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ToggleCAN 2025 Faz Pausa Para O Natal
O Campeonato Africano das Nações 2025 (CAN 2025) entrou oficialmente em pausa natalícia esta quinta-feira, numa interrupção simbólica de apenas 24 horas num calendário apertado e exigente.
Disputado em Marrocos, o torneio arrancou no domingo e, em apenas quatro dias, ofereceu futebol de alta intensidade, decisões nos minutos finais e confirmações de estatuto para várias selecções apontadas como candidatas ao título.
A pausa surge como um breve momento de respiração antes de duas jornadas decisivas da fase de grupos, que serão disputadas na próxima semana e que começarão a definir com maior clareza o caminho para os oitavos-de-final. Até aqui, o equilíbrio tem sido uma nota dominante, ainda que algumas equipas tenham conseguido impor-se com autoridade.
O anfitrião Marrocos inaugurou a competição com uma vitória por 2-0 frente às Comores, num jogo marcado mais pelo nervosismo inicial do que pelo brilho. Apesar do triunfo, os Leões do Atlas sentiram o peso da responsabilidade de jogar em casa, num torneio para o qual o país investiu fortemente em infra-estruturas e organização, já com o olhar posto no Mundial de 2030.
Os Resultados de ontem
Camarões vs Gabão

No Grupo F, os Camarões começaram o Campeonato Africano das Nações com uma vitória curta, mas significativa frente ao Gabão, impondo-se por 1-0 num encontro marcado pelo equilíbrio táctico e pela intensidade física.
O golo decisivo surgiu muito cedo, logo aos seis minutos, numa jogada que espelhou a identidade ofensiva dos Leões Indomáveis: transição rápida, critério na circulação e eficácia no momento certo. Bryan Mbeumo, uma das figuras mais influentes da equipa, conduziu a jogada pelo flanco e serviu Karl Etta Eyong, que finalizou com frieza, aproveitando uma desatenção da defensiva gabonesa.
A partir daí, o encontro ganhou contornos mais fechados. Os Camarões optaram por uma gestão inteligente da vantagem, reforçando o bloco defensivo e apostando na solidez colectiva, uma das imagens de marca da selecção ao longo das últimas edições do CAN.
O Gabão tentou reagir, sobretudo na segunda parte, com maior posse de bola e aproximações sucessivas à área adversária, mas encontrou sempre uma defesa bem organizada e um guarda-redes atento.
Pierre-Emerick Aubameyang foi a principal referência ofensiva dos Panteras, procurando espaços entre linhas e assumindo a responsabilidade nos momentos decisivos. No entanto, apesar do esforço e da experiência do avançado, faltou clarividência no último terço do terreno. As ocasiões criadas foram escassas e raramente colocaram em verdadeiro perigo a baliza camaronesa.
Com este triunfo, os Camarões colocam-se numa posição confortável no grupo, ganhando margem antes do confronto decisivo com a Costa do Marfim. Mais do que os três pontos, a exibição reforçou a ideia de uma equipa madura, competitiva e consciente do que é necessário para avançar numa prova tradicionalmente exigente como o CAN.
Costa do Marfim vs Moçambique

Ainda no Grupo F, a Costa do Marfim iniciou a defesa do título com uma vitória por 1-0 frente a Moçambique, num jogo em que o pragmatismo se sobrepôs ao espectáculo. Os Elefantes não apresentaram o seu melhor futebol, mas mostraram a capacidade de resolver partidas difíceis, característica habitual das selecções que ambicionam ir longe na competição.
O encontro foi equilibrado durante a primeira parte, com Moçambique a apresentar uma organização defensiva sólida e a dificultar a circulação ofensiva marfinense. Os Mambas fecharam bem os espaços e conseguiram, durante largos períodos, travar a criatividade do meio-campo adversário, obrigando a Costa do Marfim a recorrer a soluções exteriores e a remates de meia distância.
A decisão surgiu logo no início da segunda parte. Amad Diallo, aproveitando um lance bem trabalhado, marcou o único golo do encontro, desbloqueando uma partida que se anunciava complicada. A partir desse momento, os campeões em título optaram por controlar o ritmo do jogo, baixando linhas e explorando a experiência do seu sector intermédio para gerir a vantagem.
Moçambique tentou reagir, mas voltou a evidenciar dificuldades na construção ofensiva. Apesar do empenho e da disciplina táctica, os Mambas raramente conseguiram criar situações claras de golo, prolongando uma série negativa de jogos sem vencer na fase final do CAN. Faltou profundidade, criatividade e capacidade de surpreender uma defesa experiente.
Para a Costa do Marfim, o resultado cumpre o essencial: três pontos e tranquilidade numa fase inicial sempre delicada. Para Moçambique, fica a necessidade de corrigir rapidamente os problemas ofensivos se quiser manter vivas as aspirações no grupo.
Argélia vs Sudão

No Grupo E, a Argélia foi a selecção mais convincente da jornada, ao vencer o Sudão por 3-0 numa exibição que combinou autoridade, eficácia e liderança. Desde os primeiros minutos, os Guerreiros do Deserto assumiram o controlo do jogo, pressionando alto e impondo um ritmo intenso que o adversário teve dificuldade em acompanhar.
Riyad Mahrez esteve em evidência, não apenas pelos dois golos apontados, mas pela forma como liderou a equipa dentro de campo. O capitão argelino foi decisivo na ligação entre sectores, assumiu responsabilidades nos momentos-chave e deu tranquilidade ao jogo da sua selecção. Ibrahim Maza fechou o marcador, coroando uma exibição colectiva sólida.
O encontro ficou praticamente resolvido ainda na primeira parte, sobretudo após a expulsão de Salaheldin Alhassan, que deixou o Sudão reduzido a dez unidades. A inferioridade numérica condicionou de forma clara a estratégia sudanesa, obrigando a equipa a recuar ainda mais e a limitar-se a tentar resistir.
Ainda assim, a superioridade da Argélia já era evidente antes da expulsão. A selecção mostrou organização táctica, qualidade técnica e uma profundidade de plantel que a coloca, desde já, como uma das principais candidatas ao primeiro lugar do grupo. A vitória clara envia uma mensagem forte aos adversários e reforça a ambição de regressar aos grandes palcos do futebol africano.
Burkina Faso vs Guiné Equatorial

Também no Grupo E, o Burkina Faso protagonizou um dos momentos mais dramáticos do torneio até ao momento, ao vencer a Guiné Equatorial por 2-1 com um golo de Edmond Tapsoba já aos 90+8 minutos. Foi um jogo carregado de tensão, reviravoltas e emoção, espelhando bem a imprevisibilidade que caracteriza o Campeonato Africano das Nações.
A partida foi marcada pelo equilíbrio durante grande parte do tempo regulamentar, com ambas as selecções a privilegiarem a organização defensiva e a cautela. O Burkina Faso assumiu maior iniciativa, mas encontrou dificuldades para desmontar o bloco adversário, enquanto a Guiné Equatorial apostava em transições rápidas e bolas paradas.
O momento-chave surgiu na recta final, quando a Guiné Equatorial conseguiu marcar, silenciando momentaneamente os adeptos burquinabés. No entanto, a reacção foi imediata. O Burkina Faso mostrou carácter, avançou linhas e acreditou até ao último segundo. Nos descontos, Georgi Minoungou empatou a partida, relançando o encontro num curto espaço de tempo.
Quando tudo parecia encaminhar-se para um empate, Edmond Tapsoba surgiu na área para marcar o golo da vitória aos 90+8 minutos, num lance que provocou cenas de euforia no banco e nas bancadas. Um triunfo sofrido, mas merecido, que pode ter um peso psicológico determinante na luta pelo apuramento.
Este jogo confirmou que, no CAN, nenhum resultado está garantido até ao apito final e que a capacidade de reagir à adversidade pode ser tão decisiva quanto a qualidade técnica.
A Primeira Ronda do CAN 2025

A primeira ronda confirmou desde cedo a competitividade e a imprevisibilidade que caracterizam a maior prova do futebol africano. Em Marrocos, anfitrião do torneio, os jogos inaugurais mostraram um equilíbrio acentuado entre favoritos e selecções teoricamente menos cotadas, com vitórias sofridas, empates dramáticos e decisões nos minutos finais.
O arranque coube precisamente ao anfitrião, que venceu as Comores por 2-0, num jogo marcado mais pelo nervosismo do que pelo brilho. Depois de uma primeira parte sem golos e com um penálti desperdiçado, Marrocos resolveu o encontro na segunda metade, confirmando os três pontos, mas deixando sinais de que o favoritismo não garante facilidades.
Ainda no Grupo A, Mali e Zâmbia empataram a uma bola, num duelo intenso decidido nos descontos, com Patson Daka a resgatar os zambianos depois de um penálti falhado pelos malianos.
No Grupo B, a África do Sul começou com uma vitória importante frente a Angola (2-1) que assumiram vantagem no grupo à espera do Egipto. Os egípcios, por sua vez, estrearam-se com uma reviravolta dramática frente ao Zimbabwe, mantendo Mohamed Salah como figura central apesar das atenções mediáticas que o rodeiam.
Os campeões em título, Costa do Marfim, entraram a ganhar no Grupo F, mas sem grande exuberância, derrotando Moçambique por 1-0. No mesmo grupo, os Camarões bateram o Gabão por 1-0, com golo madrugador de Karl Etta Eyong, mostrando maturidade competitiva e solidez defensiva.
No Grupo E, a Argélia apresentou-se como uma das selecções mais convincentes da ronda, goleando o Sudão por 3-0, com Riyad Mahrez em plano de destaque. Já o Burkina Faso protagonizou um dos momentos mais emocionantes da jornada ao vencer a Guiné Equatorial por 2-1, com uma reviravolta consumada aos 90+8 minutos.
Angola e Moçambique
Entre as selecções lusófonas, o balanço da primeira jornada é exigente. Angola perdeu por 2-1 frente à África do Sul, num jogo em que os Palancas Negras mostraram qualidade na primeira parte, mas acusaram desgaste físico na etapa complementar. O golo decisivo de Lyle Foster confirmou a superioridade sul-africana nos momentos finais, deixando Angola pressionada para o duelo com o Zimbabwe.
Moçambique, por sua vez, saiu derrotado frente à Costa do Marfim, apesar de uma exibição organizada e disciplinada. A falta de capacidade ofensiva voltou a ser determinante, num grupo extremamente competitivo onde cada detalhe pode ditar o destino.
A primeira ronda deixou, assim, sinais claros de equilíbrio, emoção e exigência máxima, prometendo uma fase de grupos intensa até ao final do ano.
O Que Esperar Depois do Natal
A pausa natalícia não altera o ritmo exigente da competição. Já amanhã, os olhares estarão centrados em vários encontros decisivos, com destaque para Marrocos–Mali, um teste sério às ambições do anfitrião, e para Egipto–África do Sul, confronto que poderá redefinir o equilíbrio do Grupo B.
A fase de grupos termina a 31 de Dezembro, com os oitavos-de-final agendados para 3 de Janeiro. A final está marcada para 18 de Janeiro, num torneio que, apesar da breve pausa, promete intensificar-se à medida que a margem de erro desaparece.
A Polémica

A decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de alterar a periodicidade do Campeonato Africano das Nações, passando o torneio de bienal para quadrienal a partir de 2028, abriu um dos debates mais intensos no futebol africano dos últimos anos.
O anúncio foi feito pelo presidente da CAF, Patrice Motsepe, na véspera do arranque do CAN 2025, em Marrocos, e apanhou de surpresa grande parte do meio futebolístico continental.
Desde 1957, o CAN realizava-se de dois em dois anos, funcionando não apenas como principal competição de selecções em África, mas também como espaço regular de afirmação, renovação e crescimento para muitas equipas nacionais.
Segundo a liderança da CAF, a mudança visa alinhar melhor o calendário africano com o panorama mundial do futebol, reduzindo conflitos com competições internacionais e com os calendários dos grandes clubes, sobretudo europeus, onde actuam centenas de futebolistas africanos.
Para compensar a redução da frequência do CAN, a CAF anunciou ainda a criação de uma nova competição anual, inspirada na Liga das Nações europeia, adaptada à realidade africana e com início previsto para 2029. Contudo, as reacções foram imediatas e contraditórias.
Vários seleccionadores africanos manifestaram desconforto, considerando a decisão uma cedência excessiva à FIFA e aos interesses do futebol europeu. Tom Saintfiet, seleccionador do Mali, foi um dos mais críticos, defendendo que África deve preservar a sua autonomia competitiva e recordando que a regularidade do CAN sempre foi um dos pilares do desenvolvimento do futebol continental.
Também Paul Put, técnico do Uganda, questionou se a decisão não estará relacionada com o alargamento do Mundial e do Mundial de Clubes, ambos promovidos pela FIFA.
As Críticas
As críticas estenderam-se à forma como a decisão foi tomada. Fontes internas da CAF admitiram que o Comité Executivo não foi previamente consultado, sublinhando que a alteração levanta desafios logísticos e competitivos complexos, sobretudo num contexto em que o torneio envolve agora 24 selecções e fases de qualificação longas e exigentes.
Por outro lado, vozes como a de Walid Regragui, seleccionador de Marrocos, adoptaram uma posição mais cautelosa, reconhecendo vantagens e riscos numa mudança que pode tornar o CAN mais atractivo, mas que também retira oportunidades regulares de crescimento às selecções emergentes.
Entre prudência, expectativa e contestação, a decisão da CAF marca um ponto de viragem no futebol africano e promete continuar a dividir opiniões muito para além do CAN 2025.
Conclusão
O CAN 2025 entra em pausa apenas no calendário, não na intensidade nem na expectativa. Os primeiros jogos confirmaram que não há espaço para facilidades e que tradição, favoritismo ou estatuto pouco valem sem consistência em campo.
Com grupos ainda longe de estarem decididos, o regresso da competição após o Natal promete jornadas de elevada tensão competitiva, onde cada ponto poderá ser decisivo. O Campeonato Africano das Nações segue firme, imprevisível e fiel à sua reputação de ser uma das provas mais exigentes e emocionantes do futebol mundial.
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Imagem: © 2025 CAF / Francisco Lopes-Santos
