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ToggleArtistas Africanos Com Sucesso Inédito Em 2024
Em 2024, os Artistas Africanos escreveram um capítulo histórico. Dados divulgados hoje pelo Spotify revelaram que os royalties dos artistas nigerianos duplicaram, atingindo 58 mil milhões de nairas (34,56 milhões de euros), enquanto os sul-africanos bateram recordes com 400 milhões de rands (19,11 milhões de euros).
Estes números, porém, são só a ponta do iceberg: esta é a história de como géneros como o Afrobeat e o Amapiano, estilos musicais africanos utilizados por artistas como Burna Boy (Nigéria), Ayra Starr (Nigéria) e Tyla (África do Sul), se tornaram motores económicos e armas de afirmação cultural.
A revolução começou nas ruas. Em Lagos, os produtores fundiram tambores ioruba com beats electrónicos; em Joanesburgo, os DJs converteram guitarras kwaito em sinfonias electrónicas. As plataformas como o Spotify, com 640 milhões de utilizadores activos, amplificaram o som, mas foi a audácia de Artistas Africanos como Burna Boy e Kabza De Small que quebraram os estereótipos.
“Não somos tendência, somos tradição actualizada”.
Afirmou a cantora nigeriana Tems (Temilade Openiyi), candidata ao Grammy e vencedora do prémio de Melhor Performance de Música Africana em 2025, com a música “Love Me Jeje”.
O resultado? Um continente que já não pede espaço — ocupa-o. Enquanto festivais como o AfroFuture viram destinos turísticos mundiais, startups de blockchain garantem que 70% dos royalties regressem a África. A pergunta que 2024 responde é simples: como é que ritmos locais se tornaram a nova moeda cultural do mundo?
A Fórmula do Sucesso
A explosão económica tem rosto e método. Na Nigéria, o Afrobeat financiou academias de música gratuitas em Abuja e estúdios de última geração que atraem talentos de toda a África Ocidental. Na África do Sul, o Amapiano gerou 15 mil empregos — de produtores a gestores de direitos de autor — e inspirou políticas públicas para exportar música.
O segredo está na fusão entre o ancestral e o digital. Colaborações como Calm Down (entre os artistas Rema e Selena Gomez) que já acumulou 1,2 mil milhões de streams, usam letras em pidgin com beats electrónicos e os produtores sul-africanos usam samples de cânticos zulu em pistas de Amapiano.
“É a nossa tecnologia ancestral”.
Explica o DJ Maphorisa, cujo hit Asibe Happy teve 200 milhões de streams. A prova está nos bastidores: em Pretória, o Amapiano nasceu nas shebeens (bares informais), onde produtores misturam a percussão zulu com baixos electrónicos.
“Os nossos avós contavam histórias ao redor do fogo; nós usamos o beat”, diz Maphorisa.
Os contractos são tão inovadores quanto a música. Startups nigerianas como a UduX, usam blockchain para seguir os royalties, enquanto os festivais na Cidade do Cabo reinvestem 30% dos lucros em escolas de arte.
O Spotify, responsável por levar o som dos Artistas Africanos a 180 países, reportou crescimento de 200% em streams da região desde 2022, com mais de mil milhões de novos ouvintes internacionais em 2024.
A Reinvenção da Cultura
O Afrobeat, outrora associado apenas a Fela Kuti, hoje incorpora trap e até K-pop, enquanto o Amapiano resgata narrativas das townships em beats dançantes.
“Cada batida é um arquivo vivo”.
Afirmou a cantora angolana Pongo que mistura letras em kimbundu com música electrónica. A revolução é linguística e geográfica. Artistas Africanos, como Ayra Starr (Nigéria) usam ioruba nas letras que dominam os tops mundiais, enquanto o rapper senegalês Fou Malade transforma o wolof em protesto social em Doxandem.
Na Etiópia, a cantora Meklit Hadero funde escalas tradicionais kignit com jazz experimental, provando que a inovação não precisa de apagar as raízes e quando Burna Boy encheu o estádio de Wembley com 60 mil adeptos a cantarem em pidgin, provou que as línguas locais não são barreiras — são credenciais.
Até a moda e a política entraram na dança. Surgiram colecções da Louis Vuitton inspiradas no Amapiano e a UNESCO nomeou o Afrobeat em 2024 “património intangível da humanidade” mostrando que a cultura africana deixou de ser “exótica” para se tornar “mainstream”.
“Eles demoraram 50 anos para ver o que sempre soubemos: a nossa autenticidade vale mais que o ouro”.
Ironizou Davido. O Grammy coroou o movimento, com a nova categoria Best African Music Performance, vencido pela primeira vez por Tyla, cujo sucesso Water foi usado como sample por Beyoncé no álbum Renaissance Act II.
Conclusão
2024 não foi um pico, foi um ponto de viragem. Os US$ 89 milhões gerados pela música africana são só o início: com 60% dos artistas com menos de 30 anos e ferramentas como blockchain a democratizarem o acesso, o continente está a reescrever as regras da indústria.
A lição é clara. Enquanto o Ocidente debate as IA, África mostra que a inovação não precisa apagar a tradição — pode amplificá-la. E quando jovens em Nairobi ou Dakar ouvem Tyla no rádio, não ouvem só música, ovem um mapa para o futuro, onde royalties de línguas indígenas dispararam 340% e a próxima geração já mistura tambores ioruba com inteligência artificial.
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Imagem: © 2023 DR