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ToggleCAN 2025: Senegal E Marrocos Disputam Final
O Campeonato Africano das Nações 2025 (CAN 2025) entra na sua recta final com o Senegal e o Marrocos a carimbaram o passaporte para o derradeiro encontro após meias-finais marcadas por contextos distintos, mas unidas por um denominador comum: maturidade competitiva.
De um lado, os Leões de Teranga confirmaram a sua autoridade ao superar o Egipto num duelo de controlo, paciência e eficácia, resolvido por um momento de inspiração individual. Do outro, os Leões do Atlas impuseram-se num confronto táctico e emocionalmente exigente frente à Nigéria, onde a solidez defensiva e a frieza nas grandes penalidades fizeram a diferença.
Estas meias-finais revelaram duas selecções plenamente conscientes do peso histórico que carregam. O Senegal procura consolidar um ciclo vitorioso recente e reafirmar-se como referência africana sustentada no tempo. O Marrocos, anfitrião da competição, mantém vivo o sonho de quebrar um jejum de meio século e devolver ao país um título que se tornou obsessão nacional.
A final que se avizinha não é apenas um jogo decisivo; é o espelho de dois projectos sólidos, assentes em identidade, disciplina e ambição continental.
Senegal na Final

O Senegal derrotou o Egipto por 1-0, garantindo a presença na final do CAN 2025. Este desfecho lembra a final de 2021, num reencontro entre duas das selecções mais competitivas de África. Os Leões de Teranga confirmaram a sua maturidade com um triunfo justo, construído com paciência, controlo emocional e eficácia num momento decisivo.
A primeira parte foi marcada mais pela tensão do que por verdadeiro perigo. O Senegal assumiu a iniciativa, mas esbarrou numa organização defensiva egípcia rígida. Remates de Habib Diarra e Pape Gueye foram defendidos por Mohamed El Shenawy, enquanto Nicolas Jackson desperdiçou uma boa ocasião. O Egito mostrou uma postura excessivamente reativa, sem qualquer remate enquadrado.
Apesar do domínio, o Senegal sofreu um revés antes do intervalo: o capitão Kalidou Koulibaly viu um cartão amarelo, o que o deixa de fora da final, tal como Diarra. Contudo, a seleção orientada por Pape Thiaw manteve a serenidade e a organização, sem se desestruturar.
No segundo tempo o Senegal continuou a pressionar, com Lamine Camara a testar El Shenawy. O Egito revelou poucas soluções ofensivas, limitando-se a resistir e a esperar por um erro que nunca chegou.
O momento decisivo surgiu aos 78 minutos. Após uma bola mal afastada pela defesa egípcia, Sadio Mané apareceu à entrada da área e desferiu um remate certeiro, confirmando a sua importância. Foi a quinta contribuição direta para golo do capitão senegalês no torneio e o seu 11.º golo em fases finais do CAN, igualando Mohamed Salah.
Nos minutos finais, o Senegal geriu a vantagem, sem permitir qualquer reacção consistente. O Egipto terminou a partida com apenas um remate enquadrado, despedindo-se da competição de forma discreta. Os Leões de Teranga alcançam a final pela terceira vez nas últimas cinco edições, reafirmando-se como uma potência sólida e consistente no futebol africano contemporâneo.
Marrocos Decide nos Penáltis

O Marrocos garantiu a sua presença na final do CAN 2025, após um duelo intenso e equilibrado frente à Nigéria, decidido apenas na marca de grandes penalidades. Num jogo onde o rigor táctico se sobrepôs ao brilho ofensivo, os Leões do Atlas foram mais frios no momento decisivo, beneficiando de uma exibição determinante do guarda-redes Yassine Bounou, figura maior da noite em Rabat.
Os primeiros minutos foram marcados por cautela escassez de oportunidades. Brahim Díaz tentou dar iniciativa à equipa da casa com um remate cruzado, enquanto Ademola Lookman respondeu do outro lado. O Marrocos assumiu maior controlo, mas revelou dificuldades na finalização. Adam Masina falhou por escassos centímetros e Díaz voltou a não enquadrar, numa primeira parte equilibrada
Após o intervalo, o ritmo subiu ligeiramente. Raphael Onyedika rematou ao lado numa rara saída ofensiva da Nigéria, enquanto Abde Ezzalzouli respondeu de imediato, travado por Stanley Nwabali. O jogo entrou numa fase mais fechada, com linhas compactas e duelos físicos. O prolongamento confirmou esse padrão, apesar de Marrocos ter estado mais perto de resolver.
Sem golos após 120 minutos, a decisão seguiu para as grandes penalidades. Marrocos começou por ganhar vantagem quando Bono defendeu o remate de Igamane, mas a Nigéria respondeu de imediato, beneficiando de uma grande penalidade mal-executada por Samuel Chukwueze.
A série manteve-se equilibrada até ao momento-chave: Bruno Onyemaechi viu o seu remate ser travado por Bono, abrindo caminho para Achraf Hakimi converter. Coube depois a Youssef En-Nesyri assumir a responsabilidade final, selando a vitória marroquina por 4-2 nas grandes penalidades.
Com este triunfo, o Marrocos alcança a final, mantendo vivo o sonho de conquistar um título continental que lhes escapa há meio século. A Nigéria despede-se após uma campanha sólida, mas penalizada pela incapacidade de traduzir a organização defensiva em eficácia ofensiva nos momentos decisivos.
Conclusão
A final do CAN 2025 vai colocar frente a frente duas selecções que chegaram até aqui por mérito próprio, mas através de percursos contrastantes. O Senegal apresenta-se como uma equipa habituada às decisões, confiante na sua estrutura colectiva e na experiência acumulada em finais recentes.
O Marrocos surge embalado pelo factor casa, pela coesão táctica e por uma crença renovada alimentada pelo apoio popular e pela solidez defensiva demonstrada ao longo do torneio.
Mais do que um confronto entre jogadores ou estilos, esta final representa um choque de narrativas: a continuidade de uma hegemonia recente contra a tentativa de reescrever a história. Independentemente do desfecho, o CAN 2025 confirma a vitalidade do futebol africano e a sua capacidade de produzir jogos de elevada intensidade, rigor táctico e significado simbólico profundo.
No domingo, Rabat será palco de um duelo onde apenas um levantará o troféu, mas onde ambos já deixaram uma marca indelével na competição.
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Imagem: © 2025 CAF
