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Segunda-feira, Fevereiro 2, 2026

CAN 2025: Senegal Verga Marrocos E É Campeão

Uma final tensa, carregada de nervos, decisões polémicas e um golo que ficou gravado na memória colectiva do futebol africano. Em Rabat, perante um estádio em ebulição, o Senegal venceu o Marrocos por 1-0 após prolongamento e confirmou-se como a grande potência do futebol africano.

CAN 2025: Senegal Verga Marrocos E É Campeão


O Campeonato Africano das Nações 2025 (CAN 2025) encerrou da forma mais dramática possível, com uma final que condensou tudo o que torna o futebol africano único: intensidade, emoção, controvérsia e momentos de pura genialidade.

No Estádio Prince Moulay Abdellah, em Rabat, o Senegal derrotou a selecção anfitriã do Marrocos por 1-0 após prolongamento e conquistou o seu segundo título continental em apenas três edições, consolidando um ciclo dourado que já não pode ser ignorado. O encontro colocou frente a frente as duas selecções mais consistentes do torneio e duas das equipas mais bem classificadas no panorama africano actual.

De um lado, Marrocos, embalado pelo apoio popular e pela crença de que podia repetir o feito de 1976 em casa. Do outro, um Senegal experiente, persistente e liderado por uma geração que já aprendeu a vencer sob pressão máxima. Durante mais de 120 minutos, o jogo oscilou entre o equilíbrio táctico, oportunidades desperdiçadas e episódios que fizeram parar o estádio.

Um golo anulado, uma grande penalidade polémica nos descontos, a saída momentânea dos senegaleses do relvado e, por fim, um remate imparável de Pape Gueye decidiram uma final que será recordada durante décadas.


Uma Final Aberta


Apesar do perfil defensivo apresentado por ambas as selecções ao longo da competição, a final deste CAN 2025, começou surpreendentemente aberta. Logo nos minutos iniciais, Yassine Bounou teve de se aplicar para negar um cabeceamento perigoso de Pape Gueye, enquanto Ismael Saibari respondeu com um remate ao lado na outra baliza.

O ritmo elevado e a agressividade nos duelos marcaram uma primeira parte disputada palmo a palmo. O Senegal revelou-se mais perigoso antes do intervalo e criou a melhor ocasião do primeiro tempo quando Iliman Ndiaye surgiu isolado, tentou colocar a bola rasteira ao segundo poste e viu Bounou travar o lance com uma defesa instintiva, esticando a perna no momento decisivo.

O guarda-redes marroquino voltou a ser determinante, segurando o nulo ao intervalo. Após o reatamento, o Marrocos cresceu. Ayoub El Kaabi desperdiçou duas oportunidades claras, uma delas após passe de Bilal El Khannouss, com a bola a passar a rasar o poste.

O ascendente dos anfitriões foi travado por uma longa paragem motivada pela lesão de Neil El Aynaoui, episódio que quebrou o ritmo e aumentou a tensão dentro e fora das quatro linhas. À medida que o relógio avançava, o jogo tornou-se mais fechado e emocional.

O Senegal reclamou um lance em que o árbitro terá apitado antes de Idrissa Gueye finalizar de cabeça para a baliza, anulando automaticamente a jogada e alimentando a irritação do banco senegalês. O ambiente ficou carregado e o desfecho aproximava-se com sinais claros de drama.


A Grande Polémica


O momento mais controverso da final do CAN 2025, surgiu já em tempo de compensação. Após análise do VAR, o árbitro assinalou penálti a favor de Marrocos por falta de El Hadji Malick Diouf sobre Brahim Díaz.

A decisão gerou protestos intensos do Senegal, que culminaram com a saída colectiva da equipa do relvado, num episódio raro e desconfortável para a imagem da competição. Durante cerca de quinze minutos, o jogo esteve interrompido. Sadio Mané, assumindo o papel de capitão e referência moral, convenceu os colegas a regressarem às quatro linhas para que a final fosse decidida dentro do campo.

O penálti acabou por ser batido por Brahim Díaz, que tentou uma panenka mal calculada e viu Édouard Mendy defender com segurança, empurrando a decisão para o prolongamento. O episódio marcou emocionalmente ambas as equipas. Marrocos falhou a oportunidade de decidir no tempo regulamentar e o Senegal ganhou novo fôlego, transformando a frustração em concentração competitiva.


O Golo Do Título


O prolongamento começou com um golpe imediato. Logo aos 94 minutos, numa transição rápida, Pape Gueye arrancou pelo meio, deixou Achraf Hakimi para trás e disparou de pé esquerdo para o ângulo superior da baliza de Bounou. Um remate indefensável, de execução perfeita, que silenciou Rabat e colocou o Senegal em vantagem.

A partir daí, o Marrocos lançou-se desesperadamente para o ataque. Nayef Aguerd esteve a centímetros do empate num cabeceamento à barra e o Senegal respondeu num contra-ataque em que Bounou ainda desviou com a ponta dos dedos um remate de Chérif Ndiaye que poderia ter sentenciado a final. Apesar da pressão final, os Leões de Teranga resistiram com maturidade e frieza até ao apito final.

Com esta vitória, o Senegal tornou-se a primeira seleção desde 1982 a derrotar um país anfitrião numa final do CAN 2025. O título junta-se ao conquistado em 2021 e confirma um ciclo de excelência sustentado em consistência, experiência e liderança dentro e fora do campo.


Conclusão


A final do CAN 2025 ficará como uma das mais intensas e discutidas da história recente da competição. Entre decisões polémicas, momentos de indisciplina emocional e um golo de antologia, o Senegal mostrou porque se afirma hoje como referência maior do futebol africano.

O Marrocos sai derrotado, mas reforçado como potência emergente, enquanto os Leões de Teranga encerram o torneio com autoridade e um troféu que legitima a sua era dourada.

A vitória do Senegal no CAN 2025 é um testemunho da ascensão do futebol senegalês no panorama africano e mundial. A capacidade da equipa de superar adversidades, como as decisões de arbitragem controversas e a pressão de jogar contra o país anfitrião, demonstra uma maturidade e resiliência que são características de uma verdadeira potência.

Este triunfo consagra uma geração de jogadores talentosos e serve de inspiração para futuras gerações de futebolistas senegaleses.

 


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Imagem: © 2026 Sebastien Bozon / AFP
Francisco Lopes-Santos

Atleta Olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados, um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes, além de vários cursos de especialização em diversas áreas. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.

Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santoshttp://xesko.webs.com
Atleta Olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados, um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes, além de vários cursos de especialização em diversas áreas. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.
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