Sudão: Drones Matam Civis Em El-Obeid

Os ataques atribuídos às Forças de Apoio Rápido atingiram el-Obeid, no Cordofão do Norte, e causaram pelo menos 15 mortos e dezenas de feridos. Segundo a Associated Press, áreas civis, um funeral e uma estação de combustível foram atingidos, sinal da presença crescente de drones na guerra sudanesa.

Sudão: Drones Matam Civis Em El-Obeid


Os drones no Sudão voltaram a colocar a população civil no centro da guerra, depois de novos ataques contra el-Obeid terem atingido zonas onde as famílias procuravam manter os rituais, a circulação e o abastecimento. A cidade, capital do Cordofão do Norte, tornou-se ponto sensível na disputa entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido, em confronto desde Abril de 2023.

As autoridades de saúde citadas pela Associated Press indicaram pelo menos 15 mortos e dezenas de feridos. Outros grupos locais elevaram o balanço para 23 civis mortos e 19 feridos, diferença que revela a dificuldade de confirmar números fechados numa zona sob ataques sucessivos e com serviços médicos pressionados.

O dado central não está apenas no número de vítimas. Está na forma como a guerra se desloca para alvos dispersos, por vezes próximos de posições militares, com consequências directas para as famílias, os deslocados, os comerciantes, as equipas médicas e as pessoas em luto. Esse padrão reduz os espaços considerados seguros e agrava a crise humanitária numa região já marcada pela escassez.


Guerra Dos Drones


Os relatos recolhidos por grupos médicos e organizações locais indicam que os drones atingiram zonas próximas de uma posição militar, o cemitério de Dalil durante um funeral e uma estação de combustível. A Rede de Médicos do Sudão disse que quatro enlutados morreram no ataque ao funeral e que outros espaços civis também foram atingidos.

A autoria foi atribuída às Forças de Apoio Rápido, força paramilitar comandada por Mohamed Hamdan Dagalo, rival do exército sudanês dirigido pelo general Abdel Fattah al-Burhan. A guerra já atravessou Khartum, Darfur e o Cordofão, mas em el-Obeid o confronto ganha peso pela posição da cidade entre Darfur e o centro do país.

Para a população, a ameaça dos drones altera a vida comum. O risco já não se limita à linha da frente ou ao posto militar. Chega ao funeral, ao posto de combustível, à estrada, ao mercado e aos serviços que sustentam a sobrevivência diária.

A dimensão internacional também cresce. A guerra sudanesa tem sido alimentada por armas, alianças externas e falta de pressão eficaz sobre as partes. A Reuters noticiou em Fevereiro advertências da ONU sobre ataques com drones que mataram dezenas de civis em vários estados e pedidos de protecção efectiva da população.

El-Obeid mostra uma fase mais tecnológica e mais difusa do conflito. O poder militar ganha alcance sem ocupar terreno, enquanto os civis perdem margem para distinguir o abrigo, o trabalho, o luto e o perigo.

Quando os ataques atingem locais de passagem e cerimónias fúnebres, a guerra rompe normas mínimas de protecção. A incerteza impede rotinas básicas e empurra mais famílias para o deslocamento.


Conclusão


Os ataques em el-Obeid confirmam que a guerra sudanesa deixou de ser apenas confronto entre duas forças armadas pelo controlo do Estado. A utilização crescente de drones permite acções rápidas, difíceis de prever e muitas vezes devastadoras para comunidades sem protecção, sobretudo quando os alvos ficam junto de funerais, mercados, estradas e pontos de abastecimento.

A prioridade humanitária passa pela protecção dos civis, pela abertura de corredores de ajuda e pela pressão directa sobre quem fornece armas, apoio político ou margem diplomática às partes. Sem esse travão, o Sudão continuará a contar mortos em cemitérios, mercados, hospitais e estradas, enquanto a população perde abrigo, mobilidade e confiança nas mínimas garantias de sobrevivência.

 


Até onde pode ir uma guerra quando os drones transformam funerais e postos de combustível em zonas de morte? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © 2025 AP via Alamy 
Amílcar Sambu

Licenciado em Ciência Política e com formação complementar em Relações Internacionais, iniciou o percurso jornalístico na Guiné-Bissau a acompanhar eleições, governação, crises institucionais e diplomacia regional. Estudou de perto a CEDEAO, a União Africana, os equilíbrios militares e a política dos países lusófonos da África Ocidental. Na Mais Afrika, escreve sobre poder, instituições e instabilidade sem clichés, procurando explicar o que está em causa para os cidadãos, os Estados e a região.

Amílcar Sambu
Amílcar Sambu
Licenciado em Ciência Política e com formação complementar em Relações Internacionais, iniciou o percurso jornalístico na Guiné-Bissau a acompanhar eleições, governação, crises institucionais e diplomacia regional. Estudou de perto a CEDEAO, a União Africana, os equilíbrios militares e a política dos países lusófonos da África Ocidental. Na Mais Afrika, escreve sobre poder, instituições e instabilidade sem clichés, procurando explicar o que está em causa para os cidadãos, os Estados e a região.
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