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Domingo, Maio 26, 2024

Milhares de migrantes abandonados no deserto

Entre 11 de Janeiro e 3 de Março de 2023, aproximadamente 4.675 migrantes chegaram a Assamaka, localizada na região de Agadez, no Níger, vindos da  Argélia.

Milhares de migrantes abandonados no deserto.

Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), foram abandonados no deserto milhares de migrantes que se encontram sem abrigo ou cuidados médicos em Assamaka, no norte do Níger, após terem sido deportados pela Argélia. A organização médico-humanitária, apela à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para que lhes dê proteção imediata.

 

Migrantes deportados em massa

Entre 11 de Janeiro e 3 de Março de 2023, aproximadamente 4.675 migrantes chegaram a Assamaka, localizada na região de Agadez, no Níger, vindos da  Argélia que os está a expulsar, obrigando-os a caminhar, a pé, ao longo do deserto.

Os migrantes são colocados à força em camiões, onde viajam durante horas até um ponto de transição, chamado Ponto Zero. A partir daí é-lhes dito que caminhem a pé, pelo deserto do Saara, até à fronteira com o Níger. As temperaturas podem chegar aos 48 graus, pelo que muitos deles não sobrevivem.

Apesar de aqueles que conseguem chegar, se encontrem em situação preocupante, menos de 15% tiveram acesso a abrigo ou proteção ao chegar à cidade. O Centro Integrado de Saúde de Assamaka, apoiado pelos MSF, está sobrecarregado, segundo Schemssa Kimana, coordenador dos MSF em Agadez.

As condições de vida dos migrantes são preocupantes, com pessoas a dormir em todas as áreas das instalações, algumas montando abrigos improvisados e outras acampando em frente à maternidade.

Segundo os MSF, não há precedentes para uma situação tão complicada em Assamaka. Devidos às temperaturas elevadíssimas, muitos procuram abrigo em áreas pouco higiénicas, como lixeiras.

 

Apelo humanitário urgente

Desde 2017, os MSF trabalham na região de Agadez, distribuindo bens de primeira necessidade e apoiando o Centro Integrado de Saúde.

A organização também fornece consultas gratuitas de cuidados primários e encaminha casos críticos para a cidade de Agadez que fica a várias centenas de quilómetros de Assamaka, além de prestar apoio logístico ao centro, no entanto, o apoio que prestam, tem-se demonstrado insuficiente.

Muitos dos migrantes relatam preocupação com a falta de resposta sobre o regresso aos seus países de origem e com as condições insustentáveis e desconforto em que vivem, a alimentação precária e o alojamento inadequado estão a causar muitas doenças.

Jamal Mrrouch, coordenador geral dos MSF no Níger, afirma que a situação requer uma resposta humanitária urgente da CEDEAO e dos seus Estados-membros. Segundo ele, a falta de assistência aos migrantes em condições terrivelmente precárias no deserto de Assamaka, coloca em risco a saúde e segurança de todas as pessoas na região.

 

Conclusão

Infelizmente, não são só os países europeus que se recusam a receber migrantes africanos, em África, vários países, alegando incapacidade para receberem os migrantes, ou, quando possível, impedem-nos de entrar ou expulsam-nos sem piedade.

Esta situação com a Argélia, infelizmente é recorrente. Já em 2014 se tinha passado uma situação semelhante, culminando com a morte de mais de 30.000 migrantes e em 2017, também forçaram mais de 2800 migrantes a fazer a mesma travessia.

Seria de esperar que houvesse uma maior fraternidade e companheirismo entre os pises africanos, mas infelizmente, relatos como este, só provam que a tentativa de África se apresentar internacionalmente como um todo uno, é falha e que o continente ainda tem um longo caminho a percorrer.

 

O que achas desta situação? Seria de esperar que os migrantes africanos fossem mais bem tratados em África? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.
Imagem: © Amnesty International
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