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Domingo, Janeiro 11, 2026

EUA Exigem Caução De 15 Mil USD Aos PALOP

Uma viagem aos EUA tornou-se, de um dia para o outro, um privilégio financeiro. Para milhares de cidadãos dos PALOP, o sonho de estudar, investir, participar em feiras ou simplesmente visitar familiares passou a exigir uma caução que ultrapassa largamente o seu rendimento anual médio.

EUA Exigem Caução De 15 Mil USD Aos PALOP


A decisão da administração dos Estados Unidos da América (EUA) de impor uma caução obrigatória a viajantes de determinados países marca um novo endurecimento das políticas migratórias do país, com impactos directos nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Actualizada a 6 de Janeiro de 2026 pelo Departamento de Estado norte-americano, a lista inclui 38 Estados cujos cidadãos são obrigados a pagar entre 5.000 e 15.000 dólares como condição adicional para pedidos de visto de turismo ou negócios.

No espaço lusófono africano, Angola e Cabo Verde integram esse grupo a partir de 21 de Janeiro, juntando-se à Guiné-Bissau (desde 1 de Janeiro) e a São Tomé e Príncipe (desde Outubro de 2025).

A justificação oficial assenta na necessidade de garantir que os viajantes regressem aos seus países de origem dentro do prazo legal do visto, mas a decisão levanta preocupações diplomáticas, económicas e sociais num espaço marcado por fortes desigualdades de rendimento e por relações históricas, académicas e comerciais com os EUA.


Novas Regras para Vistos


A imposição da caução representa, na prática, um obstáculo económico difícil de ultrapassar para a maioria dos cidadãos dos PALOP. Em Angola, onde o salário médio mensal permanece baixo, a exigência de até 15.000 dólares equivale a vários anos de rendimento para uma família comum.

O mesmo se aplica à Guiné-Bissau e a São Tomé e Príncipe, economias de pequena dimensão, dependentes de ajuda externa e remessas da diáspora. Cabo Verde, apesar de indicadores sociais mais favoráveis, também vê restringida a mobilidade de estudantes, empreendedores e profissionais com ligações aos EUA.

A caução não substitui outras exigências já existentes, como as taxas consulares, prova de meios de subsistência, seguro e entrevista presencial, acumulando-se como mais um filtro financeiro.

Impactos na Mobilidade


A medida afecta directamente os programas de intercâmbio académico, a participação em conferências e feiras de negócios. Para jovens estudantes dos PALOP, o acesso a universidades norte-americanas, já limitado por custos elevados, enfrenta agora um entrave adicional que pode inviabilizar bolsas parciais ou convites.

No sector empresarial, pequenas e médias empresas perdem capacidade de estabelecer contactos directos com parceiros nos EUA, participar em missões comerciais ou explorar oportunidades de investimento. O resultado previsível é um afastamento progressivo destes países de um dos principais centros económicos mundiais, num momento de apelo à diversificação de parcerias e mercados.


Desigualdade Latente


Embora administrativa, a exigência da caução tem uma leitura política. Para os analistas africanos, a selecção de países reflecte uma lógica de risco migratório, ignorando contextos e penalizando populações. Nos PALOP, a decisão é percepcionada como sinal de desconfiança institucional, podendo afectar relações diplomáticas e a imagem dos EUA junto das elites políticas e económicas locais.

A CPLP não reagiu oficialmente de forma concertada, mas fontes diplomáticas admitem que o tema poderá ser levantado em fóruns multilaterais, especialmente se a lista for alargada.

Justificações dos EUA


As autoridades dos EUA defendem a eficácia das cauções (variáveis entre 5.000 e 15.000 dólares) para garantir o cumprimento dos prazos de permanência legal. O valor será reembolsado após a saída comprovada do território, funcionando como mecanismo de dissuasão contra permanência irregular.

A medida enquadra-se num conjunto de decisões da administração do Presidente Donald Trump, incluindo o reforço de entrevistas e maior escrutínio de vistos. Críticos sublinham, contudo, a ausência de dados públicos que demonstrem a eficácia real da caução como controlo migratório, especialmente em países com baixo poder de compra.


Conclusão


A introdução da caução obrigatória para vistos de turismo e negócios representa um novo capítulo nas relações entre os EUA e os PALOP, com consequências que vão muito para além da migração. Ao elevar o custo de entrada, Washington limita a mobilidade, reduz intercâmbios e aprofunda assimetrias.

Para Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, o desafio é avaliar impactos, proteger oportunidades de formação e investimento e ponderar respostas diplomáticas. Num mundo que proclama a circulação de ideias e pessoas como motor de desenvolvimento, a caução torna-se símbolo de um sistema selectivo, onde viajar é questão de capacidade financeira.

 


O que pensas desta tomada de posição dos EUA? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © 2026 Francisco Lopes-Santos
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