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Domingo, Janeiro 11, 2026

A Arte do Lixo: Romuald Hazoumè, Bidons Reinventados

E se o lixo pudesse falar que histórias nos contaria? Talvez nos falasse de histórias de abandono e de desperdício além de consumo desenfreado que devora recursos sem pensar no amanhã, ou talvez nos lembrasse que cada objecto carrega uma memória, um uso, uma vida anterior.Em África há artistas que ousam dar-lhe outra voz: a voz da beleza, da memória e da resistência cultural. São criadores que não vêem lixo, mas sim matéria-prima para a imaginação, símbolos de resistência e possibilidades infinitas. No lixo que a sociedade descarta, eles descobrem matéria-prima para reinventar a vida e inspirar comunidades inteiras.

A Arte do Lixo: Romuald Hazoumè, Bidons Reinventados


Conheces os artistas africanos que transformam lixo em arte? Não? Então prepara-te para conhecer Romuald Hazoumè, do Benim, e descobrir um dos movimentos criativos mais surpreendentes e inspiradores do continente. Num mundo onde o consumo excessivo e o desperdício crescem a olhos vistos, há vozes em África que encontram beleza onde outros só vêem abandono.

Com uma mistura única de tradição, sátira política e consciência ambiental, estes criadores reciclam materiais descartados — metais, plásticos, tecidos, objectos abandonados e resíduos industriais — dando-lhes uma segunda vida sob a forma de esculturas, máscaras e instalações que contam histórias poderosas.

Este é o 11.º artigo da nova série de 17, desta vez dedicada a estes visionários que não só resgatam materiais esquecidos, como também reinventam a forma de pensar sobre a arte, a sustentabilidade e o futuro do planeta. Cada peça é uma prova de resistência, criatividade e ligação às comunidades, mostrando que daquilo que parecia perdido pode nascer algo belo e transformador.

Se procuras inspiração, inovação e uma perspectiva diferente sobre o que a arte pode ser, não percas esta viagem. Irás conhecer um artista que desafia os limites do possível e faz de África um palco vibrante da arte contemporânea feita a partir do inesperado: o lixo.


Romuald Hazoumè


(20251122) A Arte do Lixo Romuald Hazoumè, Bidons Reinventados
Imagem: © 2021 Fiona Hanson / PA Images via Getty Images

Romuald Hazoumè nasceu em 1962, em Porto Novo, capital histórica e cultural do Benim. Cresceu numa região profundamente marcada pelas tradições Fon e Iorubá, pelo legado do tráfico negreiro e pelas complexas transformações políticas do pós-independência.

A sua sensibilidade artística foi moldada por essa convivência com a tradição — não apenas como memória, mas como prática viva no quotidiano — tornando-o mais tarde uma das figuras centrais da arte contemporânea africana. Hazoumè iniciou a sua carreira na década de 1980, num Benim em turbulência política e económica.

Sem acesso fácil a materiais convencionais, voltou-se para o que o rodeava: utensílios, plásticos, recipientes, restos de objectos industriais descartados, bidões de gasolina e resíduos urbanos.

A escolha não foi meramente circunstancial, mas conceptual: estes materiais carregavam uma história concreta da vida social do Benim, especialmente no contrabando de combustível entre o Benim e a Nigéria — uma actividade arriscada, perigosa e largamente tolerada pela falta de alternativas económicas.

Foi assim que nasceu a obra que o projectou mundialmente: máscaras feitas a partir de bidões de plástico. Ao transformar um objecto banal e perigoso num símbolo de resistência, memória e crítica política, Hazoumè tornou-se imediatamente reconhecível.

A Internacionalização


Já em 1989, começou a expor em França, Alemanha e Reino Unido, um prelúdio para a sua impressionante expansão internacional.

A partir dos anos 1990, a sua carreira ganhou um novo fôlego, com exposições em instituições como o British Museum, o Metropolitan Museum of Art, a Fundação Cartier, a Tate Modern, a Gagosian Gallery e a October Gallery, revelando o vigor conceptual da arte africana contemporânea.

Participou em mostras históricas como “Magiciens de la Terre”, “Africa Remix”, “In/Sight” no Guggenheim Museum, “Authentic/Ex-Centric”, “100% Africa”, e várias edições da Documenta, incluindo a Documenta 12, onde foi distinguido com o Arnold-Bode Prize. Em 2007, recebeu também o Benesse Prize na Bienal de Veneza, consolidando a sua reputação internacional.

Hoje, Romuald Hazoumè é descrito como escultor, instalador, performer conceptual e contador de histórias. Vive e trabalha entre Porto Novo e outras cidades do Benim, mantendo sempre contacto directo com as comunidades envolvidas no comércio informal do combustível e com artesãos locais.

Esta ligação permanente ao terreno fortalece a autenticidade da sua crítica social e permite que o artista continue a recolher objectos reais — marcados por uso, desgaste e risco — que se tornam peças fundamentais da sua obra. Mas, acima de tudo, é alguém que olha para os restos da sociedade e lê neles o que muitos recusam ver: poder, violência económica, desigualdade, resistência, memória e dignidade.


A Sua Obra


(20251122) A Arte do Lixo Romuald Hazoumè, Bidons Reinventados
Imagem: © 2021 Cortesia do Rijksmuseum

A obra de Romuald Hazoumè é frequentemente associada às icónicas máscaras de bidões, um dos contributos mais marcantes da arte contemporânea africana. Hazoumè recolhe bidões de plástico usados no contrabando de combustível, que, para muitos jovens beninenses, representam sustento, risco e exploração.

Ao transformá-los em máscaras, o artista cria uma ponte entre o objecto industrial e o universo espiritual africano, referindo as máscaras rituais tradicionais do Benim e deslocando-as para um contexto crítico contemporâneo.

No entanto, o seu trabalho vai muito além das máscaras. Romuald Hazoumè cria instalações de grande escala, como “La Bouche du Roi”, talvez a sua obra mais famosa, adquirida pelo British Museum. Esta instalação recria o mapa do porão de um navio negreiro através de centenas de máscaras-bidões que representam as pessoas escravizadas.

A obra, exposta entre 2006 e 2007, utiliza som, cheiro, vídeo e objectos rituais para confrontar o público com a brutalidade do tráfico de escravos atlântico, traçando paralelos com as formas contemporâneas de exploração e desigualdade económica em África.

Outras vertentes


Outra vertente do seu trabalho inclui fotografia, vídeo, performance e instalações multimédia, mostrando que o artista não se limita à escultura. A sua abordagem conceptual interroga sistemas de poder, corrupção, exploração de recursos e tensões pós-coloniais, onde a sátira desempenha um papel essencial, usando humor mordaz, ironia e provocação directa como estratégias de crítica política e social.

Entre as suas obras e séries adicionais fundamentais destacam-se The Fâ Series (2023), inspirada no sistema divinatório Fon e apresentada no Neuberger Museum of Art, que combina madeira, pigmentos e objectos encontrados.

“Les fleurs du mâle” (2025, Gagosian Paris) é uma exposição focada na crítica ambiental e energética, enquanto “Made in Porto-Novo” (2021) explora a identidade urbana, espiritualidade e capitalismo informal.

Cria também instalações sobre migração e fluxos económicos, utilizando jerricans como metáforas de fronteiras e circulação de riqueza, e esculturas políticas profundamente satíricas como “Rat Singer”, “Petrol Head”, “Alexandre le Grand” e “Dream of the Sailor”.

Estética e Alcance


A estética das suas peças é marcada pela crueza dos materiais: plásticos gastos, metais ferrugentos, cordas, restos de motores e objectos que passaram pelas mãos de trabalhadores informais. O artista não procura embelezar o lixo; procura revelar a sua verdade histórica.

Cada máscara carrega as marcas do uso real — arranhões, deformações, resíduos, cheiros e sinais de desgaste — que são enaltecidas como testemunhos do quotidiano.

A presença do artista em instituições de grande prestígio — MoMA, Fondation Louis Vuitton, Smithsonian, CaixaForum Barcelona, Milwaukee Museum, Völklinger Hütte — confirma que a sua obra transcende continentes e consolida a linguagem estética africana num discurso verdadeiramente mundial.

O seu trabalho é, portanto, autobiografia colectiva, comentário social, arqueologia contemporânea e um olhar ferozmente honesto sobre a vida no Benim e na África Ocidental.


O Simbolismo de Romuald Hazoumè


(20251122) A Arte do Lixo Romuald Hazoumè, Bidons Reinventados
Imagem: © 2007 October Gallery

O simbolismo na obra de Romuald Hazoumè é denso e profundamente enraizado na história do Benim, na memória do colonialismo e na crítica ao presente. Em primeiro lugar, o uso do bidão de plástico — elemento central no seu vocabulário visual — não é uma escolha casual.

No Benim, os bidões são usados massivamente no comércio ilegal de combustível, uma actividade que envolve jovens sem alternativas económicas, que arriscam a vida. Hazoumè observa que muitos destes jovens “morrem uns centímetros acima do chão”, aludindo à frágil estrutura das motas que carregam os recipientes sobrecarregados.

Ao transformar um bidão numa máscara, o artista cria um paralelo entre identidade e sobrevivência. A máscara, símbolo tradicional de poder espiritual, torna-se uma metáfora de luta económica. O objecto industrial, símbolo de exploração informal, transforma-se num rosto, numa pessoa, numa história.

Esta fusão entre o tradicional e o contemporâneo reflecte o dilema das sociedades africanas que procuram definir-se entre memória, imposições coloniais e desafios políticos actuais. No caso de La Bouche du Roi, Hazoumè desloca esta crítica para a história do tráfico de escravos. A instalação inclui sons da água, cânticos Fon, objectos rituais e vídeos que documentam o tráfico de combustível actual.

O objectivo é claro: mostrar que, embora a escravatura formal tenha sido abolida, novas formas de escravização económica persistem, perpetuadas por sistemas de pobreza, corrupção e dependência externa.

Humor e Tradição


Outro elemento simbólico recorrente é o humor. Hazoumè utiliza a máscara não só como referência espiritual, mas também como instrumento de sátira. Ao exagerar características, criar expressões cómicas ou atribuir nomes provocatórios às máscaras, o artista denuncia a hipocrisia política e social.

É uma forma de resistência: o riso como arma, a ironia como denúncia. Hazoumè considera a sátira uma “ferramenta de sobrevivência política” no Benim, um país com forte tradição de crítica oral e máscaras carnavalescas, transformando cada máscara-bidão numa personagem do teatro político africano contemporâneo.

O artista também utiliza símbolos associados ao sistema Fâ, à cosmologia Fon, aos rituais Oro, às danças Egungun e a narrativas sobre orixás Iorubás. Em The Fâ Series, faz convergir elementos divinatórios com objetos industriais, criando um diálogo entre destino espiritual e destino económico — dois temas centrais na sua obra.

Além disso, a escolha do lixo como matéria-prima simboliza a transformação: o que é descartado pela sociedade torna-se arte, memória e crítica, invertendo a lógica colonial que desvalorizou os saberes africanos.


Percurso Artístico


(20251122) A Arte do Lixo Romuald Hazoumè, Bidons Reinventados
Imagem: © 2016 October Gallery

Romuald Hazoumè iniciou a sua formação artística de modo autodidacta, integrando rapidamente círculos artísticos do Benim e da África Ocidental. Na década de 1980, participou em exposições locais em Porto Novo e Cotonou, destacando-se pela originalidade das suas máscaras feitas de objectos reaproveitados.

Essa primeira fase foi marcada por experimentações com materiais, pela recusa de seguir modelos europeus de ensino artístico e por uma profunda atenção às raízes Fon e Iorubá. Durante os anos 1990, iniciou um percurso internacional que o levou a expor na Europa, nos Estados Unidos e em diversas bienais africanas.

A October Gallery, em Londres, foi um dos primeiros espaços europeus a reconhecer a força conceptual do seu trabalho, estabelecendo uma parceria duradoura que ajudou o artista a consolidar a sua presença internacional. Seguiram-se exposições na Fondation Cartier, na Tate Modern e em vários museus alemães, franceses e americanos.

A criação de La Bouche du Roi, entre 1997 e 2005, marcou uma viragem importante na sua carreira. Esta instalação monumental, composta por 304 máscaras-bidões, foi adquirida pelo British Museum e tornou-se uma referência incontornável na reflexão sobre o tráfico de escravos e as suas consequências contemporâneas. Já foi exibida em vários países e acompanhada por um extenso programa pedagógico.

Reconhecimento


Entre 1989 e 2024, Hazoumè expôs em mais de 120 mostras internacionais, consolidando a sua presença em eventos de prestígio como a Bienal de Veneza (2007, 2024), a Documenta 12 (Kassel), onde recebeu o Arnold-Bode Prize, a Bienal de Joanesburgo, a Bienal de Lyon, a Bienal de Havana, a Bienal de Istambul, a Bienal de Gwangju, a Bienal de Dakar e a ArtZuid Amsterdam.

A sua obra foi também exibida em exposições marcantes como “Africa Remix” e “Magiciens de la Terre” (Paris), e em instituições de renome mundial como o MoMA, a Fondation Louis Vuitton, a Tate Modern, o Smithsonian, o Brooklyn Museum, o Quai Branly, a Fondation Cartier e o Guggenheim Bilbao, entre muitas outras.

Hazoumè recebeu prémios importantes, incluindo o Arnold-Bode-Prize e o Benesse Prize (Bienal de Veneza), consolidando o seu estatuto como um dos artistas africanos mais influentes da sua geração.

O seu percurso dos anos 2000 até hoje é marcado por projectos comunitários, curadoria, iniciativas pedagógicas com jovens beninenses e colaborações com instituições internacionais dedicadas ao combate à exploração económica.

Apesar do reconhecimento internacional, mantém residência e actividade no Benim, onde continua a recolher materiais, dialogar com comunidades locais e criar novas obras, incluindo projectos multimédia que combinam vídeo, performance e escultura, com foco crítico na exploração económica, no neocolonialismo e nas desigualdades energéticas que afectam a África Ocidental.


Mensagem Critica


(20251122) A Arte do Lixo Romuald Hazoumè, Bidons Reinventados
Imagem: © 2006 Romuald Hazoumè

A obra de Romuald Hazoumè é profundamente política, confrontando diretamente sistemas de exploração que moldam a vida das pessoas. O artista denuncia de forma persistente o contrabando de combustível, a dependência do petróleo, as redes informais que exploram trabalhadores e as estruturas económicas que perpetuam a pobreza no Benim.

Hazoumè considera toda a sua obra um acto político directo, afirmando em entrevistas que a arte deve “intervir sem pedir autorização” e que ele não se limita a ilustrar realidades; ele desmonta mecanismos de poder. O tráfico de combustível entre o Benim e a Nigéria é central para esta crítica.

Para muitos beninenses, é o único meio de subsistência, mas implica que jovens carreguem bidões altamente inflamáveis em motas improvisadas, arriscando a vida num sistema tolerado pelo Estado. Hazoumè refere que esta actividade constitui uma “escravatura contemporânea tolerada pelos governos”.

O seu uso dos bidões como máscaras transforma o objecto em símbolo dessa luta, onde cada máscara é um rosto que poderia ser de um destes jovens. Outra mensagem social recorrente é a crítica ao neocolonialismo económico.

Hazoumè observa que as grandes potências continuam a explorar recursos africanos sob novas roupagens — contractos económicos abusivos, dependência energética, políticas externas condicionadas e desigualdades persistentes.

Obras como “Rat Singer” ou “The Petrol Head” ironizam essa relação desigual, mostrando personagens caricaturais que representam líderes políticos ou empresários que lucram com a exploração.

Cultura e Ecologia


Ao mesmo tempo, as obras de Hazoumè recuperam o papel da tradição. O artista reintroduz a iconografia Fon e Iorubá, não como nostalgia, mas como modo de resistência cultural. As máscaras tradicionais eram usadas para dialogar com os espíritos, interpretar acontecimentos, resolver conflitos e transmitir sabedoria.

Ao recriá-las com lixo industrial, Hazoumè mostra o choque entre espiritualidade e capitalismo desenfreado, entre comunidade e mercado. A sua mensagem ambiental também é explícita. O uso de plástico e metal não é apenas reciclado por necessidade estética: é um alerta sobre a crise de resíduos em África.

Hazoumè tem denunciado projectos petrolíferos que afectam comunidades piscatórias do Benim e utiliza o plástico importado ilegalmente da Europa como crítica às dinâmicas neocoloniais. O artista refere que o continente está inundado de lixo proveniente do próprio consumo local e, muitas vezes, importado ilegalmente de países europeus e asiáticos.

Transformar esses resíduos em arte é uma forma de denunciar e, simultaneamente, ressignificar.


Desigualdade, Exploração, Ambiente


(20251122) A Arte do Lixo Romuald Hazoumè, Bidons Reinventados
Imagem: © 2013 October Gallery

A obra de Romuald Hazoumè tem toda a razão de ser no mundo actual. Num período em que a desigualdade económica, a exploração energética e a crise ambiental moldam profundamente o destino de milhões de pessoas, a sua arte oferece uma leitura lúcida, crítica e, ao mesmo tempo, profundamente humana dos desafios contemporâneos.

Hazoumè entende o lixo não como um material morto, mas como um arquivo vivo das tensões sociais, vendo-o como “o espelho perfeito da violência económica”, e que a arte deve revelar aquilo que o poder oculta. O artista demonstra que a arte africana contemporânea pode ser conceptualmente sofisticada, politicamente incisiva e tecnicamente inovadora, sem se afastar das suas raízes culturais.

O seu trabalho recupera a memória Fon e Iorubá, mas reinventa essa herança para falar do presente. É desse encontro entre tradição e modernidade que nasce a força singular da sua linguagem visual. Além disso, Hazoumè desafia a visão eurocêntrica de que a arte africana se limita ao passado, à máscara ritual ou ao exotismo.

A sua presença em museus de referência no Ocidente é interpretada pelo artista como “ocupação de espaços de poder”: uma reentrada crítica no discurso global da arte, não uma assimilação acrítica.

Verdade e Impacto


Ao usar objectos industriais e resíduos modernos, Hazoumè desloca o foco para o presente, obrigando o público a confrontar realidades que muitas vezes são convenientemente ignoradas: contrabando, desemprego, exploração, corrupção, degradação ambiental e violência económica.

A importância da sua obra reside também na forma como ele nos lembra que a arte pode ser uma ferramenta de interpretação do mundo. As máscaras-bidões não são apenas esculturas: são espelhos que nos obrigam a olhar para a relação entre consumo, trabalho e desigualdade.

A instalação “La Bouche du Roi” não é apenas um memorial da escravatura: é um alerta contra novas formas de submissão e dependência económica. Vale a pena seguir o seu percurso porque Hazoumè não oferece respostas fáceis; oferece perguntas necessárias.

Num tempo em que a velocidade da informação pode apagar memórias e reduzir debates complexos a slogans, a arte de Hazoumè convida à introspecção e à coragem de enfrentar a verdade. É arte que incomoda, questiona e transforma.


Conclusão


Romuald Hazoumè é um dos artistas mais influentes da África contemporânea porque consegue transformar lixo em pensamento crítico, memória e identidade. Através de máscaras feitas a partir de bidões, instalações monumentais e obras marcadas pela sátira e pela acutilância política, ele revela os sistemas de opressão que moldam o quotidiano de milhões de pessoas no Benim e na África Ocidental.

A sua arte demonstra que a criatividade africana não é refém do passado, mas sim uma força viva que observa o mundo, interpreta-o e devolve-lhe perguntas essenciais. Hazoumè não procura agradar; procura despertar. E essa procura é, hoje, mais urgente do que nunca.

A dificuldade de criar arte crítica em sociedades marcadas por desigualdades e escassez de recursos torna o seu percurso ainda mais significativo. Hazoumè prova que a arte pode nascer de lugares improváveis e tornar-se numa ferramenta de resistência, consciência e esperança.

prepara novas exposições para 2025–2026, incluindo projectos em Paris, Lagos e Nova Iorque. As instituições que adquiriram a sua obra consideram-no uma das vozes mais fortes da arte africana conceptual contemporânea — não apenas pelo impacto visual, mas pelo modo como transforma lixo em testemunhos políticos, históricos e espirituais.

 


O que achas da arte de Romuald Hazoumè? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2025 Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santos

Atleta Olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados, um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes, além de vários cursos de especialização em diversas áreas. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.

Francisco Lopes-Santos
Francisco Lopes-Santoshttp://xesko.webs.com
Atleta Olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados, um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes, além de vários cursos de especialização em diversas áreas. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos.
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