Guerra: Milhões Sem Medicamentos Ou Comida
A guerra no Médio Oriente está a impedir milhões de pessoas em todo o mundo de receberem alimentos e medicamentos, uma situação que se agravará se o conflito continuar. Alertaram Organizações não governamentais (ONG).
A 28 de Fevereiro, Estados Unidos da América (EUA) e Israel lançaram uma ofensiva militar unilateral e ilegal contra o Irão que retaliou com o encerramento do estreito de Ormuz – uma via marítima fundamental para o mercado petrolífero – e lançou ataques contra Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas aos países da região que apoiam os EUA.
A situação provocou um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas. As organizações humanitárias disseram que a guerra além de interromper as rotas marítimas vitais, criando uma crise energética global, também está a afectar as cadeias de abastecimento, obrigando a utilizar rotas mais dispendiosas e demoradas.
O Programa Alimentar Mundial afirma que dezenas de milhares de toneladas de alimentos estão a sofrer atrasos significativos no transporte, já que as rotas de centros estratégicos, como do Dubai, Doha e Abu Dhabi, foram afectadas e os custos de transporte dispararam com o aumento das taxas de combustível e de seguro.
O Comité Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês) tem 130 mil dólares (113 mil euros) em produtos farmacêuticos destinados ao Sudão, devastado pela guerra, retidos no Dubai e quase 670 caixas de alimentos terapêuticos para crianças gravemente desnutridas na Somália, retidas na Índia.
O Fundo das Nações Unidas para a População afirma que o envio de equipamento para 16 países já sofreu atrasos. Os drásticos cortes dos EUA na ajuda externa já tinham prejudicado muitos grupos humanitários que afirmam que a guerra está a agravar o problema.
A ONU confirmou que, desde a pandemia de covid-19, esta é a perturbação mais significativa da cadeia de abastecimento, com um aumento de até 20% nos custos de envio e atrasos devido ao redireccionamento de mercadorias. Sem contar que a guerra está a criar novas emergências, no Irão e no Líbano, onde um milhão de pessoas foram deslocadas, por causa dos ataques indiscriminados de Israel.
“A guerra contra o Irão e a disrupção no Estreito de Ormuz correm o risco de levar as operações humanitárias para além dos seus limites”.
Afirmou a directora associada de assuntos públicos e comunicação para África do IRC, Madiha Raza. Mesmo quando os combates cessarem, o impacto nas cadeias de abastecimento mundiais poderá continuar a atrasar a ajuda humanitária vital durante meses e o aumento dos preços também significa que as organizações têm de fazer escolhas difíceis.
E, segundo a presidente da Save the Children para os EUA, Janti Soeripto:
“No final, sacrifica-se o número de crianças que se serve (…) ou sacrifica-se a quantidade de artigos que se pode comprar”.
O grupo também afirmou que tem reservas nos países onde opera, mas algumas delas podem esgotar-se em poucas semanas.
A organização Médicos Sem Fronteiras, afirmou que o aumento dos preços dos combustíveis na Somália — onde cerca de 6,5 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda — elevou os custos dos transporte e da alimentação, dificultando o acesso aos cuidados médicos.
Na Nigéria, o IRC afirmou que os preços dos combustíveis subiram 50% e as clínicas estão a ter dificuldades em manter equipamentos, como geradores, a funcionar, e as equipas móveis de saúde reduziram as suas operações.
Mas uma das maiores preocupações é o impacto que a guerra terá na fome no mundo. O Programa Alimentar Mundial alertou para que, caso o conflito se mantiver até Junho, mais 45 milhões de pessoas passarão fome aguda, somando-se aos quase 320 milhões de pessoas que já enfrentam a fome em todo o mundo.
Cerca de 30% dos fertilizantes do mundo são transportados através do estreito de Ormuz e, com a época de plantio a aproximar-se em zonas como a África Oriental e o sul da Ásia, os pequenos agricultores dos países pobres serão incapazes de plantar alimentos e poderão ser duramente atingidos.
Não achas que já está na hora de acabar com esta guerra e culpabilizar os EUA e Israel pelos graves problemas que estão a causar no mundo? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.
Imagem: © 2026 Joseph Eid / AFP
