Guerra Do Irão: África Austral Reforça Cooperação
Como consequência da Guerra do Irão, provocada pelos Estados Unidos da América (EUA) e por Israel, a segurança energética e alimentar da África Austral constitui uma preocupação central para a região.
No final da reunião de dois dias do Conselho de Ministros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês), realizada hoje em Pretória, o ministro dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, Ronald Lamola, cujo país detém a presidência da organização, observou que o impacto das tensões internacionais, põem em risco os países da região.
Lamola afirmou que os governos precisam de mais dados para avaliar as consequências económicas e energéticas destas crises que afectam directamente as economias do bloco.
“Não se trata apenas da Guerra do Irão e do Médio Oriente, mas da geopolítica em geral”.
“Devemos perguntar-nos como avançar juntos como região, como construir e proteger a nossa soberania”, acrescentou.
Os países membros concordaram em convocar uma reunião especial dos ministros dos Negócios Estrangeiros no próximo mês de Maio para analisar o impacto regional e definir uma resposta coordenada. A SADC procura consolidar a informação dos vários ministérios e definir uma estratégia regional, destacando os minerais críticos da região para a transição energética e o desenvolvimento de novas tecnologias.
“Devemos reflectir sobre como utilizar estes recursos em benefício da região, através da transformação, do processamento e da criação de valor acrescentado”, afirmou.
Segundo Lamola, o objectivo é garantir que os recursos naturais do bloco contribuem para o desenvolvimento regional e para a criação de emprego.
“O mundo inteiro olha para África em busca destes recursos e a região da SADC possui uma grande fatia deles, mas não temos apenas os recursos, temos também a experiência mineira necessária para os explorar”, referiu Lamola.
A Guerra do Irão forçou ainda outro tema central na reunião. A revisão do Plano Indicativo Estratégico Regional de Desenvolvimento (RISDP, na sigla em inglês) que orienta a integração económica do bloco.
“Observámos um crescimento muito pequeno na integração regional que aumentou de aproximadamente 19% para 21%. Isto ainda é insuficiente para uma região organizada e coesa”, afirmou Lamola.
O RISDP para o período 2020-2030 prioriza um conjunto de iniciativas regionais de elevado impacto, visando impulsionar o crescimento económico, reforçar a resiliência às alterações climáticas, acelerar a industrialização e melhorar a conectividade das infra-estruturas na região.
O ministro considerou que o principal obstáculo está na persistência de barreiras comerciais não tarifárias entre os Estados-membros.
“O aumento do comércio regional também irá gerar emprego no Zimbabwe, Moçambique, Malawi e África do Sul: trata-se de prosperidade partilhada”, disse.
A SADC é um bloco regional composto por 16 países da África Austral, cujo objectivo é promover a integração económica, o desenvolvimento sustentável, a estabilidade política e a cooperação regional.
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