PR De Angola Compara Colonialismo À Guerra

Num discurso marcado por críticas contundentes à ordem mundial, o Presidente angolano traçou um paralelismo directo entre o colonialismo histórico e as actuais intervenções militares das grandes potências, colocando África no centro do debate sobre justiça e equilíbrio global.

PR De Angola Compara Colonialismo À Guerra


Angola encerra hoje o seu mandato de três anos na presidência da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), na 11.ª cimeira de Chefes de Estado e de Governo que decorre hoje, em Malabo, na Guiné Equatorial, passando a mesma ao país anfitrião.

João Lourenço, o Presidente da República de Angola afirmou no seu discurso que as motivações do colonialismo no passado são as mesmas que levam hoje qualquer superpotência a fazer intervenções militares, como as ocorridas no Iraque e agora no Irão.

 “Hoje, com os mais diferentes argumentos, mas com os mesmos objectivos, os do controlo das principais fontes energéticas do planeta, do petróleo, do gás e dos minerais críticos e estratégicos, fazem-se intervenções militares em qualquer ponto do planeta”.

“O mundo transformou-se numa selva, onde qualquer superpotência evoca um direito inexistente à luz do Direito Internacional, o do ataque preventivo, suportado apenas na presunção de que alguém se está a preparar para me atacar e destruir”.

Afirmou o chefe de Estado angolano, explicando ainda que os povos de África, das Caraíbas e do Pacífico, por terem vivido durante séculos uma amarga experiência, sabem que as mesmas motivações que estiveram na base do colonialismo, o do controlo e pilhagem das suas riquezas, persistem infelizmente nos dias de hoje em pleno século XXI,

É por isso que a OEACP, constituída por 79 nações, deve zelar para ter uma voz activa e um papel actuante na abordagem das grandes questões globais, para que os seus pontos de vista sejam tidos em linha de conta na procura das soluções para os graves problemas que afectam de forma cada vez mais ameaçadora a segurança e a paz mundial.

Na cimeira de Malabo, que decorre com o tema “uma OEACP transformada e renovada num mundo em mutação”, Angola fez um balanço da liderança da organização, marcada por transformações que deixam a instituição com bases sólidas para próximos desafios.

Durante a presidência de Angola, decidiram abandonar o modelo de parceria assistencial do passado e estabeleceram as bases para uma parceria estratégica entre regiões que partilham responsabilidades globais e objectivos comuns.

O objectivo foi o de dar consistência ao princípio fundamental de um multilateralismo mais equilibrado e dinâmico, pelo qual o mundo se deve reger para se prevenirem os conflitos que grassam um pouco por toda a parte.

A partir de hoje, o Presidente da República da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, assume a presidência rotativa da OEACP.

 

Imagem: © 2018 Ampe Rogério
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