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ToggleCabo Verde: Governo Trava Custos Da Energia
O Governo de Cabo Verde anunciou um conjunto de medidas preventivas para proteger a economia nacional de eventuais choques provocados pela crise energética internacional.
A decisão surge num contexto de crescente instabilidade no Médio Oriente, após a escalada militar entre os Estados Unidos da América (EUA), Israel e o Irão que levou ao encerramento do estreito de Ormuz e a uma nova pressão sobre os preços mundiais do petróleo.
Perante o risco de aumentos anormais nos combustíveis importados, o executivo liderado por Ulisses Correia e Silva afirma estar preparado para intervir no mercado interno com mecanismos fiscais e financeiros destinados a proteger as famílias e as empresas dos impactos inflacionistas.
A Decisão do Governo de Cabo Verde
“As medidas estão prontas para serem accionadas para proteger as famílias e as empresas, caso os preços internos sejam afectados por aumentos anormais resultantes de impactos inflacionistas externos na energia”.
Afirmou o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, numa comunicação ao país, na sequência da guerra no Irão e da crise no Médio Oriente.
As medidas poderão ser aplicadas de forma isolada, em conjunto ou progressivamente, dependendo do impacto da crise energética sobre os preços internos de combustíveis.
O chefe do Governo acrescentou que o país acompanha diariamente o mercado internacional de combustíveis através de uma equipa técnica permanente, coordenada pelo ministro da Indústria, Comércio e Energia.
O ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro, garantiu que o país dispõe actualmente de `stock´ suficiente para abastecimento e que o reabastecimento decorre normalmente.
“A disponibilidade logística dos produtos em Cabo Verde não é afectada pela situação no Médio Oriente. Importamos produtos da Europa do Norte, África e América Central, portanto, a logística não sofre impacto”, explicou.
Os preços internos dos derivados de petróleo são fixados mensalmente pela entidade reguladora, com base na evolução do mercado internacional, tomando como referência o barril de Brent e ainda existe uma margem de mais de duas semanas até à próxima actualização, marcada para 01 de Abril, disse.
Segundo o governante, comparando com os últimos cinco anos, a situação actual ainda não atingiu os níveis do pico da crise da Ucrânia, em 2022, embora haja incerteza quanto à evolução dos preços.
A Crise
Os EUA e Israel que já tinham protagonizado uma guerra de 12 dias contra o Irão, em Junho, lançaram uma nova onda de ataques em 28 de Fevereiro deste ano, justificando-se com uma inflexibilidade do regime político da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no seu programa nuclear que afirmam destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão fechou o tráfego no estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas na região, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projécteis iranianos foram também registados no Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.
Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão mais de 1.200 civis mortos, incluindo o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, cujo cargo foi, entretanto, assumido pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei.
Conclusão
A evolução da crise no Médio Oriente continuará a ser determinante para o comportamento dos mercados energéticos nas próximas semanas. Para Cabo Verde, um país fortemente dependente da importação de combustíveis, a volatilidade do preço do petróleo representa um risco directo para a estabilidade económica e para o custo de vida das famílias.
Ao preparar um conjunto de medidas preventivas antes de um eventual agravamento da situação, o Governo procura ganhar margem de manobra para responder rapidamente a choques externos. A estratégia passa por amortecer possíveis aumentos bruscos nos preços internos dos combustíveis, garantindo simultaneamente a continuidade do abastecimento.
Num panorama internacional, marcado por tensões geopolíticas e incerteza energética, a capacidade de antecipação poderá tornar-se um factor decisivo para proteger a economia cabo-verdiana dos efeitos mais severos da crise.
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Imagem: © 2026 Elton Monteiro
