Egipto Volta A Deportar Refugiados
Segundo a Amnistia Internacional, as autoridades egípcias reiniciaram as deportações ilegais de refugiados. Entre os detidos e deportados pelas autoridades egípcias estão pessoas registadas no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Num comunicado, a organização não-governamental (ONG) afirmou que esta prática constitui uma “violação flagrante do princípio de não rejeição” e até da lei de asilo do Egipto que proíbe o regresso de pessoas reconhecidas como refugiadas.
As autoridades egípcias têm aplicado estas medidas contra os refugiados nos últimos anos, mas a campanha intensificou-se desde o final de Dezembro de 2025 e afecta sobretudo cidadãos da Síria, Sudão, Sudão do Sul e de outros países da África subsariana que são detidos arbitrariamente nas ruas ou nos respectivos locais de trabalho.
Em Janeiro passado, mais de um milhão de refugiados e requerentes de asilo estavam registados no ACNUR, enquanto o Governo egípcio afirma que existem cerca de 10 milhões de “hóspedes” no país – termo usado para se referir aos estrangeiros – e denuncia o fardo que representam para as finanças públicas.
Esta situação gerou pânico entre os refugiados no Egipto que foram obrigados a “esconderem-se nas suas casas” e a minimizar as suas deslocações por medo de serem presos na rua, vivendo num limbo jurídico sem acesso a trabalho ou educação, de acordo com a Amnistia Internacional.
Embora não existam estatísticas oficiais, a ONG de defesa dos direitos humanos documentou a detenção arbitrária de 22 refugiados e requerentes de asilo entre o final de Dezembro e o início de Fevereiro deste ano em quatro províncias egípcias. Quase todos estavam registados no ACNUR e um cidadão sírio foi deportado.
Segundo a Amnistia Internacional, desde o início da guerra no Sudão, em Abril de 2023, as autoridades egípcias intensificaram as verificações de identidade de estrangeiros e detiveram aqueles que não tinham documentação. As autoridades egípcias contrapõem esta versão e afirmam que os cerca de 1,5 milhões de sudaneses que fugiram do conflito recebem o mesmo tratamento que os egípcios.
Estas detenções ocorrem enquanto os refugiados ou requerentes de asilo têm marcações com a administração egípcia para renovar a autorização de residência, um processo que é muitas vezes arrastado por meses ou anos devido ao grande número de pedidos e à lentidão do procedimento, deixando milhares de pessoas num limbo jurídico.
As pessoas com documentação de refugiado do ACNUR também correm o risco de serem detidas, apesar do princípio de não rejeição proibir o envio de qualquer pessoa para um local onde enfrente um perigo real de graves violações dos direitos humanos. Muitos destes refugiados não têm para onde regressar, devido à destruição das respectivas cidades de origem.
A Amnistia Internacional denunciou que esta onda de repressão no Egipto tem “consequências devastadoras” para as famílias que vivem em constante medo.
“A UE e outros Estados devem também reforçar a partilha de responsabilidades, expandir as oportunidades de reinstalação e criar vias seguras e regulares para as pessoas que necessitam de protecção internacional”, afirmou a ONG.
Por esse motivo, a Amnistia Internacional apelou à União Europeia (UE) – parceiro próximo do Egipto em matéria de migração e principal doador do ACNUR – para que “exorte o Governo egípcio a adoptar medidas concretas e verificáveis para proteger os direitos dos refugiados e migrantes”, assim como para permitir o acesso da ONU aos centros de detenção.
Imagem: © 2023 AFP via Getty Images
