8.4 C
Londres
Domingo, Janeiro 11, 2026

CEDEAO Pressiona Militares Na Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau voltou a ocupar o centro das atenções regionais quando uma missão de alto nível da CEDEAO aterrou em Bissau para exigir o que os militares continuam a adiar: uma transição breve, civil e inclusiva que devolva o país à ordem constitucional.

CEDEAO Pressiona Militares Na Guiné-Bissau


A CEDEAO pressiona os militares na Guiné-Bissau, exigindo uma transição curta, civil e inclusiva após o golpe de Estado de Novembro de 2025 que mergulhou o país num novo impasse político. A Guiné-Bissau voltou, assim, a ocupar o centro das atenções regionais, com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental a reforçar a sua ofensiva diplomática sobre a junta militar que governa o país.

Esta intervenção visa reclamar uma transição rápida, liderada por um Governo que seja inclusivo e representativo da vasta diversidade política e social guineense. A organização regional tem como objectivo primordial forçar uma transição que restabeleça a ordem constitucional, num cenário de crescente tensão e incerteza que tem sido motivo de preocupação para toda a comunidade internacional.


Pressão Regional


Neste fim de semana, a CDEAO reforçou a sua ofensiva diplomática sobre a junta militar que governa a Guiné-Bissau, reclamando uma transição rápida, liderada por um Governo inclusivo e representativo da diversidade política e social guineense.

Esta posição foi reiterada publicamente pelo Presidente da Serra Leoa e líder em exercício da organização regional, Julius Maada Bio, no rescaldo de uma missão de alto nível a Bissau, marcada por encontros tensos com o Alto Comando Militar e por um silêncio institucional que alimenta incertezas quanto ao desfecho do processo.

“As nossas conversações foram construtivas e reiterei o apelo para uma transição breve, liderada por um Governo inclusivo que reflicta o espectro político e a sociedade da Guiné-Bissau”.

Escreveu Bio na rede social X, sublinhando que a posição da CEDEAO segue as decisões tomadas na 68.ª reunião da organização, realizada em Abuja, capital da Nigéria. Nesse encontro, o bloco regional rejeitou formalmente o programa de transição anunciado pelos militares e exigiu a libertação imediata de todos os detidos políticos.

A missão foi chefiada por Julius Maada Bio e contou com a presença do Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, bem como do presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Alieu Touray.

À chegada a Bissau, a delegação foi recebida pelo general Horta N’ta, nomeado “presidente de transição” após o golpe, pelo Primeiro-Ministro Ilídio Vieira Té, pelo chefe da diplomacia guineense e por membros do Alto Comando Militar, órgão que actualmente exerce o poder efectivo no país.


Impasse e Sanções


O ponto central das divergências entre a CEDEAO e os líderes militares reside na natureza e duração da transição. A organização regional defende um processo liderado por civis, com duração máxima de quatro meses, enquanto a junta anunciou unilateralmente um Governo de transição com prazo até um ano.

Outro tema sensível foi a situação do líder da oposição e presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, detido desde o golpe e ainda sob custódia, apesar da libertação recente de outras figuras políticas. Após cerca de cinco horas de reuniões, a delegação da CEDEAO abandonou as instalações oficiais sem prestar declarações à imprensa, alimentando um clima de expectativa e incerteza na capital.

Antes de deixar o país, os enviados regionais visitaram o Ministério do Interior, onde se encontra detido Domingos Simões Pereira e deslocaram-se à Embaixada da Nigéria, onde está refugiado Fernando Dias da Costa, candidato presidencial independente apoiado pelo PAIGC.

A CEDEAO já advertiu que poderá aplicar sanções selectivas a indivíduos ou grupos que impeçam o regresso à ordem constitucional. O golpe de Estado de 26 de Novembro, ocorrido na véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, foi amplamente condenado pela organização regional.

O silêncio que se seguiu à partida da missão da CEDEAO não dissipou as tensões políticas nem as preocupações regionais. Pelo contrário, reforçou a percepção de que o impasse permanece e que o próximo passo, seja ele de abertura ou de confronto institucional, poderá definir o rumo do país nos próximos anos.

Com um historial marcado por sucessivos golpes desde a independência em 1974, a Guiné-Bissau volta a enfrentar um momento decisivo. Alem da CEDEAO, o actual golpe também foi condenado pelas Nações Unidas, pela União Africana, pela União Europeia e pela CPLP, todas exigindo o restabelecimento imediato da legalidade constitucional.


Conclusão


A complexidade da situação na Guiné-Bissau, com a intervenção da CEDEAO e a persistência do impasse político, reflecte desafios mais amplos de governação e estabilidade na África Ocidental.

A capacidade de organizações regionais em mediar crises e promover a democracia é constantemente testada em contextos onde os factores internos e os externos se entrelaçam, exigindo uma diplomacia robusta e, por vezes, medidas mais assertivas para garantir o respeito pelos princípios constitucionais e pelos direitos humanos.

O futuro da Guiné-Bissau permanece incerto, dependendo largamente da capacidade de diálogo e compromisso entre as partes envolvidas e da firmeza da comunidade internacional na defesa dos valores democráticos.

 


O que pensas desta tomada de posição da CEDEAO? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © 2026 DR
Logo Mais Afrika 544
Mais Afrika

Ultimas Notícias
Noticias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leave the field below empty!

Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

error: Content is protected !!