, a figura materna continua a ser o centro da estabilidade emocional e económica, sobretudo quando há ausência paterna, desemprego, migração ou fragilidade dos serviços sociais.
Essa realidade transforma a maternidade numa função de sobrevivência quotidiana. O Dia da Mãe permite trazer esse trabalho invisível para o centro da conversa pública. A homenagem sincera não se mede apenas por presentes. Mede-se pela capacidade de dividir responsabilidades, respeitar escolhas, proteger direitos e aliviar a carga que recai de forma desproporcionada sobre as mulheres.
Uma sociedade que celebra as mães deve também garantir licença adequada, cuidados de saúde, segurança no parto, protecção contra a violência e oportunidades de formação.
A frase “a minha e mais nenhuma” contém afecto, mas também revela singularidade. Cada mãe tem uma história própria. Há mães jovens, mães idosas, mães adoptivas, mães de criação, mães que perderam filhos e mães que criam crianças sem apoio. Todas carregam marcas diferentes. O verdadeiro sentido da data está em reconhecer essa diversidade sem reduzir a maternidade a uma imagem idealizada.
Também está em admitir que o cuidado precisa de tempo, rendimento, saúde mental e uma rede familiar capaz de proteger quem protege. Quando esse apoio falta, o amor transforma-se num esforço solitário e injusto para muitas mulheres.
Mães Africanas

Em África, falar de mães é falar de resistência. A maternidade convive com desigualdades profundas, mas também com uma notável capacidade de organização familiar e comunitária. Milhões de mulheres sustentam lares, alimentam crianças, preservam línguas, mantêm tradições e ajudam a construir economias locais.
Muitas fazem tudo isso num contexto onde os serviços públicos ainda não respondem de forma suficiente às necessidades das famílias. A saúde materna continua a ser uma das áreas mais sensíveis. O relatório das agências das Nações Unidas sobre a mortalidade materna estimou cerca de 260 mil mortes maternas no mundo em 2023, o equivalente a 712 mortes por dia.
O mesmo conjunto de dados indica que a mortalidade materna caiu 40 por cento entre 2000 e 2023, mas o progresso tornou-se mais lento nos últimos anos. O problema é particularmente grave no continente africano.
A União Africana e o UNFPA indicaram em Abril de 2026 que África continua a concentrar cerca de 70 por cento do peso mundial das mortes maternas. A mesma informação projecta uma taxa continental ainda muito distante da meta dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030.
Estes números mostram que o Dia da Mãe também deve ser uma chamada de atenção. A celebração perde profundidade quando ignora as mulheres que morrem durante a gravidez, no parto ou no período pós-parto.
A homenagem mais justa passa por maternidades equipadas, profissionais formados, transporte de emergência, planeamento familiar, nutrição adequada e combate às uniões prematuras. Proteger uma mãe é proteger uma família inteira. Também implica ouvir as parteiras, reforçar os postos de saúde, assegurar medicamentos básicos e criar vias de socorro para zonas rurais.
Quando uma mulher chega tarde ao atendimento, a família inteira fica exposta a uma perda que podia ser evitada com apoio adequado.
Desafios Actuais

A mãe contemporânea vive entre expectativas antigas e pressões novas. Espera-se que seja afectuosa, disponível, produtiva, resistente e quase infalível. Ao mesmo tempo, muitas enfrentam salários baixos, precariedade laboral, dificuldades de transporte, insegurança alimentar e falta de creches acessíveis. Esta combinação cria uma tensão silenciosa que atravessa a vida de muitas mulheres.
O Dia da Mãe deve ajudar a deslocar o olhar da gratidão simbólica para a responsabilidade prática. Não basta dizer que a mãe é o pilar da família. É necessário garantir que esse pilar não desabe por falta de apoio. A família, o Estado, as empresas, as escolas, as igrejas e as comunidades têm papel directo na construção de ambientes onde a maternidade não seja sinónimo de isolamento.
A educação dos filhos também mudou. As mães lidam hoje com redes sociais, exposição digital, violência urbana, consumo precoce, pressão escolar e novas formas de ansiedade entre crianças e adolescentes. Essa realidade exige diálogo, informação e presença.
A autoridade materna já não se exerce apenas pela disciplina. Ela depende cada vez mais da escuta, da orientação e da capacidade de acompanhar transformações rápidas. Mesmo assim, há uma permanência que atravessa gerações. A mãe continua a ser a primeira casa emocional de muitos filhos.
A sua voz acalma, a sua ausência pesa e a sua memória permanece. Por isso, a data de amanhã não deve ser apenas um ritual. Deve ser um gesto de reconhecimento profundo por quem, tantas vezes, oferece o melhor de si sem pedir palco.
Esse reconhecimento começa dentro de casa, quando as tarefas são partilhadas, os filhos escutam, os companheiros assumem deveres e a comunidade protege as mulheres. Começa também nas decisões públicas que tornam a vida das mães menos pesada e mais digna todos os dias.
Conclusão
O Dia da Mãe recorda que nenhuma sociedade se sustenta sem cuidado. A mãe representa afecto, origem, disciplina, protecção e continuidade. Contudo, a homenagem só ganha sentido pleno quando se traduz em respeito diário, partilha de responsabilidades e defesa da vida das mulheres.
Hoje, dia 3 de Maio de 2026, muitos filhos irão oferecer flores, mensagens e abraços. Esses gestos importam, mas não esgotam a dívida moral que as famílias e as sociedades têm para com as mães.
A verdadeira celebração começa quando uma mulher pode ser mãe sem perder a saúde, a dignidade, o descanso, a voz e o direito ao futuro. Começa também quando cada casa aprende a cuidar de quem sempre cuidou e quando o Estado trata a maternidade como compromisso nacional permanente.
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Imagem: © 2026 Francisco Lopes-Santos
