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ToggleCEDEAO Pressiona Militares Na Guiné-Bissau
A CEDEAO pressiona os militares na Guiné-Bissau, exigindo uma transição curta, civil e inclusiva após o golpe de Estado de Novembro de 2025 que mergulhou o país num novo impasse político. A Guiné-Bissau voltou, assim, a ocupar o centro das atenções regionais, com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental a reforçar a sua ofensiva diplomática sobre a junta militar que governa o país.
Esta intervenção visa reclamar uma transição rápida, liderada por um Governo que seja inclusivo e representativo da vasta diversidade política e social guineense. A organização regional tem como objectivo primordial forçar uma transição que restabeleça a ordem constitucional, num cenário de crescente tensão e incerteza que tem sido motivo de preocupação para toda a comunidade internacional.
Pressão Regional
Neste fim de semana, a CDEAO reforçou a sua ofensiva diplomática sobre a junta militar que governa a Guiné-Bissau, reclamando uma transição rápida, liderada por um Governo inclusivo e representativo da diversidade política e social guineense.
Esta posição foi reiterada publicamente pelo Presidente da Serra Leoa e líder em exercício da organização regional, Julius Maada Bio, no rescaldo de uma missão de alto nível a Bissau, marcada por encontros tensos com o Alto Comando Militar e por um silêncio institucional que alimenta incertezas quanto ao desfecho do processo.
“As nossas conversações foram construtivas e reiterei o apelo para uma transição breve, liderada por um Governo inclusivo que reflicta o espectro político e a sociedade da Guiné-Bissau”.
Escreveu Bio na rede social X, sublinhando que a posição da CEDEAO segue as decisões tomadas na 68.ª reunião da organização, realizada em Abuja, capital da Nigéria. Nesse encontro, o bloco regional rejeitou formalmente o programa de transição anunciado pelos militares e exigiu a libertação imediata de todos os detidos políticos.
A missão foi chefiada por Julius Maada Bio e contou com a presença do Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, bem como do presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Alieu Touray.
À chegada a Bissau, a delegação foi recebida pelo general Horta N’ta, nomeado “presidente de transição” após o golpe, pelo Primeiro-Ministro Ilídio Vieira Té, pelo chefe da diplomacia guineense e por membros do Alto Comando Militar, órgão que actualmente exerce o poder efectivo no país.
Impasse e Sanções
O ponto central das divergências entre a CEDEAO e os líderes militares reside na natureza e duração da transição. A organização regional defende um processo liderado por civis, com duração máxima de quatro meses, enquanto a junta anunciou unilateralmente um Governo de transição com prazo até um ano.
Outro tema sensível foi a situação do líder da oposição e presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, detido desde o golpe e ainda sob custódia, apesar da libertação recente de outras figuras políticas. Após cerca de cinco horas de reuniões, a delegação da CEDEAO abandonou as instalações oficiais sem prestar declarações à imprensa, alimentando um clima de expectativa e incerteza na capital.
Antes de deixar o país, os enviados regionais visitaram o Ministério do Interior, onde se encontra detido Domingos Simões Pereira e deslocaram-se à Embaixada da Nigéria, onde está refugiado Fernando Dias da Costa, candidato presidencial independente apoiado pelo PAIGC.
A CEDEAO já advertiu que poderá aplicar sanções selectivas a indivíduos ou grupos que impeçam o regresso à ordem constitucional. O golpe de Estado de 26 de Novembro, ocorrido na véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, foi amplamente condenado pela organização regional.
O silêncio que se seguiu à partida da missão da CEDEAO não dissipou as tensões políticas nem as preocupações regionais. Pelo contrário, reforçou a percepção de que o impasse permanece e que o próximo passo, seja ele de abertura ou de confronto institucional, poderá definir o rumo do país nos próximos anos.
Com um historial marcado por sucessivos golpes desde a independência em 1974, a Guiné-Bissau volta a enfrentar um momento decisivo. Alem da CEDEAO, o actual golpe também foi condenado pelas Nações Unidas, pela União Africana, pela União Europeia e pela CPLP, todas exigindo o restabelecimento imediato da legalidade constitucional.
Conclusão
A complexidade da situação na Guiné-Bissau, com a intervenção da CEDEAO e a persistência do impasse político, reflecte desafios mais amplos de governação e estabilidade na África Ocidental.
A capacidade de organizações regionais em mediar crises e promover a democracia é constantemente testada em contextos onde os factores internos e os externos se entrelaçam, exigindo uma diplomacia robusta e, por vezes, medidas mais assertivas para garantir o respeito pelos princípios constitucionais e pelos direitos humanos.
O futuro da Guiné-Bissau permanece incerto, dependendo largamente da capacidade de diálogo e compromisso entre as partes envolvidas e da firmeza da comunidade internacional na defesa dos valores democráticos.
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Imagem: © 2026 DR
