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Toggle7 Galerias lusófonas brilham em Maastricht
A cidade de Maastricht, nos Países Baixos, recebe hoje, dia 14 de Março e até ao dia 19, a 39.ª Feira de Arte e Antiguidades da Fundação Europeia de Belas Artes (TEFAF), com a participação de 7 galerias lusófonas.
No total, cerca de 270 galerias provenientes de 24 países participam naquele que é considerado um dos maiores e mais prestigiados eventos mundiais dedicados ao mercado de arte e antiguidades.
Entre os participantes encontram-se três galerias portuguesas — Jorge Welsh Works of Art, Galeria São Roque e PAB/Aguiar Branco — e quatro galerias brasileiras: Fernando Jorge, Luciana Brito, Nara Roesler e Gomide & Co.
A presença destas galerias reforça o peso cultural e histórico do mundo lusófono no panorama internacional da arte, numa feira que reúne anualmente coleccionadores, curadores, conservadores de museus, antiquários e especialistas provenientes de todo o mundo.
Arte Mundial

A TEFAF Maastricht tornou-se ao longo das últimas décadas um dos principais palcos internacionais para a apresentação e comercialização de obras de arte de grande valor histórico e artístico. No certame podem ser encontrados objectos que atravessam séculos de história e múltiplas civilizações.
Entre as obras apresentadas encontram-se pintura, escultura, desenhos, iluminuras, fotografia, manuscritos, livros raros, joalharia histórica e objectos de design, abrangendo períodos que vão desde a antiguidade até à arte contemporânea.
A feira funciona também como um importante ponto de encontro para profissionais do sector, incluindo directores de museus, curadores, casas de leilões, coleccionadores privados e investidores culturais, sendo considerada uma referência mundial na validação de autenticidade e qualidade das obras apresentadas.
Todos os anos, as peças expostas passam por um rigoroso processo de verificação conduzido por especialistas internacionais antes de serem apresentadas ao público.
TEFAF Focus
Além das galerias participantes, a feira inclui a secção TEFAF Focus, dedicada a exposições temáticas e projectos curatoriais especiais. Nesta edição, o programa inclui exposições dedicadas ao expressionismo abstracto, ao design escandinavo e ao neoplasticismo, bem como mostras que exploram a pintura realista francesa, a cerâmica modernista africana e a fotografia americana.
Estas secções procuram ampliar o diálogo entre diferentes períodos artísticos e oferecer novas leituras sobre movimentos estéticos que marcaram a história da arte.
História da Feira
Organizada desde 1988 pela Fundação Europeia de Belas Artes, a TEFAF Maastricht tornou-se uma das mais influentes plataformas globais para o mercado de arte e antiguidades. O evento recebe anualmente mais de 80 mil visitantes, incluindo coleccionadores privados, especialistas, curadores e representantes de instituições culturais de vários continentes.
Ao longo da sua história, a fundação tem também desenvolvido iniciativas de apoio ao património cultural. Em 2017, por exemplo, a TEFAF concedeu cerca de 25 mil euros ao Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, para apoiar o restauro dos azulejos dos séculos XVII e XVIII da Capela das Albertas.
Incidente Marcante
Apesar do prestígio internacional, a feira não esteve imune a episódios de segurança. Em 2022, um roubo de jóias ocorreu em pleno horário de visita pública, gerando grande repercussão mediática.
Na altura, o canal dos países baixos NRC avançou que o valor das peças poderia atingir cerca de 27 milhões de euros, embora nem a organização da feira nem as autoridades policiais tenham confirmado oficialmente o montante. O incidente levou ao reforço das medidas de segurança nas edições seguintes.
As Galerias Lusófonas

Entre os representantes lusófonos, destacam-se três galerias portuguesas com perfis distintos, mas ligadas a um mesmo eixo histórico: o intercâmbio cultural resultante das rotas comerciais portuguesas. Entretanto, o Brasil, está representado por quatro galerias com forte presença no mercado internacional de arte contemporânea.
Presença Portuguesa
A Jorge Welsh Works of Art, fundada por Jorge Welsh e Luísa Vinhais, com galerias em Lisboa e Londres, é reconhecida internacionalmente pela sua especialização em porcelana chinesa e arte de intercâmbio cultural produzida entre os séculos XV e XIX.
O espaço apresenta frequentemente peças que testemunham os encontros entre culturas asiáticas, europeias e africanas durante o período das rotas comerciais marítimas. Nesta edição da TEFAF, a galeria apresenta também obras provenientes do Japão, da Índia e de África, reforçando a dimensão global das trocas culturais que marcaram a história do comércio e da arte.
Outra presença portuguesa é a Galeria São Roque, sediada em Lisboa que levará ao certame um conjunto de peças representativas da arte portuguesa dos séculos XVI e XVII.
Entre os objectos expostos encontram-se mobiliário e peças de cerâmica histórica, incluindo um cofre indo-português, um contador e uma mesa de estrado, exemplos raros da produção artística associada à presença portuguesa no Oriente e às redes comerciais que ligavam a Europa à Ásia.
Por sua vez, a PAB / Aguiar Branco, com galerias no Porto e em Paris, apresenta obras relacionadas com o universo da expansão marítima portuguesa e do encontro entre civilizações. O acervo inclui objectos produzidos entre os séculos XV e XVIII, em materiais como madrepérola, cristal de rocha, laca e porcelana, demonstrando a riqueza estética e técnica dos objectos criados em contextos de intercâmbio cultural.
Presença Brasileira
A galeria Fernando Jorge, com espaços em São Paulo, Nova Iorque e Londres, participa ao lado da Luciana Brito e da Gomide & Co, ambas sediadas em São Paulo.
Participa também a galeria Nara Roesler que mantém espaços em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova Iorque e que tem vindo a afirmar-se como uma das principais promotoras da arte contemporânea latino-americana no circuito global.
A presença brasileira reforça o dinamismo da produção artística do país e a crescente valorização da arte latino-americana no mercado internacional.
Conclusão
A participação de galerias portuguesas e brasileiras na TEFAF Maastricht demonstra a vitalidade e a relevância da arte produzida e preservada no espaço lusófono. Mais do que um simples evento comercial, a feira tornou-se uma montra mundial onde o património histórico, o intercâmbio cultural e a criação contemporânea se encontram.
Num mundo cada vez mais atento ao valor cultural da arte, a presença lusófona em Maastricht reafirma o papel que Portugal e o Brasil continuam a desempenhar na preservação e na promoção de um património artístico que atravessa continentes e séculos.
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Imagem: © 2026 Maison Rowena
