50 Costas: Pieter Coetze Bate Recorde Mundial

O nadador sul-africano de 22 anos, Pieter Coetze, estabeleceu, esta sexta-feira, um novo recorde mundial dos 50 metros costas em piscina curta (25 metros), durante a etapa da World Aquatics World Cup realizada em Tashkent, no Uzbequistão.

50 Costas: Pieter Coetze Bate Recorde Mundial


Pieter Coetze bateu o Recorde Mundial dos 50 metros costas na etapa de Tashkent da World Aquatics World Cup, com 22,09 segundos. O sul-africano, de 22 anos, melhorou em dois centésimos o recorde mundial de 22,11 que pertencia ao russo Kliment Kolesnikov desde Novembro de 2022.

A margem foi mínima, mas suficiente para transformar uma prova de menos de meio minuto num marco para a natação do continente. O resultado não surgiu sem antecedentes. Em 2025, no Campeonato do Mundo de Natação realizado em Singapura, Coetze conquistou o ouro nos 100 metros costas e a prata nos 50 e nos 200 metros.

No Mundial de Singapura, Coetze foi o único homem a subir ao pódio nas três distâncias de costas nessa edição. Na primeira etapa da World Aquatics World Cup de 2026, disputada em Baku, venceu os 100 e os 200 metros costas e terminou em segundo nos 50.

Tashkent acrescenta ao percurso um recorde mundial. Num desporto em que a tradição africana de alto rendimento costuma ser lembrada através de poucos países e nomes, a marca de Coetze amplia a presença do continente numa das áreas mais técnicas da natação internacional.


Velocidade Africana


A final em Tashkent foi decidida numa distância em que cada movimento pesa. Nos 50 metros costas, a saída, a fase subaquática, a frequência de braçadas e a chegada deixam pouco espaço para recuperar erros. Coetze percorreu a prova em 22,09 segundos e chegou a uma marca que nenhum outro nadador tinha alcançado em piscina curta.

O anterior Recorde Mundial de 22,11 segundos fora fixado por Kliment Kolesnikov nos campeonatos russos de piscina curta, em Kazan, a 23 de Novembro de 2022. A vantagem de Coetze foi de apenas dois centésimos de segundo: um intervalo mais curto do que um piscar de olhos, mas bastante para mudar a marca de referência internacional dos 50 metros costas.

Para Coetze, o recorde firma uma carreira feita em várias distâncias. Em Singapura, no Mundial de 2025 em piscina de 50 metros, venceu os 100 metros costas em 51,85 segundos e conquistou prata nos 50 e 200 metros. A capacidade de competir do sprint à prova mais longa dos costas mostra uma amplitude pouco comum entre nadadores de elite.

O continente já produziu campeões olímpicos e mundiais na natação, sobretudo na África do Sul e na Tunísia, além de fases de bons resultados noutros países. A marca de Coetze soma-se a esse percurso num desporto em que o alto nível exige infra-estruturas, treino com base científica, provas regulares e acesso duradouro a piscinas de alto nível.

O tempo de Tashkent não resolve essas desigualdades, mas mostra o peso do talento, do treino e da competição regular. Para a natação africana, o valor ultrapassa uma bandeira nos resultados: um atleta do continente passa a deter a marca que os rivais terão de superar. A marca mundial dos 50 metros costas em piscina curta é agora 22,09 segundos.


Conclusão


O Recorde Mundial de Pieter Coetze chega num momento em que a carreira do sul-africano já tinha provas suficientes de consistência. A diferença está no estatuto: medalhas colocam um nadador entre os melhores de uma competição, enquanto um recorde mundial coloca o seu nome como referência para toda a modalidade.

Para África, o valor simbólico é evidente sem necessidade de exagero. O continente continua a enfrentar enormes assimetrias de acesso a piscinas, formação técnica, ciência do desporto e calendários competitivos fortes. Mesmo assim, um nadador africano acaba de definir o limite mundial de uma prova de velocidade.

Coetze saiu de Tashkent com 22,09 segundos e uma posição que nenhum resultado anterior lhe tinha dado. A partir de agora, qualquer homem que queira ser o mais rápido de sempre nos 50 metros costas em piscina curta terá de nadar abaixo da marca de um sul-africano.

 


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Imagem: © 2025 World Aquatics
Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santoshttp://xesko.webs.com
Editor-chefe, atleta olímpico e doutor em Antropologia da Arte, possui mestrados em Treino de Alto Rendimento e em Belas Artes. Escritor prolífico com várias obras de poesia e ficção publicadas, cruza a sua liderança editorial com uma vasta produção académica de ensaios e artigos científicos.
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