Última Hora: Argentina Ganhou O Mundial 2026

A Argentina sobreviveu a Cabo Verde e ao Egipto com um futebol pobre e desinspirado, com um Messi inseguro e com decisões dos árbitros que incendiaram a competição com a incerteza da sua veracidade. O problema já não é apenas o erro, é a falta da repetição de lances polémicos na transmissão televisiva, os lances que o VAR se recusa a reavaliar e as faltas para cartão que ficam por marcar e que deixam os adversários perante uma justiça selectiva.

Última Hora: Argentina Ganhou O Mundial 2026


Não. Este artigo não é sobre futurologia, mas muito me admiraria se a Argentina não ganhar o Mundial 2026. Tal só acontecerá se, por milagre, alguma equipe, mesmo a jogar contra a arbitragem e, quem sabe, ordens superiores, esmagar a Argentina de forma irrefutável.

A Argentina neste Mundial 2026 deixou de ser uma candidata em dificuldade para ser o rosto de uma competição que começa a cheirar a protecção. A equipe não tem jogado como campeã, não domina com autoridade, não impõe superioridade e sobrevive de golpes do acaso, em jogos onde o adversário parece precisar de marcar duas vezes para que um golo conte apenas como um golo.

Lionel Messi, também não tem escapado ao peso da evidência. Falhou grandes penalidades, desperdiçou ocasiões claras e mostrou uma fragilidade que contrasta com a narrativa de invencibilidade que continua a cercar a selecção. O problema é que, quando a equipe treme, surge quase sempre uma decisão duvidosa que a favorece e um VAR que parece perder a voz.

Cabo Verde deixou dúvidas. O Egipto deixou indignação. Entre foras-de-jogo discutíveis nunca marcados que favoreceram a Argentina, a contactos na área ignorados e revisões ausentes, o Mundial perdeu transparência. A FIFA pode ficar calada, mas os vídeos que circulam no ciberespaço contam outra história.


Uma Argentina Frágil


A Argentina não tem passado bem neste Mundial. Vence, mas a vitória não apaga a pobreza do jogo nem a incapacidade de transformar favoritismo em domínio. Contra Cabo Verde, precisou de um prolongamento para respirar. Contra o Egipto, só saiu viva depois de voltar a encontrar espaço onde antes havia medo e desorganização, diante de adversários bem preparados.

É preciso insistir neste ponto porque ele define a caminhada argentina: a selecção não está a jogar como força superior. Arrasta-se sem clareza, sem velocidade para mandar no jogo e sem futebol suficiente para calar os adversários. Quando acelera, perde precisão. Quando recua, entrega terreno. Quando sofre pressão, parece pedir socorro ao ambiente e à decisão externa que aparece quando o jogo aperta.

Messi também entrou nesse retrato de queda. Falhou grandes penalidades, desperdiçou ocasiões claras e já não consegue esconder as fissuras de uma selecção presa ao peso do seu nome. O génio continua tratado como inevitável, mas o relvado mostra um jogador inseguro, vulnerável ao erro e incapaz de salvar sozinho uma Argentina sem autoridade quando o colectivo se parte.

Cabo Verde e Egipto não foram figurantes africanos dentro de uma festa argentina. Foram adversários com coragem, pernas, leitura e ambição. Apertaram a saída, disputaram cada bola, obrigaram a Argentina a correr para trás e revelaram que a candidata, claramente protegida, sangra quando encontra resistência séria, pressão alta e organização emocional com bola e sem ela.

Por isso, cada decisão duvidosa da arbitragem ganha impacto. Quando uma selecção joga mal e mesmo assim atravessa partidas difíceis com lances duvidosos, revisões de VAR inexistentes e critérios que mudam conforme o lado prejudicado, a suspeita deixa de ser ruído de adeptos e passa a acompanhar a própria campanha argentina, sempre frágil e sempre beneficiada, jogo após jogo, sem pudor.


VAR Tendencioso


O VAR devia existir para corrigir o erro claro, não para escolher o momento em que decide ou não intervir. Nos jogos da Argentina, a sensação tem sido mesmo essa. Quando o lance pode prejudicar a selecção sul-americana, a transmissão não repete as imagens, o VAR não intervém e a explicação desaparece deixando o público perplexo perante o que aconteceu, fazendo cair a sombra da dúvida por resolver.

A repetição do padrão é o que revolta. Um fora-de-jogo discutido não pode morrer sem linhas. Um contacto dentro da área não pode ser tratado como detalhe menor. Um lance contra uma selecção africana não pode receber menos transparência do que um lance a favor da Argentina, como se a justiça mudasse de velocidade conforme a camisola dentro do mesmo relvado competitivo.

No jogo contra Cabo Verde, ficaram dúvidas que nunca foram limpas. No jogo contra o Egipto, a indignação foi maior porque a selecção africana colocou a Argentina no limite. A partir desse momento, cada silêncio do VAR pareceu mais pesado do que a própria decisão, porque o problema já não era só decisão dos árbitros, era o da sua credibilidade.

Se há imagem, devem aparecer para esclarecer as dúvidas. Se não há fora de jogo a linha, deve ser mostrada a confirmar. Se há contacto, deve ser revisto com clareza. Se a decisão é correcta, deve resistir à repetição completa. O futebol aceita o erro humano, mas não aceita a tecnologia a mudar de lado quando o favorito está em risco favorecendo-o punindo apenas o adversário

A Argentina tem beneficiado precisamente desse ambiente. Não joga melhor do que todos, não sufoca ninguém e não apresenta futebol para justificar tanto avanço sem perguntas. Ainda assim, continua. Continua com sofrimento, continua com Messi inseguro e continua com decisões que aparecem sempre no ponto exacto em que o jogo ameaça fugir e a verdade começa a incomodar.


A “Escorregadela” de Infantino


A frase proferida por Gianni Infantino depois do Argentina vs Cabo Verde também lançou uma forte suspeita sobre o favorecimento da Argentina. À saída do estádio, em Miami, após o jogo, o presidente da FIFA saudou calorosamente a Argentina e afirmou que o seu coração tinha sofrido naquela noite antes de se corrigir com a palavra da neutralidade perante as câmaras e os jornalistas argentinos presentes.

Não é preciso inventar uma confissão para perceber o peso político da gafe. Num torneio cercado por decisões discutidas, o presidente da entidade máxima do futebol não pode parecer emocionalmente preso ao destino de uma selecção. Mesmo corrigida, a frase abriu uma janela que muitos adeptos já suspeitavam ver por outras frestas, num momento de pressão pública internacional.

O problema não está apenas no verbo usado, está no ambiente que o tornou inflamável. Se a Argentina tivesse esmagado Cabo Verde, a frase talvez passasse por uma simpatia protocolar a um público argentino. Mas a Argentina tremeu, foi empurrada para o prolongamento e dependeu de detalhes técnicos que ficaram por explicar com o estádio ainda em choque e barulho pelo ocorrido.

Esse deslize converge com tudo o que o relvado já mostrava. Uma Argentina fraca, um Messi inseguro, selecções africanas a jogar sem medo e um VAR que parece perder a voz quando a pergunta incomoda. Infantino não criou a suspeita, mas deu-lhe uma imagem institucional e uma frase difícil de apagar no centro do debate público.

A sua declaração não é uma prova fechada, mas pesa na coincidência entre a fala, a reacção pública e os lances sem transparência. Quando o presidente da FIFA parece sofrer com uma equipe e um povo, cada decisão favorável ganha outro som na leitura pública de todo o torneio.


Conclusão


A Argentina pode vir a ganhar o Mundial 2026, mas já não conseguirá afastar a sombra que a acompanha na sua caminhada. A equipe joga mal, sofre demasiado, depende de momentos soltos e encontra protecção dos árbitros no exacto instante em que a sua fragilidade fica exposta. Quando a incapacidade se repete dentro do campo e o favorecimento se repete fora dele, a conversa muda.

Cabo Verde e o Egipto mostraram que as selecções africanas já não entram nestes jogos para aplaudir favoritos. Entram para competir, atacar, pressionar e expor equipes grandes quando elas estão vulneráveis. O que não podem é enfrentar também uma arbitragem que parece escolher o que vê e que se cala quando deveria castigar o favorito.

A FIFA pode guardar silêncio, mas o silêncio não apaga as imagens. Se a Argentina ganhar este Mundial, a pergunta ficará viva: ganhou no campo ou ganhou num torneio onde o VAR aprendeu a fechar os olhos?

 


A Argentina está a ser protegida no Mundial 2026? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © 2026 Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos

Editor-chefe, atleta olímpico e doutor em Antropologia da Arte, possui mestrados em Treino de Alto Rendimento e em Belas Artes. Escritor prolífico com várias obras de poesia e ficção publicadas, cruza a sua liderança editorial com uma vasta produção académica de ensaios e artigos científicos.

Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santoshttp://xesko.webs.com
Editor-chefe, atleta olímpico e doutor em Antropologia da Arte, possui mestrados em Treino de Alto Rendimento e em Belas Artes. Escritor prolífico com várias obras de poesia e ficção publicadas, cruza a sua liderança editorial com uma vasta produção académica de ensaios e artigos científicos.
Ultimas Notícias
Noticias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leave the field below empty!

Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!