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ToggleCAN 2025: Salah Entra Para A História
O Campeonato Africano das Nações 2025 (CAN 2025) está-se a revelar uma competição de alta exigência competitiva, onde a tradição, o talento individual e a eficácia nos momentos decisivos estão a fazer a diferença.
Entre vitórias sólidas, empates dramáticos e derrotas dolorosas, o início da primeira jornada deixou indicações claras sobre as forças emergentes, os candidatos assumidos e sobre as equipas chamadas a reagir rapidamente. A segunda vaga de jogos trouxe confirmações, afirmações de poder e um momento histórico protagonizado por uma das maiores figuras do futebol africano contemporâneo.
O Egipto enfrentou enorme pressão, consciente de que qualquer tropeço inicial poderia comprometer o percurso num grupo competitivo. A Nigéria, recheada de talento e expectativas, procurava justificar o estatuto de favorita frente a uma Tanzânia combativa.
O Senegal, tinha a responsabilidade de afirmar autoridade desde o primeiro jogo. Já a República Democrática do Congo sabia que cada vitória curta poderia ser decisiva num torneio onde os detalhes se tornam determinantes.
Num contexto em que o CAN 2025 começa a definir hierarquias, os jogos desta jornada trouxeram mais do que resultados: trouxeram sinais claros sobre quem está preparado para ir longe e quem terá de ajustar rapidamente o rumo.
Salah Decide E Faz História

O grande destaque da jornada pertence a Mohamed Salah que se tornou no primeiro jogador egípcio a marcar em cinco edições consecutivas do CAN, igualando nomes lendários como Didier Drogba, Yaya Touré e Youssef Msakni.
Salah ainda tem a oportunidade de aumentar o seu registo, com duas edições da CAN agendadas para os próximos três anos, em 2027 e 2028. Um golo em cada edição permitiria ao internacional egípcio ultrapassar o recorde detido por Samuel Eto’o, dos Camarões, Kalusha Bwalya, da Zâmbia e o duo ganês Andre Ayew e Asamoah Gyan.
O duelo entre o Egipto e o Zimbabwe foi tudo menos simples para os sete vezes campeões africanos. Durante largos períodos, a selecção egípcia enfrentou dificuldades para impor o seu jogo, perante um adversário organizado, disciplinado tacticamente e sem receios de explorar as fragilidades do favoritismo contrário.
O Zimbabwe surpreendeu cedo, inaugurando o marcador ainda na primeira parte e expondo o nervosismo egípcio, visível em perdas de bola, decisões apressadas e alguma ansiedade na construção ofensiva. A reacção do Egipto só surgiu com maior clareza após o intervalo, quando a equipa passou a assumir riscos e a jogar mais próxima da área adversária.
O empate chegou por intermédio de Omar Marmoush que devolveu esperança ao grupo e trouxe outra dinâmica ao jogo. No entanto, o momento decisivo estava reservado para os instantes finais. Aos 90+1 minutos, Mohamed Salah apareceu como tantas vezes ao longo da sua carreira: frio, preciso e decisivo.
O remate certeiro garantiu a vitória por 2-1 e escreveu uma nova página na história do CAN. Mais do que um golo decisivo, foi um momento simbólico que reforça o estatuto de Salah como um dos maiores jogadores africanos de todos os tempos.
Nigéria Cumpre

A Nigéria entrou no CAN 2025 com a responsabilidade de justificar o enorme potencial do seu plantel. Encontraram uma forte resistência, contra a Tanzânia, mas os Super Eagles acabaram por confirmar o favoritismo com uma vitória por 2-1.
O primeiro golo surgiu ainda na primeira parte, com Semi Ajayi a aproveitar uma bola parada para colocar os nigerianos em vantagem. No entanto, a Tanzânia não se resignou e chegou ao empate no início da segunda parte, explorando um momento de desconcentração defensiva.
A resposta da Nigéria foi imediata. Ademola Lookman marcou o golo decisivo poucos minutos depois, num lance que evidenciou a qualidade técnica e a profundidade ofensiva da equipa. Apesar de não ter marcado, Victor Osimhen foi determinante na pressão constante e no desgaste da defesa adversária.
O triunfo permite à Nigéria somar três pontos importantes e confirmar-se como um dos candidatos naturais à qualificação, ainda que com sinais claros de que haverá pouco espaço para erros nas próximas jornadas do CAN 2025.
Senegal Com Vitória Clara

O Senegal entrou em campo com o estatuto de campeão africano e tratou de o confirmar sem hesitações. Frente ao Botswana, os Leões de Teranga venceram por 3-0, num jogo controlado do primeiro ao último minuto.
A figura do encontro foi Nicolas Jackson, autor de dois golos que desmontaram qualquer tentativa de resistência adversária. A equipa senegalesa apresentou organização, intensidade e maturidade competitiva, mostrando que continua a ser uma referência no futebol africano.
O terceiro golo, já perto do final, consolidou uma exibição segura e sem sobressaltos, permitindo ao Senegal iniciar o CAN 2025 com uma mensagem clara para os rivais: a equipa mantém ambições intactas e está preparada para disputar o título.
RDC Vence

Num jogo mais fechado e táctico, a República Democrática do Congo (RDC) bateu o Benim por 1-0, num encontro decidido cedo, mas gerido com inteligência até ao apito final. O golo solitário de Théo Bongonda, ainda na primeira parte, foi suficiente para garantir três pontos fundamentais.
A RDC mostrou solidez defensiva, boa leitura dos momentos do jogo e capacidade para proteger a vantagem sem cair em excessos. Num torneio como o CAN 2025, vitórias curtas podem ser tão valiosas quanto goleadas, sobretudo numa fase de grupos marcada pelo equilíbrio. O resultado coloca a selecção congolesa numa posição confortável para atacar a qualificação nas jornadas seguintes.
Tunísia vs Uganda

No encerramento do dia competitivo, a Tunísia confirmou o seu estatuto de selecção experiente e entrou a vencer no CAN 2025 com um triunfo claro por 3-1 frente ao Uganda, num jogo disputado com autoridade desde os primeiros minutos.
A equipa tunisina entrou de forma intensa e pragmática, resolvendo praticamente o encontro ainda na primeira parte. Logo aos 10 minutos, Ellyes Skhiri abriu o marcador após combinação rápida no meio-campo ofensivo, aproveitando a organização superior da sua selecção.
O Uganda acusou o golpe e revelou dificuldades em controlar o ritmo imposto pelos tunisinos. Aos 40 minutos, Elias Achouri ampliou a vantagem para 2-0, num lance de ataque bem construído pela esquerda, traduzindo em golos a superioridade territorial da Tunísia.
Na segunda parte, o Uganda tentou reagir com alterações imediatas no onze, procurando maior agressividade ofensiva. Contudo, a Tunísia manteve o controlo emocional e táctico do jogo. Aos 64 minutos, novamente Achouri assinou o terceiro golo da partida, bisando e colocando um ponto final nas aspirações ugandesas.
Só nos instantes finais, já com o jogo decidido é que o Uganda conseguiu reduzir, por intermédio de Denis Omedi, aos 90+2 minutos, num lance que pouco alterou a leitura geral do encontro.
A vitória permite à Tunísia arrancar com três pontos importantes num grupo competitivo, deixando uma imagem de maturidade, eficácia e capacidade de gestão do jogo. Para o Uganda, o resultado evidencia a necessidade de maior consistência defensiva e melhor resposta aos momentos de pressão, sob pena de ver comprometidas as aspirações de qualificação.
Este resultado reforça a ideia de que, no CAN 2025, as selecções com maior bagagem competitiva continuam a fazer a diferença nos momentos-chave, mesmo num torneio marcado pelo equilíbrio geral.
Conclusão
O CAN 2025 continua a confirmar a sua identidade: um torneio onde a tradição pesa, mas onde nada é oferecido. A jornada ficou marcada pelo feito histórico de Mohamed Salah, pela afirmação do Senegal, pela consistência da Nigéria e pela eficácia pragmática da RDC.
À medida que os grupos avançam, a margem para erro diminui e a pressão aumenta. Se esta fase inicial serve de indicador, o Campeonato Africano das Nações 2025 promete decisões dramáticas, heróis improváveis e, como sempre, futebol vivido com intensidade absoluta até ao último minuto.
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Imagem: © 2025 Mosa'ab Elshamy / AP
