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ToggleMoçambique: SADC Enviou Equipa De Apoio
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) reforçou a resposta às cheias que afectam vários países da região com o envio de uma Equipa de Resposta a Emergências para Moçambique e para a África do Sul.
A decisão surge num contexto de agravamento da situação humanitária, marcado por chuvas prolongadas, transbordo de rios, ruptura de barragens e cheias repentinas que atingiram sobretudo o sul de Moçambique.
De acordo com a organização, esta mobilização insere-se nos mecanismos regionais de resposta a catástrofes e tem como objectivo apoiar os esforços conduzidos pelos governos dos Estados-membros mais afectados. Nas últimas semanas, milhares de famílias viram as suas casas inundadas, comunidades ficaram isoladas e os serviços básicos foram severamente comprometidos.
Em Moçambique, quase cem mil pessoas encontram-se actualmente em centros de acolhimento, enquanto prosseguem operações de resgate em zonas ainda inacessíveis.
A gravidade do panorama levou a SADC a actuar de forma coordenada, numa tentativa de responder não apenas à emergência imediata, mas também de preparar uma fase inicial de recuperação e de articulação de um apelo humanitário regional sustentado por avaliações de impacto em permanente actualização.
SADC Envia Ajuda

A SADC enviou uma Equipa de Resposta a Emergências (ERT) para apoiar Moçambique e a África do Sul face às cheias das últimas semanas, anunciou a organização, em comunicado.
Na informação é referido que o envio desta força é “parte dos mecanismos regionais de resposta a catástrofes” da SADC e “visa apoiar os esforços liderados pelos governos dos Estados-membros que foram severamente afectados por catástrofes”.
“A ERT da SADC estará em Moçambique e na África do Sul de 23 a 31 de Janeiro de 2026, prestando apoio às autoridades nacionais na resposta a emergências, operações de recuperação inicial, monitorização contínua da situação e consolidação de um apelo humanitário regional, com base nas avaliações de impacto em constante evolução”, lê-se no comunicado.
Acrescenta que, nas últimas semanas, “as chuvas prolongadas resultaram em transbordo de rios, ruptura de barragens, cheias repentinas e inundações de zonas baixas” em vários países da SADC, incluindo Essuatíni, Malawi, Zâmbia e Zimbabwe.
“Sendo Moçambique e África do Sul os países mais afectados e que necessitam de assistência humanitária”.
“Em Outubro de 2025, mais de um milhão de pessoas foram afectadas pelas cheias em diversos Estados-membros, com algumas comunidades deslocadas e pessoas a perderem a vida, o que evidencia a necessidade urgente de uma resposta regional coordenada para apoiar as comunidades afectadas”, lê-se ainda.
O comunicado completo pode ser consultado no site oficial da SADC. Para mais esclarecimentos, a organização disponibiliza contactos junto do Secretariado da SADC, incluindo os responsáveis pelas áreas de Comunicação, Operações Humanitárias e Redução do Risco de Desastres.
Situação Humanitária

De acordo com a base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), com dados até às 16:00 (hora local) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afectaram o equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas, agravando o último balanço, de sábado.
Quase 100 mil pessoas estão em centros de abrigo em Moçambique, devido às cheias que afectaram 652.189 pessoas desde 7 de Janeiro, com 12 mortos, segundo o INGD.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em cerca de 15 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique que graças a SADC agora terão.
Desde o início da época das chuvas (que vai de Outubro a Abril), incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afectadas, segundo os dados do INGD. Até 16 de Janeiro, era referido um total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afectadas avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.
Segundo os dados de hoje, estão actualmente activos 99 centros de acolhimento – mais cinco face a sábado – com 99.907 pessoas (mais 5.000), incluindo 19.556 que tiveram de ser resgatadas. Nesta actualização, contabiliza-se ainda que foram afectadas, desde 7 de Janeiro, 229 unidades sanitárias e 364 escolas, três pontes e 1.336 quilómetros de estrada.
No registo do INGD aponta-se ainda para 285.720 hectares de área agrícola afectados, atingindo a actividade de 214.147 agricultores, além da morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
Operações de Resgate

As operações de socorro continuam a decorrer em várias frentes, apesar das dificuldades impostas pelas condições meteorológicas. As tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, no sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias.
Estão envolvidos nestas operações, além da SADC, mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra. Na cidade e província de Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis devido à subida das águas, mantendo interrompidas ligações rodoviárias consideradas vitais.
A necessidade de descargas contínuas de barragens, incluindo em países vizinhos, por falta de capacidade de encaixe, continua a agravar a situação a jusante, prolongando o risco de novas inundações e dificultando a estabilização do panorama humanitário.
Conclusão
O envio da Equipa de Resposta a Emergências da SADC reforça a dimensão regional da resposta às cheias que afectam Moçambique e outros países da África Austral. Com milhares de pessoas deslocadas, infra-estruturas danificadas e comunidades ainda sitiadas.
A cooperação entre Estados-membros surge como elemento central para enfrentar uma crise que permanece em evolução. A eficácia desta resposta dependerá da articulação no terreno, da capacidade de manter operações de resgate activas e do acompanhamento contínuo da situação numa época chuvosa que continua longe do fim.
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Imagem: © 2026 SADC
