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ToggleCAN 2025 Arranca Com Emoção E Surpresas
A 35.ª edição do Campeonato Africano das Nações arrancou oficialmente no domingo, em Rabat, com o anfitrião Marrocos a abrir o torneio diante das Comores.
A primeira jornada da fase de grupos confirmou aquilo que o futebol africano tem de mais característico: intensidade elevada, jogos decididos nos detalhes e um equilíbrio competitivo que transforma cada partida numa batalha táctica e emocional.
Entre o alívio do anfitrião com a vitória diante das Comores, o drama vivido pelo Mali contra a Zâmbia, com um empate nos descontos e a derrota amarga de Angola frente à África do Sul, num jogo em que os Palancas Negras pagaram caro o desgaste físico da primeira parte, os primeiros jogos da competição deixaram sinais claros de que o CAN 2025 não concederá facilidades a ninguém.
Marrocos Estreia-se Com Vitória

O jogo inaugural do CAN 2025, colocou frente a frente Marrocos e Comores, no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, num ambiente de grande expectativa onde o favoritismo dos Leões do Atlas só se materializou na segunda parte terminando em 2-0. A primeira metade ficou marcada pelo nervosismo, ansiedade excessiva e dificuldades na definição.
O momento mais simbólico surgiu logo aos 11 minutos, quando Sofiane Rahimi desperdiçou uma grande penalidade, aumentando a ansiedade nas bancadas. As Comores, organizadas e disciplinadas, conseguiram segurar o nulo até ao intervalo, beneficiando também de alguma precipitação marroquina.
Após o intervalo, a equipa orientada por Walid Regragui mostrou maior maturidade e a superioridade técnica acabou por fazer a diferença. Brahim Díaz inaugurou o marcador aos 55 minutos, desbloqueando emocionalmente a selecção da casa. O segundo golo surgiu aos 74 minutos, por intermédio de Ayoub El Kaabi, ajudando a consolidar o controlo do jogo e confirmando um triunfo por 2-0.
O alívio foi visível no final, numa estreia marcada mais pela tensão do que pelo brilho. Foi uma vitória justa, ainda que menos folgada do que muitos previam o que permite ao Marrocos começar o torneio com três pontos, mas também com consciência de que será necessário subir de rendimento.
Com este resultado, o Marrocos assume desde já a liderança do Grupo A, beneficiando também do empate entre o Mali e a Zâmbia, reforçando o estatuto de um dos principais candidatos ao título continental.
Mali Desperdiça e Zâmbia Empata

No segundo jogo da jornada, Mali e Zâmbia protagonizaram um duelo equilibrado, com várias incidências e um desfecho dramático. A primeira parte foi marcada por cautela e por um penálti desperdiçado por El Bilal Touré, aos 42 minutos que poderia ter dado vantagem ao Mali antes do intervalo.
Na segunda parte, o Mali conseguiu chegar ao golo aos 61 minutos, por intermédio de Lassine Sinayoko e parecia encaminhar-se para uma vitória importante no Grupo A. No entanto, a Zâmbia não baixou os braços e foi recompensada já em tempo de compensação.
Aos 90+2 minutos, Patson Daka apareceu no momento certo para fazer o 1-1, silenciando por completo os adeptos do Mali, resgatando assim um ponto precioso. O resultado confirma o equilíbrio do grupo A e deixa tudo em aberto para as próximas jornadas.
Angola Cai Na Estreia

No Grupo B, Angola somou uma derrota por 2-1 frente à África do Sul, num encontro disputado em Marraquexe e que deixou sinais mistos quanto ao desempenho dos Palancas Negras.
A selecção angolana entrou bem no jogo, assumiu a iniciativa nos minutos iniciais e esteve perto de inaugurar o marcador aos 15 minutos, num remate perigoso do capitão Fredy, defendido com dificuldade pelo guarda-redes sul-africano Ronwen Williams. Contudo, a eficácia esteve do lado sul-africano.
Aos 21 minutos, Oswin Appollis aproveitou um cruzamento na área, tirou um adversário do caminho e finalizou rasteiro junto ao poste, sem hipóteses para Hugo Marques. Angola reagiu com personalidade e chegou ao empate aos 35 minutos, quando Show desviou de calcanhar um livre lateral cobrado por Fredy, num momento de inspiração colectiva.
Na segunda parte, o desgaste físico começou a pesar. A África do Sul subiu linhas, pressionou com mais intensidade e explorou os espaços no corredor central. Aos 79 minutos, Lyle Foster, avançado do Burnley, aproveitou alguma passividade defensiva e marcou um belo golo à entrada da área, selando o resultado final.
Apesar da derrota, Angola deixou indicações positivas, sobretudo na organização da primeira parte, mas terá de corrigir falhas de concentração e gestão física para manter intactas as ambições de qualificação no CAN 2025.
Próxima jornada decisiva
Com a vitória sobre Angola, a África do Sul entra a vencer no Grupo B e fica à espera do desfecho do encontro entre o Egipto e o Zimbabwe. Angola, por sua vez, fica já pressionada a pontuar na segunda jornada, onde defronta precisamente o Zimbabwe, num jogo agendado para o dia 26 de Dezembro.
Recorde-se que se qualificam para a fase seguinte os dois primeiros classificados de cada grupo, bem como os quatro melhores terceiros, o que mantém todas as selecções ainda na corrida, apesar dos tropeços iniciais.
O CAN 2025 promete, desde já, uma fase de grupos intensa, equilibrada e sem margem para erros prolongados, confirmando que o futebol africano continua a crescer em competitividade e imprevisibilidade.
CAN 2025 Imprevisível
A primeira jornada do CAN 2025 confirmou que, apesar do estatuto de favoritos, nenhuma selecção entra em campo com vitórias garantidas. Marrocos venceu, mas sentiu dificuldades. O Mali deixou escapar um triunfo nos instantes finais. Angola mostrou competitividade, mas pagou caro alguns detalhes.
Estes resultados iniciais reforçam a ideia de que o torneio será decidido na consistência, na gestão emocional e na eficácia nos momentos-chave.
Conclusão
Com apenas três jogos disputados e o quarto a decorrer neste momento, o CAN 2025 já começou a escrever uma narrativa de equilíbrio e tensão competitiva. A vitória do anfitrião garante tranquilidade momentânea, mas não dissipa dúvidas. O empate entre o Mali e a Zâmbia e a derrota de Angola mostram que cada ponto será conquistado com esforço máximo.
À medida que a fase de grupos avança, as margens de erro diminuem e a pressão aumenta. Se a primeira jornada servir de indicador, esta edição do CAN promete ser longa, intensa e repleta de reviravoltas.
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Imagem: © 2025 Sebastien Bozon / AFP
