Alianças Estruturais Nas Teias Da Diplomacia.

Entrevista Exclusiva a Mais Afrika, de Cecília Iturralde, conselheira económica da Embaixada Sul-Africana em Brasília.

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A nossa revista tem o prazer de apresentar uma cativante entrevista, onde embarcamos no percurso notável de Cecília Iturralde, conselheira económica da Embaixada Sul-Africana em Brasília.

Com esta décima oitava Grande Entrevista, marcamos o encerramento do ano de 2023, oferecendo uma visão ímpar do universo diplomático e da multifacetada personalidade de Cecília Iturralde, ao desbravarmos os caminhos que a conduziram à diplomacia.

Nela, desvendamos não apenas a sua história, mas também as iniciativas, desafios e oportunidades que delineiam as relações económicas entre o Brasil e a África do Sul.

Esta enriquecedora conversa revela não apenas como as experiências de Cecília moldaram os laços entre os dois países, mas também como o seu ponto de vista sobre a cooperação global, incluindo a abordagem unificada aos desafios económicos e desenvolvimento sustentável, se integrou no cerne da sua actuação diária.

Prepare-se para esta perspectiva singular da diplomacia e, para se imergir, num diálogo profundo, conduzido por uma conselheira económica exímia e uma notável pensadora, cujo trabalho promove uma parceria sólida e sustentável entre o Brasil e a África do Sul.

Junte-se a nós nesta fascinante conversa e descubra o inesperado que está pela frente…

 

A Entrevista

Imagem © 2023 Francisco Lopes-Santos (20231205) Alianças Estruturais Nas Teias Da Diplomacia

O Percurso Para a Diplomacia

A entrevista começou com uma calorosa receção à Senhora Cecília Iturralde, seguida por uma exploração do seu intrigante percurso.

Nascida na Bolívia, o caminho de Cecília desenrolou-se através de diversas experiências globais. Após concluir a sua educação universitária, aventurou-se no mundo da diplomacia, trabalhando na embaixada boliviana em Londres.

O seu percurso continuou por vários papéis, incluindo consultora independente, onde facilitou investimentos e visitas de estudo, explorando as complexidades de vários sectores.

“Trabalhei numa agência de promoção de investimentos chamada Separable, recebendo formação da Miga, a agência multilateral de garantia de investimentos que faz parte do Banco Mundial”, afirmou.

O momento crucial de Cecília ocorreu durante uma visita de uma delegação sul-africana à Bolívia. O falecido Sr. Essop Pahad, na altura Ministro da Presidência, reconheceu o seu potencial e instigou-a a juntar-se ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul. Este momento, marcou o início do seu percurso diplomático.

“Foi o falecido Sr. Essop Pahad que me disse: Cecília você pertence à África do Sul no Ministério das Relações Exteriores. E foi basicamente assim que tudo começou”.

Explicou-nos, durante a entrevista.

 

A Importância das Línguas

Algo que ficou claro desde o início, foram as notáveis habilidades linguísticas de Cecília que abrangem espanhol, francês, inglês, afrikaans e… Purtonhol… Cecília realçou o papel crucial das línguas na diplomacia, partilhando experiências de interpretação para figuras de alto perfil como os Presidentes Thabo Mbeki e Hugo Chávez.

“Também recebi muita formação dos intérpretes do Parlamento Europeu em Estrasburgo e de várias universidades da África do Sul, da Universidade de Pretória e da Universidade do Noroeste”.

“Essa formação foi essencial para a minha carreira diplomática”, disse ela.

“Ao ingressar no Departamento, também fui encarregue de ensinar espanhol aos embaixadores selecionados para missões no exterior”.

“As línguas desempenharam um papel fundamental na minha vida e permitiram-me entender melhor as pessoas e as suas idiossincrasias”, continuou.

A sua proficiência linguística estendeu-se para além da mera comunicação, tornando-se uma ponte para compreender e ligar-se com culturas diversas a um nível mais profundo.

 

O Equilíbrio na Carreira

Cecília teve uma carreira multifacetada, desde o ter trabalhado no sector privado, ter efectuado aconselhamento económico e recebido formação diplomática, mas para ela, essa capacidade inata de multitarefa é um apanágio das mulheres, algo muito importante devido à necessidade de adaptação constante e de aprendizagem no campo dinâmico da diplomacia.

“As mulheres nascem com um talento chamado multitasking”.

“Somos naturalmente mães, motoristas, psicólogas, provedoras de sustento; somos tudo”.

“Quando chegamos ao local de trabalho, dizem-nos que temos de fazer mais com menos”.

“Portanto, aprendemos a ser pensadoras criativas para realizar mais com menos recursos”, explicou.

Ela reconheceu os desafios de abranger portefólios diversos no seu actual papel, como conselheira económica em Brasília, mas encontrou fortes recompensas ao testemunhar resultados tangíveis e ao conhecer pessoas inspiradoras.

 

Imagem © 2023 Francisco Lopes-Santos (20231205) Alianças Estruturais Nas Teias Da Diplomacia

A Colaboração Brasil-África do Sul

Enquanto Cônsul Honorária da África do Sul na Bolívia, Cecília ganhou uma perspetiva única, o que lançou luz sobre os profundos laços culturais entre o Brasil e África, enraizados em ligações históricas.

“A ligação entre o Brasil e o continente africano remonta à história colonial, quando muitos africanos foram trazidos como escravos para o Brasil”.

“Culturalmente, há uma ligação profunda, especialmente na Bahia, que tem uma alta concentração de afro-brasileiros”, afirmou.

Do ponto de vista do comércio e da economia, destacou o facto de:

“Em termos económicos, Brasil e África do Sul partilham condições climáticas e tipos de solo semelhantes, destacando-se como potências na agricultura e na exploração mineira”.

E esclareceu que existe um potencial de colaboração, especialmente na agricultura, nas energias renováveis e na indústria dos Metais do Grupo da Platina, mas também, na segurança alimentar para a população em crescimento.

Também clarificou que Ambos os países têm interesse na conservação da natureza e na proteção da vida selvagem. Portanto, as similaridades e interesses comuns entre o Brasil e a África do Sul são promissoras para o fortalecimento das relações económicas.

 

Poliglotismo na Diplomacia

As experiências de Cecília como intérprete e formadora de línguas, são de extrema importância para uma comunicação eficaz em contextos diplomáticos. Cecília sublinhou a necessidade de haver uma boa comunicação e clarificou que a preparação constante, a adaptabilidade e habilidades de falar em público, são fundamentais para transmitir mensagens com precisão em situações de alto perfil.

“Ter servido de interprete, para os presidentes Thabo Mbeki e Jacob Zuma, foi uma experiência incrível e desafiadora”.

“Eu tinha de garantir que as mensagens fossem transmitidas com precisão, mantendo a intenção e o tom do orador”.

“Ambos os líderes tinham estilos de comunicação únicos”, explicou ela.

Segundo Cecília, ser tradutor, não é traduzir simplesmente palavras; é sobre entender, o contexto cultural, as nuances e as entrelinhas das mensagens. Além disso, explicou que o tradutor tem de ser invisível, para que o foco se mantenha no orador e não no intérprete.

 

O Papel da Diplomacia

A conversa mudou-se para o envolvimento de Cecília em projetos como a Iniciativa da Economia Azul e a Formação de Liderança em Singapura. Cecília realçou a importância da educação na abordagem de questões como a escassez de água e os problemas da poluição.

Destacou as iniciativas da África do Sul em workshops de resolução de conflitos e da colaboração com a Noruega, com um foco particular na capacitação das mulheres e jovens. Também fez notar que a comunicação instantânea permite uma resposta rápida a eventos globais, facilitando a coordenação entre os países. No entanto, é importante equilibrar a tecnologia com uma abordagem pessoal.

“A tecnologia mudou drasticamente a forma como nos comunicamos e conduzimos a diplomacia”.

“Redes sociais, videoconferências, e-mails e outras ferramentas digitais tornaram-se essenciais para interligar diplomatas e líderes em todo o mundo”, explicou.

Focou o aspecto importantíssimo de a diplomacia ser uma ferramenta eficaz sobre construir relacionamentos e compreender as nuances culturais e, a tecnologia apesar de ser uma ferramenta valiosa, não pode substituir completamente a interação humana.

“A diplomacia do futuro envolverá uma integração equilibrada entre avanços tecnológicos e abordagens tradicionais”, conclui.

E lembrou ainda que também se deve considerar, cada vez mais, a questão da segurança cibernética, pois a dependência das tecnologias também traz riscos.

 

Um Conselho

Baseando-se na sua vasta experiência, Cecília realçou a importância da necessidade de serem precisos indivíduos versáteis na diplomacia e concluiu a entrevista dando conselhos para os aspirantes a diplomatas.

“O mundo está em constante evolução, e a diplomacia é um campo dinâmico”.

“O meu conselho seria abraçarem a mudança e estarem disposto a aprender constantemente”.

“Ser capaz de se comunicar efectivamente e construir relacionamentos sólidos e duradouros, também é fundamental na diplomacia”, concluiu.

Também deu um ênfase muito importante na importância do uso das línguas, na curiosidade, no estar sempre bem informado sobre assuntos globais e possuir qualidades versáteis. Sublinhou a importância da perseverança, da ética de trabalho e das competências interpessoais na arena diplomática.

 

Conclusão

Ao terminarmos a entrevista, agradecemos à Senhora Cecília Iturralde, por ter partilhado as suas valiosas perspectivas e elogiamos o seu percurso, desejando-lhe sucesso contínuo nas suas futuras empreitadas diplomáticas.

Esta entrevista proporciona um vislumbre único no intricado mundo da diplomacia, onde a linguagem, compreensão cultural e colaboração formam os pilares das relações internacionais. O percurso de Cecília Iturralde serve como inspiração para aspirantes a diplomatas, demonstrando o poder transformador da dedicação, adaptabilidade e paixão pelos assuntos globais.

 

O que achaste desta entrevista sobre diplomacia ? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © 2023 Francisco Lopes-Santos 
Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos

Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.

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