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ToggleCAN 2025 Começa Este Domingo (Saiba Tudo)
O Campeonato Africano das Nações de 2025 (CAN 2025), o maior evento do futebol africano, arranca já no próximo domingo, 21 de Dezembro de 2025, com Marrocos, o anfitrião, a defrontar as Comores em Rabat.
Esta 35.ª edição do CAN que se estenderá até 18 de Janeiro de 2026, dia em que se vai ficar a conhecer o novo campeão africano, promete uma disputa acesa pelo título entre as principais potências do continente, como a Costa do Marfim, o Egipto e a Nigéria, mas também duas selecções que representam a lusofonia, Moçambique e Angola.
Esta será a primeira edição realizada nesse período, uma decisão estratégica da Confederação Africana de Futebol (CAF) e da FIFA para facilitar a participação dos jogadores que actuam em clubes europeus, garantindo assim a presença das maiores estrelas e um espectáculo de alto nível.
O CAN 2025

37 anos depois, Marrocos regressa como anfitrião, recebendo o CAN pela segunda vez. As partidas disputam-se em nove estádios espalhados por seis cidades-sede: Rabat, Casablanca, Fez, Tânger, Marraquexe e Agadir.
A organização procura consolidar uma imagem de estabilidade e capacidade logística, num período em que o país já trabalha com metas de longo prazo para grandes competições, incluindo a rota até 2030. A competição contará com 24 selecções divididas em seis grupos de quatro, com apuramento para os oitavos de final das duas melhores de cada grupo e dos quatro melhores terceiros classificados.
Este modelo aumenta a margem de erro, mas também eleva a exigência táctica quando a fase a eliminar começa. O anfitrião entra com a vantagem natural de actuar em casa e com um histórico recente que alimenta expectativas, ainda que, neste milénio, os anfitriões nem sempre tenham confirmado o favoritismo.
Histórico da Competição
O CAN nasceu em 1957 e, na edição inaugural, o Egipto conquistou o primeiro título num torneio reduzido que juntou Egipto, Etiópia e Sudão. Desde então, a prova tornou-se um termómetro do futebol africano e um palco onde rivalidades históricas se renovam.
O Egipto continua a ser o maior vencedor com sete títulos e é também a única selecção com três conquistas consecutivas (2006, 2008 e 2010), seguido pelos Camarões (cinco) e peço Gana (quatro). A actual campeã a Costa do Marfim, chega novamente entre as favoritas e procura o quarto título, enquanto o Senegal e a Nigéria entram com a pressão típica de quem tem talento suficiente para ir longe.
Entre os confrontos de grupo que prometem atenção redobrada, destaca-se a luta no Grupo D, com o Senegal e a República Democrática do Congo (campeã em 1968 e 1974) num duelo que pode definir o rumo da série.
O Marrocos, campeão em 1976, tenta repetir a proeza quase cinco décadas depois e conta com a força do contexto de jogar em casa, ter um grupo com profundidade e apresentar uma geração habituada a ambientes de alta exigência.
No entanto, desde 2000, em 13 edições, apenas três países venceram em casa: Tunísia (2004), Egipto (2006) e Costa do Marfim (2024), esta última com uma reviravolta na final frente à Nigéria (2-1), marcada por Sébastien Haller. O Marrocos quer contrariar essa tendência e aproveitar o embalo de uma selecção que ganhou estatuto mundial desde 2022, com nomes de topo e uma identidade competitiva forte.
A Lusofonia no CAN 2025

O CAN 2025 volta a ter duas selecções lusófonas em campo: Angola e Moçambique. Em contrapartida, a Guiné-Bissau, presente nas quatro últimas edições, fica de fora e Cabo Verde também não aparece neste quadro, apesar de estar apontado como participante no Campeonato do Mundo do próximo ano.
Angola marca presença pela décima vez e integra o Grupo B com o Egipto, a África do Sul e o Zimbabwe, um grupo onde cada ponto terá valor elevado e onde a gestão emocional pode ser tão determinante como a gestão táctica. Na última edição, os Palancas Negras chegaram aos quartos de final e caíram diante da Nigéria por 1-0, num jogo em que a margem foi mínima.
A grande novidade passa pela mudança no comando técnico, com a substituição de Pedro Gonçalves pelo francês Patrice Beaumelle, o que torna este CAN também um teste de adaptação, identidade e resposta sob pressão.
Moçambique, por sua vez, participa pela sexta vez e surge no Grupo F com a Costa do Marfim, os Camarões e o Gabão, uma série de exigência alta que coloca os Mambas perante adversários com rotinas de competição e profundidade competitiva.
Na edição anterior, os Mambas não passaram da fase de grupos, mas chegam agora com a expectativa de ser mais consistentes e competitivos, num caminho onde cada detalhe — desde a preparação física ao pragmatismo em jogos fechados — poderá decidir o destino. A grande novidade na convocatória é a presença de Dominguez, um médio de 42 anos.
A Competição

Pela primeira vez, o CAN será jogado no virar do ano, entre Dezembro e Janeiro, uma decisão estratégica da CAF para mitigar o conflito com os calendários europeus, onde actua a maioria dos jogadores convocados.
A selecção marroquina chega a esta edição embalada pela recente conquista da Taça Árabe e por uma trajectória internacional consistente, reforçada pela histórica presença nas meias-finais do Mundial de 2022. Na corrida pelo título do CAN 2025, Marrocos enfrenta concorrência de peso.
O Egipto, a nação mais titulada da prova com sete conquistas, surge naturalmente entre os favoritos, tal como a Nigéria e o Senegal. A Argélia, a Costa do Marfim e os Camarões completam o leque de selecções com potencial para discutir o troféu, mesmo num contexto de instabilidade interna que tem marcado os Leões Indomáveis.
Os Craques
Cumprindo com a tradição, a edição do CAN 2025 está recheada de talento, grande parte dele moldado no futebol europeu. Marrocos destaca-se com nomes como Bono, actualmente no Al Hilal, Achraf Hakimi, do Paris Saint-Germain e Brahim Díaz, do Real Madrid, figuras centrais de uma equipa cuja intensidade e organização táctica são marcas distintivas.
No Egipto, Mohamed Salah, do Liverpool, continua a ser a principal referência, acompanhado por Omar Marmoush, do Manchester City. O estatuto de estrela estende-se a outros protagonistas do continente, como Victor Osimhen, da Nigéria, Riyad Mahrez, da Argélia, Sadio Mané, do Senegal e Bryan Mbeumo, dos Camarões.
Os campeonatos portugueses terão também forte representação no CAN 2025, com 17 jogadores convocados. Seis deles integram a selecção de Moçambique, encabeçados por Geny Catamo, do Sporting e acompanhados por Diogo Calila, Witi, Kenys Abdala, Kimiss Zavala e Chamito. Zaidu, do FC Porto, representa a Nigéria, enquanto Angola contará com Jonathan Buatu, Pedro Bondo e Beni Mukendi.
A Costa do Marfim chamou Ousmane Diomande e Konan, ambos a actuar em Portugal. Completam a lista Iyad Mohamed e Rémy Vita, pelas Comores, Yaya Sithole, pela África do Sul, Dokou Dodo, pelo Benim e Amadou Danté, pelo Mali. O defesa Sekou Niakaté, do Sp. Braga, também fazia parte dos planos do Mali, mas ficará de fora devido a lesão.
Bola e Mascote do CAN 2025
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A bola oficial da competição, baptizada de ITRI, foi apresentada em conjunto pela CAF e pela Puma. O nome significa “estrela” em amazigh, idioma ancestral do Norte de África, em referência à bandeira de Marrocos e às ambições das 24 selecções participantes.
O design da bola traz inspiração nos padrões geométricos do zellige, arte tradicional marroquina, com uma estrela central e linhas fluidas que simbolizam energia, movimento, unidade e a riqueza cultural do futebol africano.
Além da bola, a mascote oficial da edição é Assad, inspirado no Leão do Atlas, símbolo nacional de Marrocos. Representando força, orgulho e identidade cultural, a mascote animará os estádios, as fanzones e os eventos comunitários, além de actuar como embaixador do torneio em acções voltadas ao desenvolvimento do futebol de base e de programas para jovens no continente.
Forte Investimento
A dimensão organizativa do CAN 2025 reflecte-se num investimento significativo em infra-estruturas. A 35.ª edição da competição será disputada em nove estádios, distribuídos pelas cidades de Rabat, Casablanca, Tânger, Marraquexe, Agadir e Fez.
O jogo inaugural, a 21 de Dezembro e a final, a 18 de Janeiro, terão lugar no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, com capacidade para 68 700 espectadores. Apenas o Estádio Ibn Batouta, em Tânger, o supera em dimensão, podendo receber até 75 000 pessoas.
As autoridades marroquinas investiram mais de 870 milhões de euros na modernização das infra-estruturas desportivas, num esforço integrado num plano mais vasto que prevê cerca de dois mil milhões de euros até 2030, ano em que Marrocos acolherá a fase final do Mundial, em organização conjunta com Portugal e Espanha.
Ao longo de quase um mês de competição, serão disputados 52 jogos, todos sob o olhar atento do Mais Afrika que acompanhará cada momento desta grande festa do futebol africano.
Conclusão
O CAN 2025 chega com o peso de uma competição histórica e com a ambição de ser lembrado tanto pelos jogos como pela escala da organização.
Marrocos quer vencer em casa e confirmar o estatuto que conquistou nos últimos anos, mas o caminho estará cheio de obstáculos, desde potências tradicionais como o Egipto, os Camarões ou a Nigéria até selecções em ascensão que entram com sede de afirmação.
Para a lusofonia, Angola e Moçambique representam dois percursos diferentes, mas a mesma oportunidade: transformar a fase de grupos num ponto de partida para uma campanha marcada por competitividade e maturidade.
Com 52 jogos e uma final marcada para 18 de Janeiro de 2026, o CAN 2025 promete emoção, pressão e histórias novas num palco antigo, onde cada edição reescreve a hierarquia do futebol africano.
Calendário do CAN 2025
GRUPO A
1.ª Jornada:
Domingo, 21 Dezembro:
Marrocos – Comores, no Estádio Prince Moulay Abdellah, Rabat, 20:00
Segunda-feira, 22 Dezembro:
Mali – Zâmbia, no Estádio Mohammed V, Casablanca, 15:00
2.ª Jornada:
Sexta-feira, 26 Dezembro:
Zâmbia – Comores, no Estádio Mohammed V, Casablanca, 18:30
Marrocos – Mali, no Estádio Prince Moulay Abdellah, Rabat, 21:00
3.ª Jornada:
Segunda-feira, 29 Dezembro:
Zâmbia – Marrocos, no Estádio Prince Moulay Abdellah, Rabat, 20:00
Comores – Mali, no Estádio Mohammed V, Casablanca, 20:00
GRUPO B
1.ª Jornada:
Segunda-feira, 22 Dezembro:
África do Sul – Angola, no Estádio Marraquexe, 18:00
Egipto – Zimbabwe, no Estádio Adrar, Agadir, 21:00
2.ª Jornada:
Sexta-feira, 26 Dezembro:
Angola – Zimbabwe, no Estádio Marraquexe, 13:30
Egipto – África do Sul, no Estádio Adrar, Agadir, 16:00
3.ª Jornada:
Segunda-feira, 29 Dezembro:
Angola – Egipto, no Estádio Adrar, Agadir, 17:00
Zimbabwe – África do Sul, no Estádio Marraquexe, 17:00
GRUPO C
1.ª Jornada:
Terça-feira, 23 dez:
Nigéria – Tanzânia, no Estádio Fez, 18:30
Tunísia – Uganda, no Estádio Olímpico de Rabat, 21:00
2.ª Jornada:
Sábado, 27 Dezembro:
Uganda – Tanzânia, no Estádio Al Medina, Rabat, 18:30
Nigéria – Tunísia, no Estádio Fez, 21:00
3.ª Jornada:
Terça-feira, 30 Dezembro:
Uganda – Nigéria, no Estádio Fez, 17:00
Tanzânia – Tunísia, no Estádio Olímpico de Rabat, 17:00
GRUPO D
1.ª Jornada:
Terça-feira, 23 Dezembro:
RDC – Benim, no Estádio Al Medina, Rabat, 13:30
Senegal – Botsuana, no Estádio Grand Tânger, 16:00
2.ª Jornada:
Sábado, 27 Dezembro:
Benim – Botsuana, no Estádio Olímpico de Rabat, 13:30
Senegal – RDC, no Estádio Grand Tânger, 16:00
3.ª Jornada:
Terça-feira, 30 Dezembro:
Benim – Senegal, no Estádio Grand Tânger, 20:00
Botsuana – RDC, no Estádio Al Medina, Rabat 20:00
GRUPO E
1.ª Jornada:
Quarta-feira, 24 Dezembro:
Burquina Faso – Guiné Equatorial, no Estádio Mohammed V, Casablanca, 13:30
Argélia – Sudão, no Estádio Moulay Hassan, Rabat, 16:00
2.ª Jornada:
Domingo, 28 Dezembro:
Guiné Equatorial – Sudão, no Estádio Mohammed V, Casablanca, 16:00
Argélia – Burquina Faso, no Estádio Moulay Hassan, Rabat, 18:30
3.ª Jornada:
Quarta-feira, 31 Dezembro:
Guiné Equatorial – Argélia, no Estádio Moulay Hassan, Rabat, 17:00
Sudão – Burquina Faso, no Estádio Mohammed V, Casablanca, 17:00
GRUPO F
1.ª Jornada:
Quarta-feira, 24 Dezembro:
Costa Marfim – Moçambique, no Estádio Marraquexe, 18:30
Camarões – Gabão, no Estádio Adrar, Agadir, 21:00
2.ª Jornada:
Domingo, 28 Dezembro:
Gabão – Moçambique, no Estádio Adrar, Agadir, 13:00
Costa do Marfim – Camarões, no Estádio Marraquexe, 21:00
3.ª Jornada:
Quarta-feira, 31 Dezembro:
Gabão – Costa do Marfim, no Estádio Marraquexe, 20:00
Moçambique – Camarões, no Estádio Adrar, Agadir, 20:00
OITAVOS DE FINAL
Sábado, 3 Janeiro:
Jogo 37: 1.º Grupo D – 3.º Grupo B/E/F, no Estádio Grand Tangêr, 17:00
Jogo 38: 2.º Grupo A – 2.º Grupo C, no Estádio Mohammed V, Casablanca, 20:00
Domingo, 4 Janeiro:
Jogo 39: 1.º Grupo A – 3.º Grupo C/D/E, no Estádio Prince Moulay Abdellah, Rabat, 17:00
Jogo 40: 2.º Grupo B – 2.º Grupo F, no Estádio Al Medina, Rabat, 20:00
Segunda-feira, 5 Janeiro:
Jogo 41: 1.º Grupo B – 3.º Grupo A/C/D, no Estádio Adrar, Agadir, 17:00
Jogo 42: 1.º Grupo C – 3.º Grupo A/B/F, no Estádio Fez, 20:00
Terça-feira, 6 Janeiro:
Jogo 43: 1.º Grupo E – 2.º Grupo D, no Estádio Moulay Hassan, Rabat, 17:00
Jogo 44: 1.º Grupo F – 2.º Grupo E, Estádio Marraquexe, 20:00
QUARTOS DE FINAL
Sexta-feira, 9 Janeiro:
Jogo 45: Vencedor do jogo 38 – Vencedor do jogo 37, no Estádio Grand Tânger, 17:00
Jogo 46: Vencedor do jogo 40 – Vencedor do jogo 39, no Estádio Prince Moulay Abdellah, Rabat, 20:00
Sábado, 10 Janeiro:
Jogo 47: Vencedor do jogo 43 – Vencedor do jogo 42, no Estádio Marraquexe, 17:00
Jogo 48: Vencedor do jogo 41 – Vencedor do jogo 44, no Estádio Adrar, Agadir, 20:00
MEIAS-FINAIS
Quarta-feira, 14 Janeiro:
Jogo 49: Vencedor do jogo 45 – Vencedor do jogo 48, no Estádio Grand Tânger, 18:00
Jogo 50: Vencedor do jogo 47 – Vencedor do jogo 46, no Estádio Prince Moulay Abdellah, Rabat, 21:00
JOGO DE ATRIBUIÇÃO DO TERCEIRO LUGAR
Sábado, 17 Janeiro:
Derrotado do jogo 49 – Derrotado do jogo 50, no Estádio Mohammed V, Casablanca, 17:00
FINAL
Domingo, 18 Janeiro:
Vencedor do jogo 49 – Vencedor do jogo 50, no Estádio Prince Moulay Abdellah, Rabat, 20:00
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Imagem: © 2024 Francisco Lopes-Santos
