4.8 C
Londres
Segunda-feira, Abril 22, 2024

Gabão: Militares Rejeitam Reeleição de Ali Bongo

A presença militar nas ruas e a anulação das eleições geraram um ambiente de incerteza e tensão entre os cidadãos.

Gabão: Militares Rejeitam Reeleição de Ali Bongo.

Esta manhã, um abalo político de grandes proporções atingiu o Gabão, com o anúncio de um golpe militar em que os militares anunciaram que tomaram o poder no país, declarando a anulação das eleições gerais e a dissolução das instituições democráticas.

Esta ação levanta questões sobre a estabilidade na região, preocupa a União Europeia e tem impactos significativos em empresas e instituições no país, como é o caso do grupo mineiro francês Eramet.

O presidente em exercício, Ali Bongo Ondimba, tinha sido reeleito com 64% dos votos, nas recentes eleições presidenciais, de 26 de Agosto, consolidando assim o seu poder que já durava há 14 anos.

Os militares do Gabão, divulgaram um comunicado em que afirmam ter assumido o controle do país, justificando a sua ação com a alegação de que as eleições gerais de Agosto não atenderam aos requisitos de transparência e credibilidade. Este movimento, liderado por uma dezena de militares, surpreendeu a população e o mundo, colocando o Gabão em um estado de turbulência política e institucional.

Depois de constatar “uma governação irresponsável e imprevisível que resulta numa deterioração contínua da coesão social que corre o risco de levar o país ao caos (…) decidiu-se defender a paz, pondo fim ao regime em vigor“, declarou um dos soldados.

O mesmo militar, alegando falar em nome de um “Comité de Transição e Restauração Institucional“, disse que todas as fronteiras do Gabão estavam “encerradas até nova ordem“.

De acordo com jornalistas da agência de notícias France-Presse, durante a transmissão televisiva, ouviram-se tiros de metralhadoras automáticas em Libreville.

 

Anulação das Eleições Gerais do Gabão

Imagem © 2023 REUTERS (202308230) Gabão Militares Rejeitam Reeleição de Ali BongoDe acordo com as Forças de Defesa e Segurança, a realização das eleições gerais em Agosto não proporcionou as condições necessárias para um processo eleitoral transparente e inclusivo, algo aguardado ansiosamente pelo povo gabonês.

Essa alegação abalou a confiança no processo eleitoral e serviu como justificativa para a intervenção militar. O resultado das eleições, que apontava para uma nova vitória do presidente Ali Bongo Ondimba, foi anulado pelo golpe.

O Gabão tem vindo a enfrentando uma crise institucional, política, económica e social, agravada por um governo irresponsável e imprevisível. Esta situação resultou na constante deterioração da coesão social, colocando em risco a estabilidade do país. O descontentamento da população e a insatisfação com as políticas governamentais contribuíram para o panorama que culminou no golpe militar.

As Forças de Defesa e Segurança, autointituladas líderes do golpe, afirmaram ter-se reunido no “Comité de Transição e de Restauração das Instituições“. Declararam a dissolução de todas as instituições da República, incluindo o governo, o senado, a assembleia nacional, o tribunal constitucional e outras entidades. Este movimento tem como objetivo restaurar a paz e encerrar o regime anterior.

 

Repercussões do Golpe no Gabão

Imagem © 2023 REUTERS (202308230) Gabão Militares Rejeitam Reeleição de Ali BongoO anúncio do golpe militar foi recebido com choque e preocupação internacional. A União Europeia (UE) manifestou a sua inquietação com a situação. A incerteza gerada pelo golpe levanta questões sobre o futuro político e social do país, assim como da sua relação com a comunidade internacional.

“A notícia é confusa. Recebi a notícia pela manhã. Se isto se confirmar, é mais um golpe militar que aumenta a instabilidade em toda a região”.

Declarou Josep Borrell, o Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, ao chegar à reunião de ministros da Defesa da UE, que se realiza em Toledo, em Espanha.

A situação política na África subsaariana não tem demonstrado melhorias substanciais. A instabilidade em países como o Gabão levanta preocupações e aumenta a incerteza em toda a região da África central. A diplomacia europeia está atenta aos acontecimentos e à possibilidade de intervenções que possam ajudar a mitigar os riscos.

O anúncio do golpe ocorreu pouco depois da divulgação dos resultados oficiais das eleições presidenciais. Segundo o Centro Eleitoral Gabonês (CGE), o presidente Ali Bongo Ondimba havia conquistado um terceiro mandato com 64,27% dos votos, derrotando o seu principal adversário, Albert Ondo Ossa, que obteve 30,77% dos votos. Esta vitória foi contestada por parte da oposição, alegando fraude e exigindo reconhecimento.

A população do Gabão reagiu de forma diversificada ao golpe militar. Enquanto alguns saíram às ruas para celebrar a partida do antigo presidente, outros observaram os eventos com apreensão.

A presença militar nas ruas e a anulação das eleições geraram um ambiente de incerteza e tensão entre os cidadãos. A situação nas ruas é um reflexo direto da complexidade do momento político vivenciado pelo país.

 

Impacto nas Empresas Estrangeiras

Imagem © Ludovic Marin (202308230) Gabão Militares Rejeitam Reeleição de Ali BongoO grupo mineiro francês Eramet, que opera no Gabão, suspendeu as suas atividades no país devido à incerteza e aos riscos associados ao golpe militar. A companhia está a monitorizar a situação para garantir a segurança dos seus funcionários e a integridade das suas instalações.

O governo de França expressou preocupação com a situação no Gabão após o anúncio do golpe. A primeira-ministra, Elisabeth Borne, mencionou a crise em Libreville durante uma conferência com embaixadores franceses, destacando os desafios que a diplomacia francesa enfrenta.

 

Conclusão

O Gabão foi abalado por mais um golpe militar que resultou na anulação das eleições gerais de Agosto e na dissolução das instituições democráticas. Este movimento surge em meio a uma crise institucional e de uma governação questionável, gerando impactos significativos na população e levantando questões sobre o futuro político do país.

Este golpe tem o potencial de desencadear uma série de eventos imprevisíveis, não apenas a nível nacional, mas também em toda a região da África Central. A resposta internacional reflete a preocupação com a estabilidade regional. O que o futuro reserva para o Gabão permanece incerto, com a nação a enfrentar desafios complexos na sua procura por uma resolução pacífica e democrática.

 

O que achas deste Golpe de Estado No Gabão? Estamos a voltar à instabilidade politica em África ou é só na região da África Central? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

Nova Tentativa de Golpe de Estado no Níger

Confrontos mortais no Sudão: 60 civis mortos

Burkina Fasso, Guiné e Mali querem voltar à UA

Imagem: © 2023 GABON 1ERE
Logo Mais Afrika 544
Mais Afrika

Ultimas Notícias
Noticias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!