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ToggleCAF Trava Expansão Do CAN Para 28 Equipes
O Campeonato Africano das Nações (CAN) volta ao centro da política desportiva africana depois de o Comité Executivo da CAF rejeitar a proposta de passar a fase final de 24 para 28 selecções. A ideia tinha sido defendida por Patrice Motsepe como forma de abrir a prova a mais federações, mercados, jogadores e patrocinadores.
O recuo não encerra o debate, porque a confederação continua pressionada por 54 associações, por receitas desiguais e por um calendário internacional com pouco espaço. A edição de 2027, entregue ao Quénia, à Tanzânia e ao Uganda, mantém o modelo actual, com qualificações organizadas em 12 grupos.
A pergunta deixa de ser apenas quantos países cabem no torneio. Passa a ser que tipo de crescimento protege o nível técnico, reduz o peso logístico e evita que a competição cresça no cartaz sem ganhar força no relvado.
A experiência de 2019, quando o CAN passou de 16 para 24 selecções, ainda pesa na discussão, porque trouxe acesso, mas também mais exigência sobre estádios, prémios, viagens, arbitragem e equilíbrio competitivo. A CAF terá agora de separar a pressão comercial da necessidade de preservar jogos equilibrados desde a primeira jornada.
Formato Em Disputa
O voto contra a expansão do CAN foi mais do que uma decisão sobre quatro vagas adicionais. A proposta mexia na arquitectura competitiva, porque 28 selecções obrigariam a redesenhar grupos, apuramento para os oitavos e sequência de jogos. Cada ajuste teria efeito no descanso, nas viagens e na preparação entre sedes afastadas e sobretudo com plantéis curtos, sem margem para recuperar.
Para as federações menores, mais lugares significariam uma porta rara para prémios, patrocínios, receitas de bilheteira e visibilidade interna. O CAN continua a mudar orçamentos e carreiras quando uma selecção chega à fase final. Mas a entrada de mais equipas levantaria dúvidas sobre a diferença técnica entre projectos nacionais com bases ainda desiguais e processos de formação menos estáveis.
O lado comercial via um torneio maior, com mais mercados representados e mais jogos para vender. Essa lógica tem peso num continente onde muitas federações dependem das receitas centrais. Ainda assim, uma competição mais extensa poderia perder intensidade se a qualidade do relvado, da arbitragem e da organização não acompanhasse a ambição durante várias semanas de exposição continental.
A resistência interna também expôs um problema de governação. Quando uma proposta deste tamanho chega ao Comité Executivo sem consenso sólido, a discussão deixa de ser apenas técnica. Passa a tocar a forma como a CAF consulta dirigentes, escuta as zonas regionais e transforma a ambição institucional em decisão colectiva sem criar ruído político desnecessário.
O recuo preserva por agora uma prova de 24 selecções e obriga a CAF a explicar melhor o que entende por crescimento. Se a meta é valorizar o futebol africano, qualquer expansão terá de vir com calendários previsíveis, prémios claros, estádios preparados e consultas capazes de suportar decisões continentais difíceis sem arrastar o CAN para custos difíceis de absorver.
Conclusão
Não há derrota simples numa votação sobre o CAN. A proposta recusada mostra que a CAF quer crescer, mas ainda precisa de alinhar a ambição, a consulta e o desenho competitivo. O continente tem talento suficiente para reclamar mais espaço, porém uma prova maior não pode ser apenas uma resposta comercial ao apetite de patrocinadores e televisões.
A decisão devolve a pressão à direcção, porque o formato de 24 selecções continua a exigir qualidade nas qualificações, estabilidade para os anfitriões e justiça para as federações com menos recursos.
O próximo passo será provar que o valor do futebol africano não depende só do número de participantes. Depende também da capacidade de organizar uma competição forte, credível e respeitada dentro e fora de África sem sacrificar o ritmo competitivo.
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Imagem: © 2026 Francisco Lopes-Santos
