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ToggleCAN 2025: Nigéria Em 3º Mantem A Tradição
O jogo do Campeonato Africano das Nações 2025 (CAN 2025), para a atribuição do terceiro lugar foi disputado esta sexta-feira, 17 de Janeiro de 2026, no Stade Mohammed V, em Casablanca. O jogo não despertou grande expectativa mediática nem prometeu espectáculo e a realidade provou as espectativas.
O Egipto e a Nigéria chegavam a este encontro como selecções feridas pelas meias-finais, privadas da possibilidade de discutir o título e empurradas para uma “final menor” que, historicamente, raramente mobiliza emoções intensas. Ainda assim, havia elementos de interesse.
O Egipto procurava evitar terminar a competição sem qualquer distinção, depois de uma campanha irregular marcada por momentos de eficácia e longos períodos de esterilidade ofensiva. A Nigéria, por seu turno, entrava em campo com um peso estatístico favorável: nunca tinha perdido um jogo de atribuição do terceiro lugar desde que este foi formalmente instituído no CAN.
O que se seguiu foi um encontro coerente com as previsões. Pouco ritmo, escassa criatividade e um desgaste físico evidente em ambas as equipas empurraram o jogo para um empate sem golos nos 90 minutos. Nas grandes penalidades, a Nigéria voltou a confirmar a sua frieza competitiva, vencendo por 4-2 e garantindo o terceiro lugar do CAN 2025.
Um Jogo Desinspirado
Tal como é habitual neste tipo de encontros, o Egipto e a Nigéria entraram em campo com dificuldade em encontrar motivação competitiva. A primeira parte foi marcada por uma circulação lenta da bola, poucas incursões ofensivas e um número elevado de faltas, reflexo de equipas mais preocupadas em não errar do que em arriscar.
O único momento de real agitação antes do intervalo surgiu aos 36 minutos, quando Akor Adams cabeceou para o fundo das redes após um cruzamento de Samuel Chukwueze. No entanto, após consulta ao VAR, o árbitro considerou que Paul Onuachu havia cometido falta sobre Hamdy Fathy, anulando o golo e confirmando a tendência de um primeiro tempo sem golos.
O Egipto, apesar de contar com Mohamed Salah em campo, revelou dificuldades claras em criar desequilíbrios. A selecção egípcia terminou os primeiros 45 minutos sem um único remate enquadrado, num retracto fiel da apatia ofensiva que marcaria grande parte do encontro.
Na segunda parte, o seleccionador da Nigéria, Éric Chelle, tentou alterar o rumo do jogo ao lançar Ademola Lookman logo após o intervalo. O impacto foi imediato, ainda que efémero. O avançado marcou no seu primeiro toque na bola, mas o lance foi anulado por fora de jogo, devolvendo rapidamente o encontro à sua monotonia estrutural.
Apesar das substituições de parte a parte, o padrão manteve-se. O Egipto continuou incapaz de impor o seu jogo, enquanto a Nigéria criou apenas dois remates enquadrados durante todo o segundo tempo. O empate a zero acabou por ser um resultado justo, ainda que desolador do ponto de vista do espectáculo.
Penáltis Confirmam História
Com o empate sem golos consumado, o jogo foi decidido na marca dos onze metros. E foi aí que a história voltou a inclinar-se para o lado nigeriano.
Logo na primeira ronda, Fisayo Dele-Bashiru falhou para a Nigéria, mas Mohamed Salah, principal referência egípcia, também desperdiçou, deixando o marcador inalterado. A partir desse momento, a Nigéria mostrou maior controlo emocional.
Akor Adams abriu a vantagem, imediatamente reforçada quando Omar Marmoush viu o seu remate ser defendido por Stanley Nwabali, o guarda-redes nigeriano que acabaria por ser decisivo. Moses Simon fez o 2-0, antes de Ramy Rabia reduzir para o Egipto.
Quando Alex Iwobi converteu com segurança, a Nigéria ficou a um passo da vitória. Ainda houve tempo para Mahmoud Saber manter o Egipto vivo, mas Ademola Lookman fechou a série com frieza, selando o triunfo por 4-2.
Com esta vitória, a Nigéria confirmou um registo absolutamente singular: venceu todos os jogos de atribuição do terceiro lugar que disputou no Campeonato Africano das Nações, somando agora oito medalhas de bronze, mais do que qualquer outra selecção africana.
Bronze Sem Brilho
Antes do apito inicial, este jogo foi descrito como “a final que ninguém irá recordar”. Em termos de qualidade futebolística, essa previsão confirmou-se. Contudo, do ponto de vista histórico, o encontro reforçou padrões profundos do futebol africano.
A Nigéria mostrou, mais uma vez que possui uma cultura competitiva sólida, capaz de transformar frustração em resultados concretos. Mesmo sem brilho, sem domínio claro e sem exuberância ofensiva, as Super Águias saem do CAN 2025 com uma medalha e a confirmação de uma consistência rara.
Para o Egipto, o torneio termina com mais dúvidas do que certezas. Apesar do peso histórico e do talento individual, os faraós falharam nos momentos decisivos e voltaram a evidenciar dificuldades estruturais quando o jogo exige eficácia e coragem ofensiva. A ausência de golos neste encontro final simboliza bem esse problema.
Conclusão
Num Campeonato Africano das Nações marcado pelo equilíbrio e pelo desgaste, o jogo de atribuição do terceiro lugar do CAN 2025 não deixará saudades, mas cumpriu o seu papel histórico. A Nigéria confirmou uma tradição quase inabalável, garantindo mais um bronze e reforçando a sua identidade competitiva. O Egipto despede-se do torneio com interrogações profundas e a necessidade de repensar o seu futuro.
O desempenho da Nigéria ao garantir o terceiro lugar, demonstra a importância da consistência do seu futebol. A capacidade de transformar a desilusão da derrota nas meias-finais em motivação para conquistar o bronze é um testemunho da cultura competitiva da equipa. Este resultado sublinhou a necessidade de combinar talento individual com uma forte coesão de equipe, para se alcançar o sucesso.
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Imagem: © 2026 Torbjorn Tande / DeFodi Images / Profimedia
