21 de Agosto: Uma Data Histórica Inigualável.

O dia 21 de Agosto é a data histórica mais importante de entre todas as datas históricas, no entanto não é comemorada por ninguém e a grande maioria das pessoas não só não a conhece como nem fazem ideia da sua importância para o mundo em que vivemos.

O que tem de importante? Perguntam-se. Se não fosse esta data marcante mais precisamente o dia 21 de Agosto de 1415, o mundo actual, como o conhecemos nunca teria existido.

No cenário das datas que moldaram o curso da humanidade, o dia 21 de Agosto destaca-se como um marco de significância inigualável. Essa data transcende os limites das páginas dos calendários e emerge como um catalisador que alterou o curso da história de maneira profunda e duradoura.

Há momentos na trajetória da humanidade em que os eventos convergem para criar uma viragem transformadora. O dia 21 de Agosto representa precisamente esse tipo de ponto de viragem já que esta data é a data da conquista de Ceuta aos mouros pelos portugueses e marcou o inicio da era dos descobrimentos, desencadeando uma série de eventos que moldaram o mundo actual, dando, mundos ao mundo.

 

A História por Detrás da História

Imagem © Dominio Público (20230821) 21 de Agosto Uma Data Histórica InigualávelNinguém sabe ao certo quando começaram os planos para conquistar Ceuta e, muito menos, a razão dessa conquista, acção que ainda hoje divide os académicos.

Devido a um desejo expansionista que já se manifestava desde o reinado de D. João I, surgiram planos concretos para alcançar esse objetivo. Um desses planos incluía a conquista de Granada, ideia discutida a partir de 1411, com o propósito claro de expandir as fronteiras cristãs através da “Reconquista”. Outra abordagem era atacar as praças fortificadas em Marrocos.

A proposta de conquista de Ceuta acabou por prevalecer, no entanto os preparativos começaram muito antes. Para se informar de todos os pormenores, D. João I enviou à Sicília dois embaixadores com o pretexto de pedirem a mão da rainha para o infante D. Pedro, mas na realidade, estes embaixadores eram espiões que há volta, recolheram todas as informações importantes sobre a cidade fortificada de Ceuta.

As motivações que impulsionaram Portugal a conquistar Ceuta são multifacetadas e englobam fatores económicos, religiosos, políticos e sociais. A posição estratégica de Ceuta como centro de comércio e o seu potencial religioso e económico foram, alegadamente, as razões fundamentais.

Após a conquista, regressaram a Portugal com numerosos despojos, deixando a D. Pedro de Meneses a responsabilidade de governar e manter a cidade, juntamente com uma guarnição de 2700 homens.

A maior mesquita de Ceuta foi convertida em uma igreja cristã, seguindo uma prática comum de substituição de símbolos de poder pelos vencedores. Isso também confirmou o êxito da cruzada contra os infiéis proposta por D. João I e apoiada pelo Papa.

 

O Triunfo a 21 de Agosto

O dia 21 de Agosto de 1415 ficou marcado como o dia em que D. João I, comandando as suas forças, conquistou Ceuta. A resistência quase inexistente dos mouros culminou na tomada da “pérola do Mediterrâneo”. As consequências imediatas da vitória e as transformações na cidade são pontos de destaque.

A decisão de conquistar Ceuta foi pautada por uma combinação de interesses: domínio comercial, propagação da fé cristã e consolidação do poder político. A posição geoeconómica e o desejo de expandir territórios impulsionaram a escolha dessa cidade norte-africana.

Com essa conquista, o Rei ganhou assim uma cidade comercial importante, enquanto simultaneamente conquistava a admiração dos outros monarcas europeus e da própria Igreja que apoiava a luta contra os infiéis do Islão.

Por outro lado, a conquista de Ceuta reverberou além das suas muralhas. Impulsionou o orgulho nacional, fortaleceu o prestígio de Portugal perante outras nações europeias e deu início a um período de descobrimentos marítimos. Ceuta foi um marco inaugural na procura de novas rotas e oportunidades além-mar.

 

O Legado da Conquista

Imagem © Dominio Público (20230821) 21 de Agosto Uma Data Histórica InigualávelApesar das expectativas positivas, a conquista de Ceuta não trouxe os benefícios esperados. Ceuta virou um presente envenenado, revelou-se um sorvedouro para os cofres do reino, que mais gastava com a sua manutenção do que de lá tirava. Os ataques constantes dos mouros e o desvio do comércio comprometeram a situação. O fracasso evidenciou as dificuldades de manutenção de uma cidade distante.

Apesar de não ter correspondido às expetativas, a conquista de Ceuta é um marco que faz eco na história de Portugal e do Mundo. Ela abriu caminho para o expansionismo marítimo e estabeleceu um padrão de procura por novos territórios. A experiência deste evento moldou as futuras explorações e a formação da identidade portuguesa.

Foi esta conquista que marcou o início dos descobrimentos, com o povoamento de ilhas como a Madeira (1419) e os Açores (1427) e incursões nas Canárias, tornando-se um dos períodos mais importantes da história de Portugal e de todo o Mundo.

 

Conclusão

A conquista de Ceuta a 21 de Agosto de 1975, é de facto uma data histórica inigualável, não é apenas um capítulo distante da história de Portugal. Foi um marco que deixou um legado profundo e duradouro nas áreas de exploração, comércio, cultura, religião, diplomacia e geopolítica. Sem esta conquista, o mundo actual seria completamente diferente, quem sabe, talvez fossemos todos Muçulmanos.

O impacto da sua conquista reflete-se através da complexidade das interações entre nações e culturas e é uma prova real em como os eventos passados moldam os caminhos que trilhamos hoje no cenário global. Lembrem-se do famoso chavão “Portugal deu mundos ao mundo”, porque não é apenas um chavão, é uma verdade incontornável.

 

O que achas desta data? Concordas que o dia 21 de Agosto deveria ser comemorado como a data mais importante da história? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Imagem: © Domínio Público 
Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos

Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.

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