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Segunda-feira, Janeiro 12, 2026

Montenegro Em Luanda Para A Cimeira UE-UA

42 chefes de Estado e de Governo, africanos e europeus, confirmaram a presença na 7.ª Cimeira União Africana-União Europeia. Com o lema "Paz e Prosperidade via Multilateralismo", a cimeira visa reforçar a parceria estratégica entre os blocos.

Montenegro Em Luanda Para A Cimeira UE-UA


O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, chegou este domingo a Luanda, para uma visita oficial a Angola, em antecipação da 7.ª Cimeira UE-UA (Cimeira União Europeia – União Africana) que decorrerá segunda e terça-feira na capital angolana, onde também irá participar. À chegada ao aeroporto, Montenegro foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António.

A cimeira será co-presidida pelo Presidente angolano, João Lourenço e pelo Presidente do Conselho Europeu, António Costa, marcando a primeira grande reunião multilateral de Costa em Bruxelas. A União Europeia estará igualmente representada pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A Cimeira UE-UA reúne os 27 Estados-membros da UE e os 55 países da UA e é um encontro particularmente simbólico para Angola já que o país assume actualmente a presidência rotativa da União Africana.

A agenda do Conselho Europeu (consilium.europa.eu) indica que os líderes se focarão na cooperação em áreas estruturais: paz, segurança, integração económica, comércio, multilateralismo, transição verde, digitalização, migração, mobilidade e desenvolvimento humano.

Para o Governo português, a presença de Montenegro, antes da abertura formal dos trabalhos, sublinha o peso das relações bilaterais com Angola, parceiro estratégico prioritário de Lisboa em África.

O encontro ocorre num contexto internacional particularmente exigente, marcado por tensões geopolíticas, pressões migratórias, necessidade de diversificação energética e debates sobre modelos de desenvolvimento sustentável. A presidência angolana da UA acrescenta relevância diplomática ao evento, posicionando Luanda como plataforma de diálogo entre África e a Europa.


Encontro Com João Lourenço


Na segunda-feira, o primeiro-ministro português encontra-se com o Presidente angolano, João Lourenço, antes da abertura da Cimeira UE/África, marcada para as 13:00 (12:00 em Lisboa). Será acompanhado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel que chefiará a delegação portuguesa na terça-feira.

Na cerimónia de abertura discursarão o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a presidente da Comissão Europeia, Úrsula Von der Leyen, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres e o Presidente da República de Angola, João Lourenço.

A cimeira contará com a presença de 42 chefes de Estado e de Governo, africanos e europeus. Uma nota oficial confirma 28 chefes de Estado e de Governo e 18 representantes africanos, bem como 14 líderes europeus, incluindo Luís Montenegro e 12 representantes de Estados-membros da UE.

O evento contará com o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento e de organizações regionais africanas. A cobertura mediática incluirá mais de 500 profissionais.

Com o lema “Paz e Prosperidade via Multilateralismo Eficaz”, a Cimeira UE-UA visa reforçar a parceria estratégica, promover cooperação equilibrada, consolidar segurança regional, criar oportunidades para a juventude africana e aprofundar a cooperação migratória.

Além da Conferência de Alto Nível, o programa desta edição inclui um Fórum Empresarial, um Fórum da Juventude e da Sociedade Civil e uma reunião de altos funcionários, configurando um “palco de diálogo” para desafios europeus e africanos.


Cooperação Portugal-Angola


Luís Montenegro afirmou, durante a visita que a cooperação com Angola “é cada vez mais intensa”. Desde Julho de 2024, foram assinados 23 instrumentos de cooperação e a linha de crédito inicial de 2.000 milhões de euros foi reforçada em 62%, atingindo 3250 milhões de euros.

Durante a visita às obras da Marginal da Corimba, em Luanda, Montenegro sublinhou que esta é a quarta reunião bilateral com o Governo angolano no período, um sinal de relação “cada vez mais intensa e produtiva”.

As empresas portuguesas, sublinhou, são determinantes em infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento do país, actuando de forma diversificada em obras públicas, turismo, agricultura, saúde e educação.

Montenegro manifestou o desejo de maior celeridade na formação profissional, qualificando quadros em Angola e Portugal e contribuindo para o desenvolvimento mútuo. Referiu que 250 empresas portuguesas operam permanentemente em Angola, gerando emprego e melhorias para a população.

O chefe do Executivo português sublinhou ainda que, além de participar na Cimeira UE-UA, quis visitar o terreno para avaliar o impacto da cooperação, incluindo a reabilitação da escola de 1972, Ngola Kiluanje, com capacidade para 6 mil alunos e a nova marginal de Luanda.

Apontou a formação como eixo fundamental da cooperação, beneficiando ambos os países: angolanos procuram Portugal mais bem preparados e Angola ganha recursos humanos para integrar empresas no país. Montenegro mostrou ainda a disponibilidade para se criarem centros de formação, um “eixo essencial de competitividade”.


Polémicas à Parte


Questionado sobre queixas de activistas angolanos, alegadamente impedidos pela TAP de viajar para Cabo Verde por falta de autorização da AIMA, Montenegro afirmou desconhecer casos concretos. Sublinhou, contudo que as regras visam criar “um ambiente favorável à interacção entre os países de língua portuguesa e Portugal”.

Os fluxos de circulação entre Angola e Portugal funcionam, enquadrando-se numa estratégia de imigração regulada que dignifica o acolhimento e a integração, acrescentou Montenegro.

Montenegro frisou que a comunidade angolana em Portugal “está, massivamente, bem integrada”, mantendo “relações perfeitamente normais” com todos, “sem problema”. Destacou ainda “canais abertos” em sectores com carência de mão de obra para uma tramitação processual “mais acelerada”.

Sobre situações de trânsito internacional, como escalas em aeroportos, Montenegro afirmou que essas regras “não são o objecto da política de migração, âmago da relação entre Portugal e Angola”, mas assinalou que “existem normas próprias”.

Reforçou, contudo que “esse fluxo está bem regulado e oferece garantias aos cidadãos angolanos que querem ir para Portugal e vice-versa”.


Conclusão


A presença do Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro em Luanda, sublinha a importância da 7.ª Cimeira UE-UA como plataforma crucial para aprofundar a parceria estratégica entre os dois continentes.

Com o lema “Paz e Prosperidade via Multilateralismo Eficaz”, este encontro reforça o compromisso de Portugal em construir pontes diplomáticas, não só no âmbito multilateral europeu-africano, mas também no fortalecimento das suas relações bilaterais com Angola.

A visita de Montenegro vai além da participação protocolar, evidenciando a relevância contínua de Angola como parceiro estratégico e económico prioritário para Portugal. A cooperação intensa, os investimentos e os esforços conjuntos na formação profissional demonstram um laço que se fortalece, apesar de algumas polémicas pontuais.

Este encontro em Luanda, é um marco para a diplomacia europeia e africana e um reforço substancial da relação luso-angolana. Portugal reafirma assim o seu papel activo na promoção do diálogo e da cooperação, essenciais para enfrentar os desafios globais e consolidar um futuro de prosperidade mútua.

 


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Imagem: © 2025 Ampe Rogério
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