Índice
ToggleCarnaval No Mundo, Uma História De Poder
O Carnaval é uma das celebrações públicas mais antigas da história humana e continua a ser um campo de disputa entre tradição e modernidade, entre memória e espectáculo, entre a rua e o poder.
Nascido de rituais agrícolas e festividades de inversão social no mundo antigo, atravessou o calendário cristão como uma antecâmara turbulenta da Quaresma e espalhou-se pelas rotas marítimas europeias, sobretudo no eixo atlântico.
Quando essa expansão se cruzou com a escravatura, a festa deixou de ser apenas licença popular e passou a concentrar camadas que ainda hoje definem o seu significado: dor e sobrevivência, apagamento e reinvenção cultural, disciplina e transgressão. No espaço da CPLP, essa trajectória tornou-se particularmente visível.
O Entrudo português viajou com a administração colonial e com as cidades portuárias e, ao chegar ao Brasil e a territórios africanos, encontrou línguas, ritmos e rituais que não cabiam na moldura europeia. O resultado não foi simples imitação, mas transformação.
O Carnaval que se celebra em Nova Orleães, no Rio de Janeiro, em Salvador, em Luanda, no Mindelo ou em Ovar revela diferentes respostas históricas à mesma pergunta: quem tem direito à rua e quem define o que a rua pode dizer?
As Origens do Carnaval

Muito antes de atravessar o Atlântico e de se cruzar com a escravatura, o Carnaval já existia como ritual de inversão social no mundo antigo. As suas raízes encontram-se nas festas pagãs da Antiguidade, sobretudo nas Saturnais romanas e nas celebrações dionisíacas da Grécia.
Durante as Saturnais romanas, realizadas em honra de Saturno, suspendiam-se temporariamente as hierarquias sociais: os escravos podiam sentar-se à mesa com os seus senhores, trocavam-se papéis e a ordem quotidiana era simbolicamente subvertida. O riso, o excesso e a desordem controlada funcionavam como um mecanismo de equilíbrio social.
Com a expansão do Cristianismo na Europa, essas práticas não desapareceram, sendo integradas no calendário religioso como período anterior à Quaresma. A própria palavra “Carnaval” é frequentemente associada à expressão latina _carne vale_, entendida como “adeus à carne”, numa referência ao jejum que antecede a Páscoa.
Assim, o que antes era um rito pagão passou a ser tolerado como um momento de libertação antes do tempo de penitência. Na Idade Média, o Carnaval consolidou-se como um espaço onde a crítica ao poder civil e religioso podia emergir sob forma de sátira e paródia. As máscaras, os desfiles e as encenações públicas tornaram-se instrumentos que permitiam dizer o indizível.
A festa funcionava como uma válvula social: durante alguns dias, o povo podia inverter a ordem simbólica sem destruir a estrutura política. Foi esse modelo europeu que viajou com as rotas marítimas para África e para as Américas. Contudo, ao cruzar-se com outras culturas, o Carnaval deixou de ser apenas uma herança europeia, transformando-se profundamente.
As suas origens permanecem ancoradas na Antiguidade, mas a sua história moderna é feita de encontros, conflitos e reinvenções que ultrapassam o continente onde nasceu.
O Carnaval na CPLP

Falar do Carnaval na CPLP é falar de mar, deslocação e reencontro. A festa atravessou o Atlântico nas naus portuguesas e regressou transformada pelas culturas africanas que encontraram na rua um espaço de sobrevivência simbólica, alterando para sempre a festa.
Havia água, farinha e brincadeira agressiva e havia também um princípio que atravessa séculos: por um breve período, a hierarquia afrouxava e o povo testava os limites do aceitável. Com a expansão marítima, esse hábito foi levado para as cidades coloniais onde a vida social se organizava em torno de portos, igrejas e administrações.
O que une os países lusófonos não é um modelo único de desfile, mas uma história partilhada de cruzamentos, onde cada território apropriou-se do Carnaval segundo a sua experiência histórica, social e cultural. Se o ponto de partida foi o Entrudo português, o ponto de chegada é múltiplo e diverso.
Portugal
Em Portugal, o Carnaval não é apenas a herança medieval, mas uma prática activa e diferenciada. O Entrudo rude, marcado pela sátira directa, evoluiu para formatos organizados e para tradições ancestrais que resistem ao tempo.
Em cidades como Ovar e Torres Vedras, a crítica política assume lugar central, com carros alegóricos que caricaturam figuras públicas e decisões governativas. A sátira é mordaz e directa, mantendo a tradição de usar o riso como instrumento de comentário social. Noutras regiões, como Podence, os caretos preservam uma dimensão quase ritual.
As máscaras e os fatos coloridos evocam práticas antigas que antecedem o Carnaval urbano moderno. Portugal não é apenas a origem histórica do Carnaval na CPLP, mas um território onde coexistem modelos urbanos, turísticos e rurais que demonstram a plasticidade da celebração.
Brasil
No Brasil, o Entrudo misturou-se com as culturas africanas mantidas pelos escravos e transformou-se profundamente. No Rio de Janeiro e em Salvador, a festa ganhou escala monumental ao longo do Século XX. As escolas de samba profissionalizaram o desfile e criaram uma narrativa anual que mistura espectáculo, memória histórica e crítica social.
A musicalidade africana tornou-se o coração do Carnaval brasileiro. O desfile deixou de ser apenas por diversão para se tornar numa indústria cultural e num instrumento de projecção internacional, mas, ao mesmo tempo, continua enraizado nos bairros e nas comunidades que mantêm laços identitários fortes com a festa.
Angola
Em Angola, sobretudo em Luanda, o Carnaval consolidou-se como uma das maiores manifestações culturais urbanas. A kazukuta, o semba e outras expressões tradicionais são integradas em desfiles organizados que mobilizam bairros inteiros. Os grupos ensaiam durante meses e competem com uma disciplina que se aproxima do teatro popular.
O Carnaval angolano tem também uma forte dimensão de crítica social. Letras e encenações abordam o panorama económico e político, utilizando o humor e a alegoria como ferramentas de comentário. Após a independência, a festa tornou-se espaço de valorização cultural e afirmação identitária nacional.
Cabo Verde
No Mindelo, o Carnaval adquiriu um carácter crioulo singular. A influência brasileira é visível na estrutura dos desfiles, mas a música, o ritmo e a estética reflectem a identidade cabo-verdiana. A elegância dos fatos e o improviso musical convivem com uma organização comunitária muito forte.
A festa insular combina assim a herança europeia e a matriz africana, afirmando uma identidade atlântica própria. O Carnaval cabo-verdiano não imita, recria.
Guiné-Bissau
Na Guiné-Bissau, o Carnaval, ou Nturudu, como é chamado, manifesta-se como uma celebração popular marcada por diversidade étnica e criatividade comunitária. Em Bissau, os grupos incorporam trajes tradicionais, máscaras e danças que reflectem as suas identidades locais.
A festa funciona como um espaço de unidade nacional num país de pluralidade cultural. Apesar dos recursos limitados, a participação popular é intensa e a rua transforma-se em palco de afirmação colectiva.
O Carnaval guineense preserva uma forte ligação com as expressões culturais ancestrais, adaptadas ao contexto urbano contemporâneo.
Moçambique
Em Moçambique, sobretudo em Maputo, o Carnaval combina a herança colonial e os ritmos locais. Embora menos mediático internacionalmente, possui uma forte presença comunitária. Os desfiles organizados e as festas de bairro revelam muita criatividade e improviso.
A celebração integra música tradicional e influências modernas, reflectindo um país que cruza litoral, interior e diversidade cultural ampla. O Carnaval moçambicano mantém um carácter popular e espontâneo, onde a rua é o espaço de encontro e de expressão.
Guiné Equatorial
Na Guiné Equatorial, particularmente em Malabo e Bata, o Carnaval apresenta uma influência espanhola e católica combinada com práticas culturais locais. A festa inclui desfiles, máscaras e música que reflectem tanto a herança europeia como as identidades africanas.
Embora menos conhecido no espaço lusófono, o Carnaval da Guiné Equatorial reforça a dimensão plural da CPLP e demonstra que a celebração não pertence a um único modelo, mas adapta-se a contextos históricos distintos.
O Carnaval na CPLP é, assim, um mosaico atlântico onde cada praça e cada avenida contam uma versão diferente do mesmo património e mostram que a CPLP não partilha um Carnaval único, mas uma história de deslocações e cruzamentos que continuam ativos e com uma ideia central de que, durante alguns dias, a rua pode tornar-se território de liberdade simbólica e reconstrução identitária.
Escravatura Viva

A relação entre o Carnaval e a escravatura não é um detalhe histórico, mas, pelo contrário, uma das suas colunas estruturantes. A festa que hoje se apresenta como uma explosão de cores e de música nasceu e cresceu no interior de sistemas coloniais marcados pela violência, pela deslocação forçada e pela reorganização brutal de povos e culturas.
Para compreender o Carnaval moderno, é necessário seguir o percurso atlântico da escravatura e perceber como, em diferentes margens do oceano, a celebração se tornou numa linguagem de resistência e de reinvenção colectiva.
América do Sul
No Brasil colonial, as festas associadas ao calendário católico criaram brechas onde as populações de escravos conseguiam preservar os ritmos, os instrumentos e as formas de dança que carregavam as memórias africanas.
O que parecia apenas uma celebração tolerada continha códigos de resistência: maneiras próprias de marcar o tempo, de organizar o corpo colectivo e de afirmar a dignidade num sistema que a negava. Após a abolição da escravatura, a exclusão social manteve-se e a rua continuou a ser disputada.
Nos bairros periféricos do Rio de Janeiro e de Salvador surgiram associações e depois escolas de samba que transformaram a festa em narrativa histórica. A avenida converteu-se em arquivo popular, onde a diáspora africana passou a ser contada por quem a viveu.
O Carnaval brasileiro tornou-se um espectáculo mundial, mas a sua raiz permanece ligada à experiência da escravatura e à luta pela visibilidade cultural.
América do Norte
Essa mesma dinâmica atravessou o Golfo do México e ganhou forma particular em Nova Orleães. O Mardi Gras, herdeiro das tradições francesas e espanholas, desenvolveu-se numa cidade marcada pela escravatura e pela posterior segregação racial.
No final do Século XIX e início do Século XX, clubes sociais negros, como as Zulu Social Aid & Pleasure Clubs, utilizaram o desfile como instrumento de afirmação cultural e de solidariedade comunitária num contexto de discriminação legal. A festa não era apenas folia; era uma resposta simbólica à exclusão. Tal como no Brasil, a música tornou-se o eixo central.
O jazz, nascido nas ruas de Nova Orleães, dialoga com o espírito carnavalesco ao transformar o sofrimento histórico em expressão artística colectiva. O Carnaval norte-americano, embora frequentemente associado ao turismo, carrega igualmente a memória da segregação e da resistência afro-americana.
África Lusófona
Na África lusófona, a marca da escravatura aparece de outra forma. Angola foi um território de captura, de trânsito e de violência colonial e depois, foi um país de luta anticolonial e de reconstrução. Nesse percurso, o Carnaval pós-independência serviu para revalorizar expressões culturais, antes desqualificadas, para lhes dar visibilidade e identidades locais em contexto urbano.
A festa não apaga o passado, transforma-o em linguagem. Tornou-se instrumento de afirmação identitária e de recuperação simbólica. Em Cabo Verde e na Guiné-Bissau, a memória da escravatura mistura-se com heranças crioulas que se expressam na música e na ocupação da rua.
África Ocidental
A Nigéria ocupa um lugar central nesta história atlântica. Durante séculos, regiões hoje integradas no território nigeriano foram pontos de captura e de embarque de Escravos enviados para o Brasil, para as Caraíbas e para a América do Norte. Culturas iorubá, igbo e efik influenciaram profundamente as expressões da diáspora africana que mais tarde moldariam o Carnaval nas Américas.
Hoje, cidades como Calabar e Lagos realizam celebrações carnavalescas que combinam a tradição africana, a herança colonial e a modernidade urbana. O Calabar Carnival, frequentemente apresentado como um dos maiores de África, simboliza esse movimento de retorno: práticas culturais que atravessaram o Atlântico e que regressam sob novas formas.
A Nigéria demonstra que o Carnaval não é apenas um fenómeno importado; é também um reencontro com matrizes culturais que sobreviveram à escravatura e continuam a reinventar-se no espaço público.
O Carnaval não apaga o passado; transforma-o em linguagem colectiva. Por isso, quando é tratado apenas como um espectáculo, perde-se o essencial: ele nasceu e cresceu no contacto entre o poder e a sobrevivência e continua a falar dessa fricção. A festa carrega a memória da violência, mas também demonstra a capacidade de reinvenção colectiva que atravessa continentes e gerações.
As Máscaras que Falam

A máscara é talvez o objecto mais revelador do Carnaval porque mostra como a festa lida com a identidade, o medo e a liberdade. Na tradição europeia, sobretudo em Veneza, a máscara foi um instrumento do anonimato e da mistura social.
Ao esconder o rosto, permitia atravessar limites de classe, de género e de reputação e criava um espaço onde o comportamento podia desviar-se do esperado sem custo imediato. Essa prática não era inocente, era uma tecnologia social.
Em muitas regiões africanas, a máscara tem outra densidade: está ligada ao sagrado, aos ancestrais, ao controlo ritual da comunidade e à relação entre os vivos e os mortos. Não é apenas um adereço, é uma presença palpável. Quando as culturas africanas foram empurradas para a diáspora, parte dessa simbologia viajou, adaptou-se e fundiu-se com o teatro de rua e com a tradição cristã popular.
No Carnaval atlântico, a máscara tornou-se também um escudo político. Permite ridicularizar as autoridades e denunciar as injustiças sem expor de forma directa o indivíduo. A crítica aparece encenada e por isso circula com mais facilidade. Há ainda um terceiro nível que é contemporâneo: a máscara como estética do mercado.
Hoje, em muitos Carnavais, o rosto oculto é vendido como exotismo e o anonimato é substituído por marca, fotografia e patrocínio. Mesmo assim, a função simbólica resiste. A máscara continua a dizer que a identidade pode ser negociada e que a rua pode ser um laboratório de papel social.
O Carnaval vive dessa tensão: entre a máscara como ritual, a máscara como protecção e a máscara como mercadoria. Entender a máscara é entender a festa e perceber que por trás do brilho, existe uma gramática antiga de pertença e de contestação.
A Política Invade a Rua

O Carnaval sempre foi político, mesmo quando finge não o ser. Na Europa medieval e moderna, os dias carnavalescos permitiam inverter papéis e fazer sátira do poder civil e religioso. O riso operava como um mecanismo de controlo social porque libertava a pressão acumulada, mas ao mesmo tempo abria espaço para uma crítica que não cabia no discurso oficial.
Essa ambivalência atravessou o Atlântico. No Brasil, os desfiles transformaram-se num grande palco narrativo. Há anos em que o enredo escolhe a epopeia nacional e escolhe a ferida. Racismo, pobreza, violência urbana, corrupção e memória da escravatura, entram na avenida sob a forma de alegoria, de canto e de coreografia. O facto de isso ser feito com música não reduz a força da mensagem.
Em Angola, muitos grupos carnavalescos usam letras e encenações que comentam o panorama social, ironizam as promessas incumpridas e expõem as contradições do quotidiano. A festa funciona como um jornal popular em movimento. Em Cabo Verde, o Carnaval também reflecte as tensões entre o centro e a periferia, entre a tradição e a modernização e entre a ambição cultural e os limites materiais.
A política do Carnaval não se limita ao conteúdo, está na disputa pela rua, pelo financiamento, pelo controlo municipal e pela legitimidade cultural. Quem organiza os desfiles sabe que a festa mobiliza recursos, atrai turistas e projecta a imagem internacional. Por isso, o Estado e o mercado tentam enquadrá-la.
Ainda assim, a rua tem memória e o Carnaval continua a ser um lugar onde o povo escreve, canta e representa, aquilo que não encontra espaço noutros palcos. Quando a festa é reduzida a mero entretenimento, perde-se o facto central: o Carnaval é uma forma de participação pública, muitas vezes a mais acessível, onde a estética e a política caminham juntas sem pedir autorização.
Modelos de Carnaval em Confronto

Comparar os modelos europeu, africano e latino-americano do Carnaval, ajuda a perceber que a festa não é uma entidade homogénea, é uma família de rituais com um ADN comum, mas expressões diferentes.
O modelo europeu, exemplificado por Veneza e por Carnavais urbanos em França e Espanha, tende a privilegiar a estética, a coreografia da tradição e uma relação forte com o turismo cultural. A máscara é refinada, o desfile é muitas vezes mais contemplativo e a organização procura preservar uma certa continuidade histórica.
O modelo latino-americano, com epicentro no Brasil e ramificações nas Caraíbas, transforma a festa em espectáculo de grande escala, com música de raiz africana, competição artística e uma forte ligação comunitária. A avenida é a arena e o corpo é a linguagem central. O Carnaval pode ter virado uma indústria, mas continua ancorado em bairros, associações e nas memórias populares.
O modelo africano, quando observado em países lusófonos e em tradições urbanas, combina as celebrações com a afirmação identitária pós-colonial. A festa aparece como um espaço de valorização cultural e de comentário social directo e convive com a herança do colonialismo e com a necessidade de construir narrativas nacionais.
Há convergências claras: inversão simbólica, licença colectiva, música e ocupação do espaço público. Há diferenças decisivas: o peso do sagrado, o grau de mercantilização, o papel do Estado e o tipo de memória que a festa activa.
A CPLP cruza estes modelos porque é atlântica por natureza. Portugal fornece a matriz do Entrudo, África fornece os ritmos e as cosmologias e o Brasil transforma o conjunto numa potência cultural mundial. O resultado é um mapa onde o Carnaval aparece como história viva do encontro, muitas vezes violento, entre povos e onde a festa continua a ser forma de contar aquilo que os arquivos oficiais preferem calar.
Conclusão
O Carnaval sobrevive aos tempos porque nunca foi só folia. Foi sempre um ritual de inversão social, foi uma linguagem de sobrevivência em sociedades escravocratas, foi as máscaras que protegem e revelam e foi a política feita com música quando a palavra era vigiada.
No espaço da CPLP, essa herança é particularmente densa porque a festa atravessa o Atlântico com tudo o que ele carrega: deslocação, violência colonial, mestiçagem cultural e reinvenção urbana.
A rua continua a ser a grande redacção do Carnaval. Ali escreve-se a identidade, negocia-se o poder e preserva-se a memória colectiva. Quando o Carnaval termina, ficam as marcas do que foi permitido dizer, sem rosto e sem medo.
Sabias que haviam tantas variantes de Carnaval pelo mundo? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.
Imagem: © 2026 Francisco Lopes-Santos
